Outro ponto de vista: A fibra analisada à lupa

Facto pouco conhecido: Os tipos e as quantidades erradas de fibra, podem causar cancro e dificultam ou podem mesmo impedir a absorção de nutrientes e minerais importantes.

E ainda falam do mito dos benefícios que os vegetarianos têm por fazerem 6 digestões por dia…

Todos estamos familiarizados com a importância de obter a fibra suficiente na dieta; de facto ouvimos e vemos isso em todo o lado. Mesmo produtos especiais, como “All-Bran” e outros alimentos “desenhados” bem como outros suplementos de fibra são apoiados por fortes campanhas de marketing.

Estes produtos, supostamente, proporcionam a extremamente importante fibra adicional na dieta. Mesmo nós, “low-carbers”, estamos familiarizados com a contagem/subtracção de carboidratos dos alimentos.

E de facto, a ingestão de tipos específicos de fibra, pode ter vantagens metabólicas, mas, muito poucas pessoas sabem que é importante manter em mente o tipo e qualidade da fibra que é ingerida e especialmente em que quantidades. Poucas pessoas – e ainda menos profissionais dos serviços de saúde, que deveriam saber mais – estão conscientes que o excesso de fibra pode ser muito prejudicial.

A fibra é, segundo dizem, necessária para promover a regularidade, e também para nos proteger de todo o tipo de doenças desagradáveis, especialmente das desordens digestivas e doenças como o cancro. Os meios de comunicação social, especialmente, pegaram nesta historia e parecem repetir eternamente esta mensagem.

No entanto, tal como na maioria das vezes, a ciência conta-nos uma historia diferente.

Existe actualmente um ceptismo crescente, de que a falta de fibra provoque cancro, alguns estudos sugerem até que uma dieta rica em fibra aumenta o risco de cancro do cólon.

A teoria original de que a fibra é uma cura, está baseada nas observações de um certo Dr. Dennis Burkitt. Que observou que relativamente poucos africanos das zonas rurais sofrem de cancro do cólon. Ele atribuiu isso ás suas dietas relativamente “agrestes” e ricas em fibra.

A teoria é que, como a fibra faz com que os alimentos passem pelo intestino de forma mais rápida, permitindo menos tempo para os agentes causadores de cancro se formarem. Recorde-se que este argumento é muitas vezes citado por nós “low-carbers, já que é suposto (de acordo com o senso comum) que ingiramos toneladas de carne diariamente, que se digere de forma mais lenta do que por exemplo, os vegetais.

Isto, claro, pressupõe que os alimentos tornam-se cancerígenos nos intestinos, e “infelizmente” não existem provas de que isso seja verdade. Assim como também não existem provas de que quando os alimentos passem pelos intestinos de forma mais rápida, se reduza o risco de cancro do cólon.

Para além disso, o estilo de vida dos africanos do meio rural está muito afastado do meio urbano: as suas dietas são diferentes, mas também não estavam expostos a tantos poluentes, toxinas ou stress mental. De facto, existem muitos factores que poderiam ser responsáveis por uma diferença nos padrões de doença Outras comunidades – Os Mormons do Utah, por exemplo – também gozam de uma baixa incidência de cancro do cólon, e no entanto ingerem uma dieta baixa em fibra.

Então a teoria estava de facto, completamente infundamentada e foi de facto, mais tarde desacreditada, já que os africanos dos meios rurais que se mudaram para as cidades e adoptaram uma dieta ao estilo de vida Ocidental “baixa em fibras”. A sua incidência de cancro do cólon manteve-se baixa e isso permaneceu ao, longo da segunda geração. No entanto, essas descobertas feitas mais tarde nunca foram publicadas nos meios de comunicação.

Claro, as farmacêuticas e as empresas alimentares aproveitaram a publicidade dos média e foram rápidos em dar-se conta do potencial na recomendação. A recomendação de “Burkitt´s era baseada em fibra vegetal, mas o farelo de trigo (fibra de cereais) tem um conteúdo de fibra mais elevado e o farelo é um subproduto inútil derivado do processamento dos cereais, que até então, era desperdiçado. No entanto, tornou-se muito rapidamente um produto valioso no mercado.

Embora completamente indigestível, suportada pela hipótese da fibra de Burkitt´s, o farelo podia agora ser promovido como sendo um alimento valioso. Embora até mesmo os próprios co-investigadores e parceiros de burkitt´s tenham feito um aviso publico de que os africanos (na qual a teoria foi baseada) não consomem farelo de trigo ou cereais. No entanto, por essa altura, o efeito “bola-de-neve”  já era imparável.

E então nasceu a teoria da fibra.

A fibra e a doença coronária.

A ideia de que a fibra poderia proteger contra os ataques cardíacos foi desenvolvida por Trowell em 1972, de novo, baseada nas pesquisas de africanos rurais. No entanto, as experiências de intervenções dietéticas conduzidas, concluíram que o aumento da ingestão de fibra não teve qualquer efeito benéfico na doença cardíaca. Outras investigações posteriores confirmaram essas conclusões.

A fibra e outras doenças

Também é interessante considerar as afirmações de que a fibra possa curar ou prevenir outras doenças. Por exemplo, o farelo tem sido uma forma popular de tratar a síndrome do intestino irritável à já cerca de 30 anos, apesar do facto de que nenhum estudo controlado com placebo, com a fibra de farelo ter mostrado ainda qualquer tipo de efeito benéfico que convença.

Um estudo publicado em 1994, descobriu que, enquanto a fibra da fruta foi eficiente, o farelo só piorou a situação. Longe de ser uma cura para a síndrome do intestino irritável, os investigadores descobriram que era o farelo que estava a causar o problema! O farelo também causou perturbações intestinais, distensão abdominal e dor.

Para além disso, não existe evidência directa que o aumento de fibra por si só, irá prevenir ou curar outras doenças. No que diz respeito ao cancro do cólon, a teoria de Burkitt´s foi questionada com a sugestão de que os níveis baixos de cancro do cólon nos africanos dos meios rurais podem ser devido à morte precoce, devido a outras causas, de forma que não atingem a idade com que o cancro mais se desenvolve em europeus.

Já que a esperança média de vida dos africanos era de apenas 40 anos no tempo que Burkitt realizou a sua pesquisa e os cancros da população ocidental só atingem o seu pico de desenvolvimento por volta dos 65. Uma pessoa pergunta-se porque razão ainda ninguém reparou nisto.

Outros efeitos adversos

Testes que avaliaram os supostos benefícios da fibra dietética, mostraram cedo, que poderiam existir efeitos secundários prejudiciais. Todos os nutrientes da comida são absorvidos através das paredes dos intestinos, e isso demora o seu tempo. A fibra, acelera a passagem da comida pelos intestinos, de forma que menos nutrientes são absorvidos. Inibindo assim a absorção de ferro, cálcio, fósforo, magnésio, energia, proteínas, gorduras e vitaminas A, D, E e K. Isto acontece com todos os tipos de fibras, embora numa dieta típica ocidental, razoavelmente rica em nutrientes, a perda causada pela fibra dos vegetais seja praticamente insignificante.

Mais importantes ainda, no entanto, os fitatos encontrados na fibra dos cereais (ou farelo) também se ligam ao cálcio, ferro e zinco, tornando-os indigestíveis, o que por outro lado causa uma digestão prejudicada ou mesmo até a não absorção dos minerais.

Um estudo por exemplo, mostrou que os voluntários absorveram mais ferro do pão branco do que do pão integral, mesmo apesar da sua ingestão de ferro ter sido 50% mais elevada com o pão integral! O farelo também demonstrou provocar perdas fecais de cálcio, ferro, zinco, fósforo, nitrogénio, gorduras, ácidos gordos e esteróis, expropriando o corpo desses materiais e criando deficiências.

Essas descobertas são um motivo de preocupação em muitas secções da população que estão em considerável risco de ingerir demasiada fibra – particularmente fibra dos cereais:

  • A incidência de osteoporose está a aumentar e afecta afora uma em cada duas mulheres pós menopáusicas, das quais uma em cada cinco irá morrer em resultado directo da doença. A osteoporose também está a afectar cada vez mais homens. A osteoporose é causada por muitos factores, mas a falta de cálcio é o problema básico. O farelo inibe a absorção de cálcio dos alimentos e expropria o organismo do cálcio que tem. Para além disso, o zinco, que os ossos necessitam para se curarem, é outro mineral afectado de forma adversa pelo farelo.
  • As pessoas que sofrem da doença de Alzheimer’s (demência senil), têm níveis anormais de alumínio nos seus cérebros. Testes realizados nos habitantes de Guam e partes da Nova Guiné, e Japão, que desenvolvem a doença de Alzheimer’s a uma idade muito mais jovem, sugerem que é a falta de cálcio, causando um desequilíbrio hormonal, que permite que o alumínio penetre no cérebro.
  • As crianças podem sofrer danos cerebrais semelhantes se forem alimentadas com fórmulas para bebes baseadas em soja, já que também contem um conteúdo muito elevado de phitato, inibindo a absorção de zinco, que é essencial para o desenvolvimento adequado do cérebro.
  • As doenças de deficiências de vitaminas tal como o raquitismo, que eram comuns na Grã-Bretanha até que foi advogada uma dieta alta em lacticínios e carne, estão de novo a aumentar. A situação está-se a tornar tão má, que os médicos que sugerem dietas á base de vegetais deveriam ser classificados como uma espécie de abusadores de crianças.
  • No UK, USA, Canadá e África do Sul, a ingestão de “anti-nutrientes” tais como fibras dietéticas que prejudica a absorção do ferro, acompanhado por uma ingestão baixa de carne (outro resultado das recomendações de dietas para o coração), está a produzir um risco real de anemia (deficiência de ferro).
  • Depressão, anorexia, peso baixo dos recém-nascidos, atraso mental, e amenorreia, estão associados a deficiências de zinco e os primeiros cinco desses também estão associados a uma deficiência de ferro.
  • Por último, o excesso de fibra afecta o aparecimento da menstruação, retarda o crescimento do útero, e mais tarde, está associado a disfunções menstruais.

Por causa dos pitatos, o Professor David Southgate, provavelmente a maior autoridade mundial sobre os efeitos da fibra, conclui que os bebes, crianças, adolescentes jovens e mulheres grávidas cujas necessidades de minerais são superiores, deveriam ser protegidas do consumo excessivo de fibra.

Escrevendo acerca do risco de cancro do cólon, o Drs. H. S. Wasan and R. A. Goodlad of the Imperial Cancer Research Fund afirmou in 1996:

Até que esteja demonstrado que os constituintes individuais da fibra tenham pelo menos, um efeito não detrimental nos estudos experimentais humanos, insistimos que deve ser impedida a adição de suplementos de fibra aos alimentos, e que as afirmações sobre os benefícios da fibra não suportados devem ser restringidas…

Suplementos específicos de fibra dietética, tidos como alimentos funcionais ou nutriceuticos, são uma forma desconhecida e potencialmente prejudicial de influenciar os hábitos dietéticos modernos da população geral.

Confirmado por estudos em grande escala

Janeiro de 1999 viu a publicação do maior estudo alguma vez conduzido acerca dos efeitos da fibra no cancro do cólon, Depois de estudarem 88.757 mulheres durante 16 anos, os doutores do hospital “Brugham e Women’s” e da escola médica de “Harvard” afirmaram:

Não foi encontrada uma associação significativa entre a ingestão de fibra e o risco de adenoma colorectal.…

Os nossos dados não suportam a existência de um importante efeito protector da fibra contra o cancro colorectal ou adenoma.

Conclusões:

As fibras (seleccionadas) de vegetais e frutas, podem promover a regularidade e terem o efeito adicional de baixar o impacto glicémico dos alimentos, mas também foram cientificamente provadas outras desvantagens. A qualidade das fibras ingeridas, e, especialmente a quantidade, são importantes.

Fibra em excesso, pode não ser uma coisa boa, já que foi demonstrado que prejudica e até impede a absorção de nutrientes essenciais. Isto são más noticias, especialmente para a fibra dos cereais. O farelo habitual que nos é impingido – farelo de trigo – deve ser completamente evitado.

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