Os músculos recordam-se da glória do passado.

Ganhar músculo é mais fácil para aqueles que já foram musculados e agora os cientistas pensam ter descoberto o porquê de os músculos reterem uma memória da sua forma física passada mesmo quando murcham pela falta de uso.

Essa memória é armazenada em núcleo celulares que contem ADN, que proliferam quando um músculo é exercitado. Ao contrário do que se pensava, esses núcleos não se perdem quando os músculos atrofiam, afirmam os investigadores no relatório online da revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Os núcleos extra formam um tipo de memória muscular que permite ao músculo recuperar rapidamente ao seu estado anterior quando voltar a ser treinado.

As descobertas sugerem que o exercício quando realizado numa fase jovem da vida poderá ajudar a combater a fragilidade nos mais idosos e também levantar questões sobre quanto tempo os atletas que fazem doping deverão ser banidos das competições, afirma o líder do estudo Kristian Gundersen, um fisiólogo na Universidade de Oslo na Noruega.

As células musculares são enormes, afirma Gundersen, e porque as células são tão grandes, é necessário mais do que um núcleo para fornecer os ácidos núcleicos de DNA para a produção de grandes quantidades de proteínas que conferem ao músculo a sua força.

Pesquisas anteriores demonstraram que com o exercício as células musculares tornam-se ainda maiores ao fundirem-se com células estaminais chamadas células satélite, que se encontram entre as células das fibras musculares. Anteriormente os investigadores acreditavam que quando os músculos atrofiam, os núcleos extra são mortos através da “morte celular programada” chamada apoptose.

Os músculos guardam memórias da sua forma anterior nos núcleos (verde, visível na fibra muscular) que ajuda os músculos a retornar à sua forma após retomar o treino de musculação após um período de inactividade.

No novo estudo a equipa de Gundersen simulou o efeito do treino físico obrigando um músculo que ajuda a levantar os dedos dos pés a esforçar-se mais em ratos. A partir do sexto dia do estudo, à medida que o músculo trabalhava o número de núcleos aumentava. Ao longo dos 21 dias do estudo o músculo que estava a ser treinado aumentou o número de núcleos em cada fibra muscular em cerca de 54%.

A partir do nono dia do estudo as células musculares começaram também a aumentar em tamanho. Esses resultados indicam que em primeiro lugar o número de núcleos aumenta e a massa muscular é adicionada mais tarde.

Num outro conjunto de experiencias, os investigadores exercitaram os músculos dos ratos durante duas semanas e posteriormente cortaram os nervos que estavam ligados aos músculos para que o tecido muscular atrofia-se. Há medida que os músculo atrofiava as células diminuíram em tamanho para 40% do seu tamanho quando o músculo estava a ser exercitado, contudo o numero de núcleos nas células não se alterou.

Estes resultados contradizem estudos anteriores que mostram mortes de um grande número de células nos músculos durante a atrofia muscular. A equipa de Gundersen examinou células individuais dos músculos em atrofia e descobriu que havia a ocorrência de apoptose, mas que são outras células que estão a morrer e não as fibras musculares ou os seus núcleos extra. Os núcleos extra continuam a existir pelo menos durante três meses, um período bastante longo para um rato que vive em média dois anos, afirma Gunderen.

“ Não sei se dura para sempre”, diz “, mas parece ser um efeito bastante duradouro”. Visto que os núcleos extra não morrem estes poderão ser novamente utilizados para produzirem proteínas musculares, constituindo uma forma de memória muscular, diz Gundersen.

Bengt Saltin, um fisiólogo muscular na Universidade de Copenhaga na Dinamarca afirmou:

É um raciocínio fascinante, e existem provas consistentes neste artigo para o apoiarem. É muito original e ajuda a esclarecer as descobertas descritivas de que os músculos são rápidos a reagir quando expostos novamente ao treino.

É provável que o estudo provoque uma forte reacção por parte de alguns investigadores, afirma Lawrence Schwartz, um biólogo celular na Faculdade de Amherst da Universidade de Massachusetts.
“De facto vai contra muita informação anteriormente publicada e revista por especialistas”, afirma. Contudo a morte selectiva de apenas alguns dos núcleos numa célula muscular iria requerer um tipo específico de apoptose.

“A sabedoria convencional não faz muito sentido de uma perspectiva celular e muscular”, diz Schwartz. O grupo de Gundersen encontrou uma explicação que parece mais plausível. Os seus dados simplesmente fazem sentido.

Se os resultados forem os mesmos em humanos, as agências desportivas poderão querer reconsiderar o período de tempo durante o qual banem os atletas suspensos pelo uso de esteróides. Estudos anteriores demonstraram que a testosterona aumenta o número de núcleos nas células musculares para além das quantidades produzidas pelo treino. “Se os núcleos duram para sempre, então também poderão ter uma vantagem que poderá durar para sempre”, afirma Gundersen.

Bem, talvez não para sempre. Há medida que as pessoas envelhecem a sua capacidade de construir massa muscular diminui. O novo estudo sugere que aumentar o número de núcleos nos músculos enquanto numa fase jovem da vida poderá ajudar a diminuir perdas musculares com o avanço da idade. “Este poderá ser um argumento para que a educação física seja obrigatória nas escolas,” afirma Saltin.

Fonte!

Prática de musculação baseada em evidência científica. Siga-nos através das redes sociais.

Deixe um comentário

Siga-nos por Email
RSS
Instagram