Uma ingestão baixa de micronutrientes pode contribuir para a obesidade

Níveis mais baixos de micronutrientes em obesos


Os investigadores têm notado de forma repetida que pessoas obesas têm uma menor concentração sanguínea de uma série de nutrientes, incluindo a vitamina A, vitamina D, vitamina K, várias vitaminas B, zinco e ferro (1). Embora existam evidências de que alguns destes nutrientes podem influenciar quantidade massa gorda em animais, as evidências de uma relação de causa e efeito em seres humanos são geralmente reduzidas.

Existem evidências indirectas de que o status da vitamina D influencia o risco de obesidade, apesar de um estudo amplo e bem controlado ter verificado que a suplementação com doses elevadas  de vitamina D3 não causa perda de gordura em voluntários com excesso de peso e obesos, ao longo do curso de um ano (3). A vitamina D ainda pode ter um efeito preventivo, ou exigir um período de suplementação mais longo, mas isso ainda tem de ser determinado.

Novidades da imprensa científica

Um novo estudo, publicado no jornal Obesity, e realizado por Y. Li e seus colegas, mostrou que, comparado a um placebo, um multivitaminico com doses baixas, provocou uma perda de peso em voluntários obesos de 3,2 kg de massa gorda em 6 meses, principalmente na região abdominal (4). O suplemento também reduziu o LDL em 27%, aumentou o HDL por uns incríveis 40% e aumentou o expêndio de energia.

Aqui está a composição do suplemento:

  • Vitamina A (contendo uma mistura natural de b-caroteno) 5000 UI
  • Vitamina D 400 UI
  • Vitamina E 30 UI
  • Tiamina 1,5 mg
  • Riboflavina 1,7 mg
  • Vitamina B6 2 mg
  • Vitamina C 60 mg
  • Vitamina B12 6 mcg
  • Vitamina K1 25 mcg
  • Biotina 30 mcg
  • Ácido fólico 400 mcg
  • Nicotinamida 20 mg
  • Ácido pantotênico 10 mg
  • Cálcio 162 mg
  • Fósforo 125 mg
  • Cloro 36.3 mg
  • Magnésio 100 mg
  • Ferro 18 mg
  • Cobre 2 mg
  • Zinco 15 mg
  • Manganês 2,5 mg
  • Iodo 150 mcg
  • Cromo 25 mcg
  • Molibdénio 25 mcg
  • Selénio 25 mcg
  • Níquel 5 mcg
  • Stannum 10 mcg
  • Silício 10 mcg
  • Vanádio 10 mcg

Embora o resultado tenham de ser confirmados por outros estudos, se o levarmos ao pé da letra, tem algumas implicações importantes:

  • A densidade de nutrientes de uma dieta pode influenciar o risco de obesidade.
  • Muitos nutrientes agem em conjunto para criar saúde e as deficiências múltiplas podem contribuir para a doença. Pode ser o motivo único pelo qual os estudos que usam a suplementação de apenas um único nutriente, não costumam encontrar muita coisa.
  • Outra possibilidade é que a obesidade pode ser resultado de um número diferente de insuficiências de nutrientes, e a causa é diferente em pessoas diferentes. Este estudo pode ter verificado um grande efeito, por ter corrigido muitas insuficiências diferentes.
  • Este resultado, mais uma vez, mata a noção simplista de que a gordura corporal é determinada exclusivamente pelo consumo alimentar voluntário e comportamentos de exercício (às vezes chamada de ideia das “calorias dentro, calorias fora”, ou “gula e preguiça”). Neste caso, um multivitaminico foi capaz de aumentar o dispêndio energético em repouso e provocar a perda de gordura sem qualquer alteração voluntária na ingestão de alimentos ou o exercício, sugerindo efeitos metabólicos e uma possível mudança e redução do ponto de homeostase da massa gorda do organismo “setpoint”, devido à melhoria do estado nutricional.

Implicações práticas

Quer isto dizer que todos nós devemos tomar multivitamínicos para ficarmos ou tornarmo-nos magros? Não. Não existe nenhum multivitaminico que possa corresponder à integridade e ao equilíbrio dos alimentos completos, densos em nutrientes, de uma dieta omnívora. Fígado de animais, verduras e a luz solar são os comprimidos de vitaminas da natureza.

O simples acto de evitar alimentos refinados, duplica instantaneamente o conteúdo de micronutrientes de uma dieta típica. Preparar os cereais de forma adequada, demolhando-os e fermentando-os, é o equivalente a tomar um multi-mineral, juntamente com os cereais preparados de forma convencional, já que a absorção de minerais chave aumenta em 50-300% (10). Ou pode ingerir tubérculos, em vez de cereais, e desfrutar da sua disponibilidade mineral naturalmente elevada. Ou ambos.

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