Uma das piores formas de exercício que existe

Um estudo recente analisou a função cardíaca de 40 atletas de resistência de elite após quatro corridas de resistência de diferentes distâncias.

Ao analisar a quantidade de enzimas cardíacas e realizando ultra-sons, os investigadores foram capazes de registar os efeitos agudos que o exercício extremo tem sobre o coração.

Eles descobriram que:

  • A capacidade de funcionamento do ventrículo direito (RV) diminuiu após as corridas.
  • Os níveis sanguíneos de enzimas cardíacas (marcadores de lesão cardíaca) aumentaram,
  • Quanto mais longa a corrida, maior a diminuição da capacidade funcionamento do VD.
  • Na ressonância magnética, foi possível detectar tecido cicatrizado no músculo cardíaco de 12% dos atletas, uma semana após a corrida.

Os autores do estudo concluíram que:

“O exercício intenso provoca uma disfunção do VD, mas não do VE.

“Embora a recuperação a curto prazo de pareça estar concluída, podem permanecer alterações crónicas em muitos dos atletas que se exercitam mais. “

O dr. John Mandrola escreveu:

“Não sou um alarmista, mas este estudo assusta-me… danos no VD não são nada de bom.

As doenças que afectam o VD tendem a causar instabilidade eléctrica, o que poderá aumentar o risco de morte súbita…

A prática de exercício físico continua a ser o meio mais eficaz e seguro de prevenir e tratar as doenças do coração. A vasta maioria das pessoas exercita-se muito pouco. Na verdade, eu acredito que os países desenvolvidos sofrem de uma grave deficiência de exercício. Dito isto, porém, a acumulação de dados sugere, pelo menos, a possibilidade da existência um limite superior daquilo que o coração humano consegue suportar. “

Concordo. Embora a prática de exercício possa reduzir o risco cardiovascular por um factor de três, muito exercício vigoroso, como a maratona, na verdade aumenta o risco cardíaco por sete, de acordo com um estudo apresentado no “Cardiovascular Congress de 2010” em Montreal. Esta é uma lição poderosa para quem se envolve em grandes quantidades de exercício cardiovascular, porque, como se vê, a prática de cardio excessivo pode realmente ser contraproducente.

O mito da maratona

O que deve fazer é exercitar-se da forma correcta e apropriada, e certificando-se que também se recupera de forma adequada, o que pode ser tão importante quanto o próprio exercício. Uma parte integrante de um regime de exercício saudável é a variedade, mas, para além disso, existem agora evidências esmagadoras que indicam que o cardio convencional ou corrida de longa distância é uma das piores formas de exercício que existe. Não só outros estudos confirmaram os resultados perturbadores acima referidos, como também concluíram que é uma das formas menos eficientes de exercício.

Novas pesquisas confirmam o conceito de que não está a maximizar os seus esforços quando está a correr maratonas. Pelo contrário, a acumulação de provas está contra o cardio convencional. Aqui estão vários estudos adicionais que confirmam os efeitos prejudiciais para a saúde da corrida de longa distância:

  • Um estudo de 2006 seleccionou 60 participantes recreativos das maratonas de Boston de 2004 e 2005, usando ecocardiografias e biomarcadores séricos. E tal como o estudo que referimos acima, também verificaram uma diminuição da função sistólica de ventrículo direito nos atletas, provocada por um aumento da inflamação e uma diminuição no fluxo de sangue.
  • Uma investigação realizada pelo Dr. Arthur Siegel, director de Medicina Interna do Hospital McLean da Universidade de Harvard, também descobriu que a realização de corridas de longa distância conduz a níveis elevados de inflamação que pode desencadear eventos cardíacos.
  • Um estudo de 2006 descobriu que a corrida de longa distância conduz a anormalidades na forma como o sangue é bombeado para dentro do coração.
  • Num estudo publicado no “Journal of Applied Physiology”, investigadores recrutaram um grupo de homens idosos em muito boa forma física. Todos eles eram membros do clube “Marathon 100”, ou seja, atletas que tinham completado um mínimo de 100 maratonas. E como resultado, metade desses atletas que realizaram maratonas ao longo da vida tinham alguma quantidade de músculo cardíaco cicatrizado – especificamente os homens que já treinavam à mais tempo e correram as provas mais difíceis.
  • Recentemente publicado na revista “Circulation”, este estudo realizado em animais, foi concebido para imitar a carga extenuante diária do exercício que os maratonistas suportam ao longo de 10 anos. No início do estudo, Todos os ratos tinham corações saudáveis e normais no início do estudo, mas no final a maioria deles tinha desenvolvido “cicatriz difusa e algumas mudanças estruturais, similares às mudanças observadas nos atletas humanos de resistência.”

As investigações mais recentes mostram que pode obter mais benefícios em menos tempo

Evidentemente, quando se trata da prática de exercício físico, mais nem sempre é melhor. Tal como aprendi em anos mais recentes, o oposto é muitas vezes verdade. É claro que este aviso não se aplica à grande maioria das pessoas que estão a ler isto, já que a maioria das pessoas não se está a exercitar o suficiente.

Mas ainda assim, é importante compreender que não só é possível realizar exercício em excesso, mas também que, focar-se apenas no tipo errado de exercício, excluindo outras áreas importantes, pode realmente fazer mais mal do que bem. Mesmo se não acabar por morrer de morte súbita cardíaca durante uma corrida, os anos de corrida de maratona pode interferir com a sua capacidade de alcançar a saúde ideal.

Pesquisa emergentes que surgiram ao longo dos últimos anos, proporcionaram-nos uma compreensão mais profunda daquilo que o seu corpo necessita em termos de exercício, e muitas das certezas que tínhamos no passado estão simplesmente incorrectas.

Por exemplo, existem elementos que provam que o treino intervalado de alta intensidade, que requer apenas uma fracção do tempo necessário para realizar com cardio convencional, é muito mais eficiente, e mais eficaz. Pode literalmente obter mais benefícios em menos tempo. O mesmo pode ser dito em relação ao estilo de treino de musculação “super-slow”, que também proporciona muitos dos mesmos benefícios para a saúde que o treino intervalado de alta intensidade.

Uma investigação publicada recentemente na revista “Progress in Cardiovascular Diseases” concluiu que o melhor regime de treino físico é aquele que imita os movimentos de nossos ancestrais caçadores-recolectores, que incluíam sprints curtos de alta intensidade, mas não corrida de longa distância.

Resumindo e concluindo

Verificou-se que os atletas de corrida sofrem uma diminuição da função do ventrículo direito do coração depois de correrem maratonas. Eles também tinham níveis mais elevados de enzimas cardíacas, que são indicadores de lesão cardíaca, e 12 por cento dos atletas apresentaram tecido cicatricial detectável no seu músculo cardíaco uma semana após a corrida

Embora a prática de exercício físico reduza o risco de problemas cardiovasculares por um factor de três, A prática de exercício realizado de forma muito vigorosa, como as maratonas, na verdade aumenta o risco de eventos cardíacos por sete

Não só é possível realizar exercício em excesso, como o facto de se focar apenas no tipo errado de exercício excluindo todas as restantes formas, pode na verdade fazer mais mal do que bem

Existem provas convincentes que mostram que o treino intervalado de alta intensidade, que exige apenas uma fracção do tempo em comparação com o cardio convencional, é muito mais eficiente e mais eficaz. É possível, literalmente, obter mais benefícios num menor período de tempo.

O mesmo pode ser dito em relação aos métodos de treino de musculação, que também proporcionam muitos dos mesmo benefícios para a saúde do treino intervalado de alta intensidade.

Referência!

Prática de musculação baseada em evidência científica. Siga-nos através das redes sociais.