Oclusão: O que é que a restrição de sangue tem a ver com a hipertrofia?

Muito desta discussão é na realidade uma análise mais profunda acerca da teoria energética, especificamente, a forma como o fluxo de sangue afeta a fadiga e, em seguida, como a fadiga afeta o recrutamento e a contração.

Em diversos estudos de oclusão, onde foi utilizada pressão mecânica para restringir o fluxo de sangue, os indivíduos foram capazes de aumentar a força e o tamanho muscular com pesos leves, assim como os indivíduos a quem não restringiram o fluxo de sangue e que usaram resistências mais elevadas. (1,2)

Um estudo em particular (1) observou um aumento de 7,7% no CSA dos quadríceps dentro de duas semanas usando apenas 20% de 1RM! O tamanho fibrilas, os níveis de glicogénio, GH e IGF1 também aumentaram significativamente durante o treino com o fluxo sanguíneo obstruído. (1,7)

Como é possível que um peso tão leve possa realmente estimular o aumento da força e massa muscular? Onde está a tensão necessária, obtida por processos mecânicos? Será possível que a carga na barra não é ‘o estímulo “, mas sim um meio para um fim?

As razões pela qual resistências tão leves ainda são capazes de estimular o aumento da força e da massa muscular, podem ser as seguintes; O aumento extremamente rápido e elevado de  de produtos de fadiga, para além de uma falta de oxigénio, reduz a capacidade da fibra para gerar força muito rapidamente. (3)

Isto conduz a níveis de ativação plena (recrutamento completo e rácio de codificação elevado), conduzindo a contrações tetânicas. (2) Para além disso, as células musculares irão consumir ATP em níveis iguais ao de resistências mais elevadas. Já falamos da importância disto no artigo acerca da energética. Citando uma secção,

Citação:

Para além disso, uma variável de medição, chamado de TIT (Tempo Integral sob Tensão), onde a verdadeira tensão média medida, (4,5) é diretamente proporcional ao custo energético de uma contração.

Mesmo os factores sinalizadores de tensão, como a P70 (70-kDa ribosomal S6 kinase, um marcador importante para a hipertrofia) (9,10) pode ser monitorizado através do cálculo das contrações do TIT. Pode-se então extrapolar, que a rotatividade do ATP (o tempo de custo/energético) é proporcional à estimulação induzida pela resistência baseada nas contrações. (5,6,7,8,21) .

Curiosamente, o nível real de ATP pode ser menor em condições de isquemia (3), levando possivelmente a uma repressão significativa do mTOR. No entanto, as fibras de contração mais lentas, sendo mais dependente do oxigénio, podem ser afetadas em maior grau. (4,9)

Em condições de contracções anisométricas normais, o fluxo de sangue pode ser limitado ou mesmo ocluído em contracções com tensões mais elevadas, e/ou frequências, se a tensão do de todo o músculo to for suficientemente elevada. (5) nesse aspecto, as contracções isométricas podem ter o efeito mais profundo, devido à ausência de períodos de baixa tensão.

Uma força e frequências mais elevadas aumentadas, estimulam uma necessidade de aumento do fluxo sanguíneo, e até que a pressão muscular imponha um limite, isso de facto, aumenta. (5,6) Tanto o pico de tensão como o trabalho executado são indicadores disto. (6)

Para além da pressão externa (como acontece com um manguito), a pressão interna do músculo pode, e obstrui o fluxo sanguíneo. As variações comuns das contrações anisométricas em tensão ao longo a amplitude de movimento, fazem com que estes efeitos sejam intermitentes.

No entanto, com as contrações isométricas, a tensão é mantida e não é variável, permitindo um período mais longo de impedimento do fluxo sanguíneo. Estudos têm testado vários músculos com contrações isométricas para encontrar um nível de tensão mínima, onde o fluxo sanguíneo é obstruído. Aqui estão são alguns dos dados,

  • Bíceps, quadríceps e gémeos caiu entre 50 e 64% MVC (10)
  • 25% tríceps, bíceps de 50%, e extensores das costas MVC 40% (11)

Existem dois pontos principais que podemos aprender e/ou usar a partir desta informação:

  • Níveis de elevada actividade das fibras, independentemente da carga, ainda induzem hipertrofia miofibrilhar. A tensão é um meio para um fim. O estímulo está nos rácios mais elevados de trabalho por tempo. Isso explica porque razão os melhores resultados são obtidos com esforços repetidos. A primeira repetição de um série usando 5RM, tem a mesma tensão de pico como a última, mas realizar todas as 5 é mais estimulante do que realizar apenas uma.
  • Uma pessoa pode tirar proveito dos efeitos da oclusão, sem ter abraçadeiras, ligas ou bandas presas aos seus membros. (Por favor, evite usar a oclusão para treinar os músculos do pescoço) Para além disso, não teria que usar um treino isométrico puro, mas possivelmente usar contracções isométricas como “finalizadoras” ou acréscimos, a uma série de repetições normais.

Referências:

  1. T. Abe, T. Yasuda, T. Midorikawa, Y. Sato, C. F. Kearns, K. Inoue, K. Koizumi, N. Ishii, 2005
  2. Yudai Takarada, Haruo Takazawa, Yoshiaki Sato, Shigeo Takebayashi, Yasuhiro Tanaka, and Naokata Ishii, 2000
  3. Michael C. Hogan, L. Bruce Gladden, Bruno Grassi, Creed M. Stary, and Michele Samaja, 1998
  4. B. G. Mackie and R. L. Terjung
  5. Brian D. Hoelting, Barry W. Scheuermann, and Thomas J. Barstow
  6. Jason J. Hamann, John B. Buckwalter, Philip S. Clifford, and J. Kevin Shoemaker
  7. BURGOMASTER, KIRSTEN A.; MOORE, DAN R.; SCHOFIELD, LEE M.; PHILLIPS, STUART M.; SALE, DIGBY G.; GIBALA, MARTIN J., 2003
  8. Yudai Takarada1, Yutaka Nakamura, Seiji Aruga, Tetuya Onda, Seiji Miyazaki, and Naokata Ishii, 2000
  9. J. S. Petrofsky, C. A. Phillips, M. N. Sawka, D. Hanpeter and D. Stafford, 1981
  10. Sadamoto T, Bonde-Petersen F, Suzuki Y., 1983
  11. F. Bonde-Petersen, A. L. Mørk1 and E. Nielsen, 1974

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