Os desodorizantes podem provocar cancro?

Uma nova investigação examinou os parabenos encontrados no tecido mamário canceroso, e aponta o dedo aos desodorizantes e outros cosméticos como sendo os responsáveis pelo aumento do risco de cancro de mama.

A investigação, que também foi revista num editorial publicado no “Journal of Applied Toxicology”, verificou os locais onde os tumores de mama têm mais tendência a aparecer, e encontrou elevadas concentrações de parabenos nos quadrantes superiores da mama e área axilar, onde normalmente são aplicados os desodorizantes.

Os parabenos são produtos químicos que servem como conservantes nos desodorizantes  e em muitos cosméticos, bem como protetores solares. Estudos anteriores demonstraram que todos os parabenos têm atividade estrogénica nas células cancerosas da mama.

Também se verificou que, um outro componente dos desodorizantes, o cloreto de alumínio, atua de modo semelhante aos oncogénios, no sentido de realizar transformações moleculares nas células cancerígenas. Segundo os autores da revisão editorial, a investigação mostra “sinais de preocupação de que esses compostos não são tão seguros como se julgava anteriormente, e irão ser necessárias mais investigações.”

Para além disso:

“Os dados deste último estudo, o exame mais extensivo de parabenos no tecido mamário humano até agora publicados, confirmam os trabalhos anteriores e levantam uma série de questões de debate acerca dos parabenos, produtos de higiene pessoal e saúde humana, particularmente com relação à fonte e significância toxicológica dos ésteres parabeno. “

Noventa e nove por cento das amostras de tecido mamário cancerígeno contêm parabenos

O estudo realizado por Barr et.al. descobriu um ou mais esteres de parabeno em 99 por cento das 160 amostras de tecidos recolhidos a partir de 40 mastectomias. Em 60 por cento das amostras, todas as cinco ésteres de parabenos estavam presentes. Não houve correlação entre as concentrações de parabenos e a idade, tempo de aleitamento materno, localização do tumor, ou conteúdo de tumor nos receptores de estrogênio.

Os valores médios em nanogramas por tecido para os cinco produtos químicos foram:

  • n-propilparabeno 16,8
  • metilparabeno 16,6
  • n-butilparabeno 5,8
  • etilparabeno 3,4
  • isobutilparabeno 2,1

Embora os desodorizantes sejam uma fonte comum de parabenos, os autores observam que a fonte dos parabenos não pôde ser estabelecida, e que 7 dos 40 pacientes supostamente nunca tinham usado desodorizantes ou anti-transpirantes na sua vida. O que isto nos diz é que os parabenos, independentemente da sua origem, podem acumular-se no tecido mamário.

E as fontes são muitas. Os parabenos podem ser encontrados numa grande variedade de produtos de higiene pessoal, cosméticos, bem como em fármacos. Dito isto, parece que a via cutânea é a forma mais significativa de exposição. No editorial de destaque, Philip Harvey e David Everett explicam porquê:

“… [T] A via de exposição cutânea é considerada mais plausível quando são detectados ésteres intactos, e outros autores que reportam exposições humanas e concentrações de fluidos corporais de esteres de parabenos, consideram de uma forma ou outra, como fontes prováveis, os cosméticos…

Isto acontece porque a atividade da esterase metabólica do intestino e fígado (pertinente para a exposição oral) é considerado como muito superior à da pele, e as exposições orais resultaria no metabolismo rápido pelo fígado, dos ésteres para produzir o comum metabólito ácido p-hidroxibenzóico…

Os esteres de parabenos tipicamente utilizados em cosméticos, passam através da pele humana in vitro/ex vivo, e Ishiwatrai et.al. (2007) demonstrou a persistência de metilparabenos não metabolizados na pele “

A segurança dos parabenos nunca foi estabelecida…

Por incrível que possa parecer, a segurança dos parabenos nunca foi estabelecida!

Por incrível que possa parecer, apesar do fato dos parabenos serem usados numa ampla variedade de produtos, a toxicologia desses produtos químicos mal foi investigada.

Existe uma completa falta de estudos toxicológicos modernos sobre esses ingredientes, e de acordo com a revisão de destaque, nem um único estudo acerca da carcinogenicidade desses químicos segue protocolos aceitáveis dos estudos reguladores padrão de carcinogenicidade.

Os autores apontam que um estudo em ratos a partir de 1956 ainda é usado como “a avaliação fundamental sobre a qual a segurança humana é julgada!”

E escreveram:

“Isso pode ser aceitável para determinados produtos químicos para os quais há exposição humana limitada, mas não para produtos químicos como os parabenos, aos quais uma tão grande extensão da população exposta, e que apresentam concentrações significativas nos tecido”.

Para além disso, praticamente todos os estudos de toxicologia se baseiam na via de exposição oral, o que significa que a avaliação do risco, de acordo com a Harvey e Everett, é “em grande parte baseado na suposição, opinião e no instrumento de regulação técnica da GRAS (geralmente considerados como seguros).”

A atividade estrogénica dos parabenos

Os estrogênios, quer sejam naturais, quer sintéticos, são um fator de risco primário para o cancro da mama.

Cerca de 20 estudos diferentes já demonstraram que os parabenos têm atividade estrogénica, o que os torna relevantes quando se trata de cancros sensíveis ao estrogênio.

Uma desculpa comum usada para defender a ausência de estudos toxicológicos é que os parabenos são fracos em termos de potência.

Por exemplo, o propilparabeno e o butilparabeno são aproximadamente 30.000 e 10.000 vezes menos potentes do que o estradiol, respectivamente.

Harvey e Everett escreveram:

“No entanto, o estradiol ocorre no tecido mamário nos valores do cerca de um pictograma por grama de tecido… mas os resultados apresentados por Barr et.al. mostram concentrações teciduais de parabenos, no pior dos casos, na ordem dos microgramas por grama de tecido mamário, o que é um milhão de vezes mais elevado do que as de estradiol.

Claramente, parece que a magnitude da exposição mais do que compensa a redução da potência.”

Mas isso não é tudo. Um estudo de 2011 chegou à conclusão que o metilparabeno promove o ciclo celular e torna as células humanas da mama mais resistentes à apoptose, a qual, de acordo com os autores pode proporcionar a base molecular para a proliferação dos tumores malignos. Harvey e Everett também citam outro estudo de 2007, que concluiu que o propilparabeno e butilparabeno provocam danos detectáveis ao DNA.

Aumento do cancro de mama provavelmente associado à exposição a produtos químicos

Harvey e Everett salientaram que a hipótese de que as substâncias químicas presentes nos produtos de higiene pessoal, podem ser prejudiciais à sua saúde e contribuir para o cancro da mama, tem base em duas observações importantes:

  • O número de ocorrência de cancro de mama tem aumentado nas últimas décadas, o que está correlacionado com fatores de estilo de vida que sofreram alterações significativas durante esse mesmo período de tempo, tais como a dieta, obesidade e uso de produtos de higiene e de cuidados pessoais que contêm produtos químicos não-testados.
  • Os tumores são desproporcionalmente localizado no quadrante superior externo da mama, e são encontrados mais tumores na mama esquerda que a direita, sugerindo que pode estar relacionado com produtos aplicados topicamente para essas áreas (a maioria das pessoas são destras, o que pode fazer com que apliquem maior quantidade de produto no seu braço esquerdo do que do seu lado direito).

Na minha opinião, uma das principais observações de Harvey e Everett é esta:

“O princípio que” não há nenhuma evidência de que os produtos de cuidados pessoais (anti-transpirantes ou desodorizantes) estão associados ao cancro da mama é tecnicamente correto, mas apenas porque até agora não foram conduzidos estudos para investigar nenhuma associação.

Esses argumentos proporcionam uma falsa segurança, ao mascararem as inadequações do conhecimento e evidências empíricas. “

Alumínio – Outro ingrediente promotor do cancro presente nos desodorizantes

Os desodorizantes e anti-transpirantes funcionam entupindo, fechando ou bloqueando os poros que libertam o suor debaixo dos seus braços, sendo o ingrediente ativo o alumínio. Isso não bloqueia uma das formas do seu corpo se desintoxicar (libertando toxinas através do suor das suas axilas), como também levanta preocupações acerca de para onde estão a ir esses metais, uma vez que os aplique nas axilas.

Tal como os parabenos, os sais de alumínio também pode imitar o estrogênio, e, tal como no estudo em questão, pesquisas anteriores mostraram que o alumínio também é absorvido e depositado no tecido do peito. Os investigadores até sugeriram que os níveis elevados de alumínio poderiam ser usados como um biomarcador para a identificação de mulheres com  de risco de desenvolver cancro da mama.

Os sais de alumínio podem constituir até 25 por cento do volume de alguns anti-transpirantes, e uma revisão das fontes comuns de exposição de alumínio para os seres humanos mostrou que o uso de anti-transpirantes pode aumentar a quantidade de alumínio absorvida pelo seu corpo de forma significativa.

De acordo com a revisão, depois de uma única aplicação de anti-transpirante nas axilas, pode ser absorvido cerca de 0,012 do alumínio. Isto pode não parecer muito, até que multiplique esse valor por uma ou mais vezes por dia durante toda a vida, o que origina valores maciços de exposição ao veneno de alumínio que não era suposto estar no seu corpo, e pode ser mais tóxico que o mercúrio. Os anti-transpirantes podem ser a sua maior fonte de exposição a este metal venenoso!

Seja também cauteloso com os desodorizantes naturais

Existem no mercado muitas marcas de desodorizantes livres de produtos químicos e de alumínio, e muitas deles são alternativas seguras. “Cristal” pedras de desodorantes, que são uma alternativa desodorante natural popular, muitas vezes usado por preocupados com a saúde o consumidor que deseja evitar de alumínio, muitas vezes afirmam ser de alumínio livre, mas alguns contêm um tipo diferente de composto conhecido como alúmen, o mais comum formar sendo alúmen de potássio, também conhecido como sulfato de alumínio de potássio.

O alúmen de potássio ou de alúmen de amônio, são sais minerais naturais formadas por moléculas que são demasiado grandes para serem absorvidos pela sua pele. Eles formam uma camada protetora sobre a pele que inibe o crescimento das bactérias que originam o odor.

Esses desodorizantes são recomendados por muitos centros de tratamento de cancro, mas embora possam ser uma alternativa mais adequada à maioria dos anti-transpirantes e desodorizantes do mercado, não são completamente livres de alumínio. Lembre-se também de verificar os ingredientes restantes, mantendo um olhar atento aos parabenos.

Referências:

  1. Journal of Applied Toxicology January 12, 2012: 32(3); 219-232
  2. Journal of Applied Toxicology February 1, 2012: 32(5); 305-309
  3. Journal of Applied Toxicology January 12, 2012: 32(3); 219-232
  4. Journal of Applied Toxicology April 2011: 31(3):262-9.
  5. Pharmacology and Toxicology April 2001: 88(4):159-67

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