Os suplementos para as articulações funcionam?

Os suplementos para as articulações, ou mais precisamente para a osteoartrose, são dos mais vendidos no mundo ocidental.

Estima-se que 69% daqueles que sofrem de osteoartrite tomam um ou mais suplementos alimentares específicos para tratar esta condição. Em 2009, e só nos EUA, as vendas de glucosamina e condroitina representaram cerca de 872 milhões de dólares.

Embora sejam bastante usados pelos que sofrem de osteoartrose e/ou outras perturbações ao nível das articulações, o nível de eficácia dos suplementos para esta condição ainda está por esclarecer.

O estudo

Numa tentativa de dar resposta à questão inicial deste artigo, há poucos anos, um grupo de investigadores procurou determinar o grau de eficácia dos suplementos existentes para tratar a osteoartrose.

Para o efeito, efetuaram uma revisão sistemática e meta-análise de estudos clínicos controlados, que tenham testado um determinado suplemento, em comparação com um placebo.

Na sua análise incluíram 69 estudos, num total de 20 suplementos testados, sendo que a maioria avaliaram a glucosamina e a condroitina.

Viés

Do total de 69 estudos incluídos, estes investigadores consideraram que apenas 7 estudos tinham um risco de viés reduzido.

44 estudos foram financiados por empresas farmacêuticas e considerados como tendo um elevado risco de viés, devido a conflitos de interesse. Esses estudos demonstraram efeitos mais expressivos do que aqueles que não receberam financiamento ou sem conflitos de interesses.

Relativamente à condroitina, um dos suplementos mais conhecidos dentro desta categoria, verificou-se que os estudos com risco de viés de seleção mais baixo demonstraram efeitos de tratamento inferiores aos dos classificados como sendo de risco pouco claro.

Dor

Os autores deste trabalho efetuaram uma análise conjunta, a qual sugeriu um efeito moderado dos suplementos na redução da dor, a curto prazo, mas com um nível evidência de qualidade muito reduzido.

No respeitante à redução da dor, a curto prazo, sete suplementos (L-carnitina, picnogenol, curcumina, extrato de Boswellia serrata, extrato de Curcuma longa, extrato de casca de maracujá e hidrolisado de colágeno) demostraram efeitos grandes e clinicamente relevantes. No entanto o nº de estudos incluídos na análise foi pequeno e a maioria foram patrocinados por empresas farmacêuticas.

Na redução da dor a médio e longo prazo, em termos clínicos, nenhum suplemento demonstrou efeitos significativos, exceto o extrato de mexilhão de lábios verdes e colágeno tipo II não desnaturado, que demonstraram efeitos significativos, a médio prazo.

De referir que estes investigadores reportaram a existência de evidência limitada que sugere que a glucosamina, os insaponificáveis de abacate/soja e o picnogenol provavelmente reduziram o uso de anti-inflamatórios não esteroides.

Rigidez articular

A curto prazo, cinco suplementos (extrato de Boswellia serrata, L-carnitina, MSM, colagénio tipo II não desnaturado e picnogenol) demonstraram melhorias estatisticamente significativas na redução da rigidez articular, sendo que apenas o extrato de Boswellia serrata atingiu importância clínica.

Neste trabalho não foi detetada evidência que suporte a existência de benefícios ao nível da rigidez articular a médio e longo prazo com qualquer um dos suplementos.

A longo prazo, apenas a condroitina demonstrou diferença estatisticamente significativa quando comparada com placebo, mas sem efeitos clinicamente importantes.

Conclusão

Estes investigadores concluíram o seu trabalho com alguns pontos-chave:

  • Os suplementos mais usados (glucosamina, condroitina) não têm um efeito clínico importante na osteoartrite.
  • Alguns suplementos pouco conhecidos (extrato de Boswellia serrata, picnogenol, curcumina) aparentam ter efeitos grandes, embora os dados atualmente disponíveis sejam de baixa qualidade.
  • De modo geral, verifica-se que os suplementos para tratar a osteoporose são seguros.

Referência!

Fernando Ribeiro

Nutricionista (CP: 4100N) no Moreirense Futebol Clube. É licenciado em nutrição pela FCNAUP, e é também doutorando em Ciências do Consumo Alimentar e Nutrição, na mesma faculdade.