Um sono fragmentado reduz a oxidação de gordura em mais de 50%

Um sono fragmentado reduz a oxidação de gordura ao longo de 24 horas em mais de 50% – não dormir uma boa noite prepara-o para a obesidade.

Peso que já deve estar familiarizado com a ideia de que se já se verificou que uma quantidade insuficiente de sono foi correlacionada (! Não induziu!) com a obesidade visceral e outros marcadores negativos para a saúde (por exemplo, Strian. 2005).

Agora, um estudo realizado no Instituto de Investigação de Nutrição e Toxicologia do Departamento de Biologia Humana da Universidade de Maastricht, na Holanda descobriu que se não conseguir ter uma boa noite de sono, ou, neste caso em particular, se acordar a cada hora, irá reduzir a quantidade de gordura que queima ao longo de um período de 24 horas, por -52% (Hursel. 2011, veja a figura 1).

Um sono fragmentado reduz a oxidação de gordura em mais de 50%
Imagem 1: Dão uma aparência estranha, mas as máscaras de dormir e os tampões de ouvidos são formas eficazes e baratas de melhorar a qualidade do sono.

Ao contrário do estudo de correlação inicialmente mencionado, Hursel et al. fez com que os seus 15 voluntários saudáveis do sexo masculino fossem ao laboratório duas vezes (> 2 por semana entre as sessões do estudo randomizado, cruzado e duplo-cego).

Durante cada visita, os voluntários permaneceram durante 48 horas numa câmara de respiração, em que o dispêndio de energia, atividade física , e a oxidação de substrato foram medidos de forma meticulosa.

Em ambas as ocasiões, os indivíduos tiveram horas fixas para se deitarem (luzes apagadas às: 23:00; luzes ligadas às: 07:40), resultando isto em oito horas de sono por noite.

No entanto, numa das ocasiões, os cientistas induziram uma fragmentação do sono, “despertando” os voluntários aproximadamente a cada hora. Os voluntários tinham que responder desligando o  seu alarme após 2 minutos.

Um sono fragmentado reduz a oxidação de gordura em mais de 50%
Figura 1: Diferenças relativas na oxidação dos hidratos de carbono e gordura, bem como o quociente respiratório (maior quociente = mais dependente dos hidratos de carbono) em 15 homens saudáveis como consequência da interrupção do sono (calculado com base em dados de Hursel 2011.) 

Em relação à dieta, foi pedido aos voluntários que se abstivessem de realizar exercício extenuante e para dormirem durante 8 horas durante as noites antes da sua visita ao laboratório, foram alimentados com uma dieta estandardizada “normal” com alimentos do dia-a-dia (rácio de proteína: carboidratos: gordura de 12:55:33) dois dias antes e no decorrer da sua estadia na câmara de respiração.

A utilização deste último, por sinal, facilitou de forma considerável a realização de medições exatas acerca do gasto energético e oxidação dos substratos dos voluntários (veja a figura 2).

Um sono fragmentado reduz a oxidação de gordura em mais de 50%
Figura 2: Alterações relativas no gasto energético em descanso (GER) e a dormir (SEE), bem como as variações absolutas na atividade induzidas pelo gasto energético (AEE) e equilíbrio calórico total (dados calculados com base em Hursel 2011.)

À medida que os dados da digura 2 mostram que não houve diferenças estatisticamentes significativas no que diz respeito aos gastos calóricos totais dos voluntários (de 0,41 MJ/dia para 0,41 MJ/dia no grupo normal versus grupo do sono interrompido, respetivamente).

Embora isto pareça contraditório já que a atividade física registada dos voluntários que tiveram o sono interrompido tinha eventualmente aumentado, Hursel et al. salientam que, devido à conceção do seu estudo,…

Nós mostramos um aumento inicial da atividade física e AEE como um efeito da fragmentação do sono, principalmente porque os indivíduos tiveram que desligar o seu despertador 7 vezes durante a noite.

No entanto, o resultante aumento do esgotamento e sonolência durante o dia a seguir podem eventualmente ter compensado esse aumento da atividade física e AEE.

E também afirmam que esse aumento da atividade está diretamente correlacionado com o aumento da oxidação de carboidratos, a depleção das reservas de glicogénio e (esta é a minha suposição) diminuição da oxidação de ácidos gordos em -52%, relacionados com o stress (veja a figura 1 ).

Os resultados reais desta não saudável combinação de sono não-regenerativo, cansaço e sonolência durante o dia e as mudanças metabólicas abstratas que a acompanharam são: problemas cognitivos, falta de motivação (especialmente para trabalhar ou para fazer qualquer tipo de trabalho físico), desejos fortes de carboidratos, ataques de apetite e companhia…

Nos seus esforços para (re) alimentar um corpo que não é capaz de aceder às suas abastecidas reservas de gordura, que acabam por compensar o aumento inicial do gasto energético, provocando picos constantes de insulina que abafam completamente a oxidação da gordura, aumento temporário da hiperglicemia, (se não for já diabético) e induzindo ainda mais ataques de apetite.

Desta forma, você estará a dar origem a um ciclo vicioso negativo, do qual é especialmente difícil escapar, se o seu corpo não tiver a oportunidade de repor os níveis de insulina e de stress ao longo de uma boa noite de sono.

Mantenha isso em mente antes de colocar o seu telemóvel ao lado da sua travesseira, de forma a “estar sempre em contato” com os seus amigos (facebook) 24 horas por dia, 7 dias por semana, já que um estudo muito recente publicado na revista “Sleep” mostrou que “o uso do telemóvel para realizar chamadas e para enviar mensagens de texto depois das luzes estarem desligadas, foi associado a distúrbios do sono independentes de co-variáveis e independentes uns dos outros “(Munezawa. 2011).

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