DNP

Os perigos do DNP

Geralmente não tenho o hábito de falar de substâncias proibidas, mas neste caso sinto que tenho mesmo que abrir uma excepção.

A substância a que me estou a referir e que irei descrever melhor ao longo deste artigo é o DNP, que tem vindo a ganhar popularidade nos últimos anos, sobretudo entre os culturistas e pessoas que procuram perder peso.

O que é o DNP?

DNP é a abreviatura para 2,4-Dinitrofenol, um composto que foi usado pelos franceses na produção de armas durante a primeira guerra mundial e que também provocou a morte de vários trabalhadores.

No passado, também foi usado como conservante de madeiras, herbicidas, como corante e ainda para revelar fotografias.

Nos anos 30 do século XX, o DNP também foi comercializado e vendido ao público como ajuda para perder peso, sem necessidade de receita médica.

Mais tarde, foi retirado do mercado, sobretudo por ter ficado provado que provoca cataratas e também por poder provocar um aumento excessivo da temperatura corporal, tendo mesmo provocado um número significativo de mortes.

Como funciona o DNP?

Sem entrar em grandes detalhes, o Dinitrofenol é uma substância que provoca um aumento notório do ritmo metabólico e da temperatura corporal, o suficiente para promover a perda de gordura (e também de massa muscular) a um ritmo acelerado.

O DNP atua sobretudo provocando alterações na membrana interna das mitocôndrias, que reduzem a produção normal de ATP e que, em vez disso, promovem a libertação de energia em forma de calor.

Isto por sua vez faz com que o DNP aumente o rácio de utilização de carboidratos e de gordura a um ritmo mais acelerado, o que por sua vez conduz à perda de peso.

Podemos dizer que o DNP faz algo parecido como o tecido adiposo castanho, cuja função é sobretudo gerar calor em vez de gerar ATP.

E aqui temos um dos aspetos mais perigosos do DNP. Este provoca hipertermia e a perda do controlo da temperatura por parte do organismo, ou seja, a perda da homeostase, sendo que a temperatura corporal pode chegar a subir até aos 44 gaus centígrados. http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=277629

Isto por sua vez provoca o colapso dos órgãos internos e, pode-se afirmar que, a pessoa pode ficar “cozida por dentro”.

Os perigos do DNP

O DNP foi retirado do mercado e proibido por uma razão muito simples; é uma substância tóxica que provoca problemas de saúde e muito possivelmente a morte. Acontece que a margem entre os efeitos benéficos e os efeitos tóxicos do DNP é demasiado pequena.

Um dos casos mais recentes e que recebeu maior atenção mediática ocorreu há poucos dias. Trata-se de Eloise Perri, que era uma estudante inglesa, saudável e com apenas 21 anos, que ingeriu DNP, com o objetivo de perder peso.Eloise Perri

 

Pode-se dizer que esta jovem morreu queimada por dentro, pois o aumento da temperatura corporal (hipertermia) provocado pelo DNP  fez com que o corpo de Eloise literalmente cozesse por dentro.

Mas os efeitos negativos do DNP não se ficam por aqui, para além da hipertermia, podem ainda ocorrer outros tais como:

  • Taquicardia: Um tipo de arritmia cardíaca caracterizada por um aumento significativo do número de batimentos cardíacos.
  • Diaforese: Perspiração ou transpiração profunda e excessiva provocada pela ingestão de DNP, que provoca um aumento notório da temperatura corporal.
  • Taquipneia: Caracterizada por uma respiração rápida, ou seja, mais de 20 respirações por minuto, provocada pelo aumento do ritmo metabólico derivado da ingestão de DNP.
  • Enfraquecimento do sistema imume: A ingestão de doses terapêuticas de DNP pode provocar agranulocitose e neutropenia, caracterizadas por uma diminuição significativa do número de neutrófilos, um tipo de glóbulos brancos que está presente no sangue e que protege sobretudo contra as bactérias.
  • Cataratas: São caracterizadas por um “embaciamento” da lente que se encontra dentro do olho e conduz a uma perda da acuidade da visão. Pode surgir de forma rápida após a ingestão de DNP (em apenas alguns dias ou meses) e conduz a uma perda permanente da visão.
  •  Surdez: Já foram relatados casos de surdez permanente, mesmo com o uso de doses terapêuticas de DNP, o que sublinha ainda mais o caracter tóxico desta substância.
  • Problemas de pele: A ingestão de DNP pode provocar alterações ao nível da pele, nomeadamente vermelhidão, urticária, dermatite severa, urticária, prurido e descamação.
  • Danos nos nervos: O DNP pode ainda provocar danos prolongados nos nervos periféricos, sobretudo naqueles que se encontram nas mãos e dos pés, o que por sua vez pode provocar alterações ao nível da sensibilidade e do controlo motor dessas áreas corporais, bem como perda de massa muscular, óssea e ainda alterações ao nível da pele, pelos e unhas.
  • Danos no coração: Várias autópsias de consumidores de DNP que faleceram revelam que este composto provoca danos graves no músculo cardíaco.
  • Gastroenterite: Trata-se uma inflamação grave do sistema digestivo, o que não é de estranhar dado o carácter tóxico e agressivo que caracteriza esta substância.
  • Problemas nos rins: O DNP pode provocar danos nos rins, mais precisamente necrose tubular, que por sua vez pode conduzir à insuficiência renal. Recorde-se que os rins são um órgão que tem uma capacidade de regeneração extremamente limitada.
  • Problemas neurológicos: Verificou-se que o DNP pode provocar vários efeitos neurológicos negativos nos seus utilizadores, tais como anorexia, agitação, dores de cabeça, confusão, convulsões e por último coma.

Para além disso, verificou-se ainda que o DNP é um composto cancerígeno, mutagénico e teratogénico. O fato do DNP de ser teratogénico significa que a exposição a esta substância pode provocar alterações negativas (deficiências) na descendência (filhos) dos indivíduos que o ingerem.

Na verdade, os efeitos nefastos desta substância são tão sérios que, em 1938, a FDA classificou o DNP como sendo “extremamente perigoso e não adequado para consumo humano”.

Para além disso, e pelos relatos a que tive acesso, o DNP irá ainda deixá-lo letárgico, com pouca ou nenhuma energia para treinar e realizar outras atividades mais exigentes.

Uma vez que o DNP também é um corante, a sua pele, olhos, urina e fezes também poderão adquirir um tom mais amarelado.

Conclusãoperigos DNP

As estratégias agressivas para perder gordura a todo o custo raramente proporcionam bons resultados e não costumam ser sustentáveis a médio e longo prazo.

Aconselho-o/a vivamente a pensar duas vezes antes de adquirir e iniciar a toma de um composto tóxico e potencialmente mortal como o DNP. Mesmo que não sofra de sintomas graves a curto prazo, é bem possível que você, e possivelmente os seus filhos, venham a ter problemas de saúde num futuro mais ou menos longínquo.

Note que o DNP não é um suplemento e atualmente nem sequer é um fármaco que se encontre à venda nas farmácias de algum país; É um químico potente e demasiado tóxico para o ser humano, tão perigoso que a sua venda foi proibida há mais de 77 anos.

Algumas fontes na internet dão a entender que o DNP tem propriedades anticatabólicas ou protetoras da massa muscular, mas neste momento não tenho conhecimento de literatura científica que suporte essas afirmações e os relatos em relação a este tema parecem ser inconsistentes.

As melhores formas de perder gordura continuam a ser as mesmas que todos nós já conhecemos; Dieta de restrição calórica, de preferência prescrita por um bom nutricionista e um plano de exercício físico, preferencialmente com o acompanhamento de um personal trainer qualificado.

Antes de sequer pensar em ingerir este tipo de substâncias, aconselho-o vivamente a consultar o seu médico, bem como um nutricionista qualificado, para que estes o ajudem a perder peso da forma mais adequada ao seu caso, melhorando também o seu nível de saúde e qualidade de vida.

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