Qual é a dieta ideal para nós, seres humanos? (Parte 1)

Parte do que me levou a pesquisar sobre dietas, foi a curiosidade acerca da “dieta ideal”.

Parecia ser um conceito simples: uma combinação de alimentos aos quais os nossos organismos estão melhor adaptados, que poderíamos facilmente distinguir observando a nossa anatomia, que a história evolutiva confirmasse, e que proporcionaria a melhor saúde possível.

Isso não deveria ser engenharia aeroespacial, certo? Infelizmente, é algo do género.

Porque motivo a dieta ideal não existe.

Cheguei á conclusão que existem duas crónicas diferentes da história humana. Existe a história da ciência, que afirma que o “Homo genus” emergiu há cerca de 2.5 milhões de anos e passamos milhares de anos a evoluir a dispersar-nos, a lutar pela sobrevivência, a caçar, e a comer tudo o que o nosso dedo oponível pudesse alcançar –  e eventualmente adotamos o processo de cozinhar como prática geral á cerca de 100,000 a 200,000 anos atrás.

Mas algumas pessoas não parecem ter isso em conta, Especialmente a ênfase na caça e no processo de cozinhar. Por isso, por detrás desta história, provada pela ciência, existe uma outra diferente, outra versão do nosso passado, uma versão mais elegante, e “underground”: trata-se da história vegetariana crua…

A história “vegetariana crua”, começa por qualquer coisa como isto. Era uma vez, uma época em que os humanos antigos viviam num paraíso tropical, belo e ameno. Nós convivíamos, jogávamos, amava-mos, ria-mos. E a natureza satisfazia as nossas necessidades,

Passávamos os nossos dias rodeados pelo maravilhosos sol, a apanhar fruta das árvores, a viver vidas longas, livres de doenças e a morrer de forma calma em camas de folhas de palmeiras.

Raramente tínhamos de matar outras criaturas para assegurar a nossa sobrevivência – não, com toda a maravilhosa fruta que nos rodeava – por isso adaptamo-nos a uma dieta sobretudo vegetariana. Então um dia, alguém começou a cozinhar, e o mundo inteiro desmoronou-se. Fim.

Ok, isto é um exagero; Nunca ouvi a ninguém a contar esta história. Mas fora o embelezamento criativo, esta história não foge muito das noções que ouço dos movimentos a favor dos alimentos crus vegetarianos: Que os humanos passavam uma grande parte do nosso passado a ingerir uma dieta sobretudo vegetariana, que nunca nos adaptamos aos alimentos de origem animal, e que não sofríamos de doenças até ao advento do processo de cozinhar.

Se estudou história evolucionária, isto irá parecer-lhe estranho, sem dúvida. Mas se não tem conhecimentos de história e só se guia pelos livros sobre dietas vegan cruas ou artigos que leu online talvez tenha simplesmente confiado no que leu ou ouviu falar e algumas coisas que foram escritas acima lhe pareçam familiares.

Sem qualquer dúvida, existem algumas pessoas que preferem acreditar numa versão perfumada da história evolucionária do que enfrentar os factos que provam o contrário – e muitas dessas pessoas são as que escrevem o material vegan cru mais popular.

A verdade é que a raça humana atravessou tempos difíceis nos últimos dois milhões de anos. Nunca tivemos uma “época dourada” de vegetarianismo cru. Vivemos agora mais tempo do que alguma vez vivemos no passado.

Como espécie desenvolvemos a nossa morfologia digestiva atual enquanto ingeríamos alimentos da era do paleolítico, como vegetais, carne, fruta, nozes e raízes, bem como qualquer coisa que pudéssemos escavar do chão, apanhar do uma árvore ou matar com uma lança.

Mas as regiões que ocupamos e as eras em que vivemos nunca ofereceram uma estabilidade duradoura. Desde dietas á base de plantas até á base de carne, nós desenvolvemos a flexibilidade para sobreviver em qualquer gradiente do espectro do ser humano caçador-recolector.

Ao contrário de outras espécies que desenvolveram dietas especializadas através da permanência em determinada área, o nosso forte ara a flexibilidade: a habilidade de encontrar algo comestível (ou tornar algo comestível) fosse o que fosse.

É por esse motivo que nunca encontrará uma dieta definida que proporcione uma saúde forte a toda a gente, e é por isso que existe mais de um tipo de dieta com registos de proporcionar saúde (vegetariana, vegetariana cru, paleo crua ou cozinhada, macrobiótica, alcalina, e por ai adiante).

Conclusão

Durante os 2 milhões de anos em que fomos humanos (ou evoluímos), nunca ingerimos uma dieta fixa e consistente. Não estamos adaptados a um menu perfeito; estamos adaptados á adaptabilidade.

Mas é claro que certas dietas proporcionam mais saúde do que outras – coma ou não os alimentos crus. E mesmo apesar de termos sobrevivido á base de uma vasto número de alimentos diferentes durante o nosso passado, os humanos dividiram-se e descendem de um antepassado que era folio-frugívora, preferia folhas e fruta em detrimento de outras fontes de alimentos.

E isso levanta a questão: Quão grandes foram as mudanças que os nossos sistemas digestivos sofreram desde que começamos a caçar e a cozinhar os nossos alimentos? Que alimentos nos proporcionam boa saúde em vez de apenas nos permitirem sobreviver?

Poderá ler a segunda parte deste artigo em: Qual é a dieta ideal para nós, seres humanos? (Parte 2)

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