O treino de musculação funciona mesmo com uma ingestão baixa de proteína

O treino de musculação funciona mesmo com uma ingestão baixa de proteínaSe fizer treinos de musculação, nada ajuda mais do que assegurar-se de que tem uma dieta rica em proteína.

Isso é o que muitas vezes se afirma. Mas o que é que acontece se combinarmos o treino de musculação com uma dieta que é baixa em proteína?

Um estudo realizado em humanos, publicado em 2001 no Annals of Internal Medicine proporciona-nos a resposta.

No início do século 21, Carmen Castanedia, um investigador da Universidade Tufts, estudou o efeito do treino de musculação em pessoas com níveis de funcionamento renal diminuído. Uma dieta pobre em proteína muitas vezes ajuda essas pessoas.

Mas uma desvantagem deste tipo de dieta é que tem tendência a provocar perda de massa muscular. Catanedia estava curioso em saber se o treino de musculação poderia ajudar a prevenir esta perda.

Por isso ela realizou uma experiência com duas dezenas de pacientes com problemas renais, cuja idade média era de 65 anos. Eles não estavam na lista de espera para um transplante e também não necessitavam de diálise, mas os seus médicos aconselharam-nos a reduzir a sua ingestão de proteína para 0.6 gramas por kg de peso corporal por dia.

Se você tiver uma dieta normal e não prestar uma atenção especial à quantidade de proteína que consome, irá provavelmente consumir cerca de 0.9 gramas de proteína por kg de peso corporal por dia. Os atletas de força e de musculação normalmente ingerem quantidades muito mais elevadas do que esta.

Os voluntários ainda não estavam na dieta baixa em proteína há muito tempo, mas já estavam a perder peso – provavelmente em resultado da perda de massa muscular.

Na dúzia de pacientes que estavam no grupo de controlo, que não treinaram mas que continuaram na dieta pobre em proteína, a perda de peso continuou ao longo das 12 semanas em que a experiência durou. Os pacientes perderam mais de 3 kg de peso corporal.

O peso da outra dúzia de pacientes do grupo experimental, que treinou três vezes por semana num ginásio, manteve-se estável. Os voluntários do grupo experimental realizaram cinco exercícios em máquinas: supino, prensa de pernas, puxada de dorsais em polia alta, extensões de pernas e flexões de pernas, com 80% da sua 1RM.

A tabela abaixo mostra o efeito do treino de musculação no peso corporal e nos níveis de IGF-1 nos voluntários do grupo experimental.O treino de musculação funciona mesmo com uma ingestão baixa de proteína

A força muscular e o tamanho dos músculos [CSA] aumentou de forma notória no grupo experimental – apesar da quantidade baixa de proteína, dos problemas nos rins e da idade dos voluntários.O treino de musculação funciona mesmo com uma ingestão baixa de proteínaO treino de musculação funciona mesmo com uma ingestão baixa de proteína

Os investigadores concluíram:

Os efeitos anabólicos do treino de resistência observados neste estudo suportam a utilidade do treino de resistência como uma intervenção não invasiva, não farmacológica, capaz de evitar os efeitos catabólicos da ingestão reduzida de proteína, de energia e da síndrome catabólica da uremia crónica.

Embora seja recomendável a ingestão de um mínimo de 1,2 gramas por kg de peso corporal, podemos a partir deste estudo concluir que no mínimo, a prática de musculação ajuda a reter a massa muscular durante períodos em que se ingerem quantidades insuficientes de proteína, masque  também pode perfeitamente aumentar a força e a massa muscular durante esses períodos.

Por isso, mesmo que não tenha disponibilidade monetária para adquirir suplementos ou comprar boas quantidades de alimentos ricos em proteína como ovos, carne, peixe, etc. Não deixe de treinar e não pense que não irá obter resultados nenhuns.

Pois segundo este estudo, é possível ganhar força e massa muscular mesmo ingerindo quantidades reduzidas de proteínas, pelo que não deverá ficar desmotivado se não puder ingerir maiores quantidades de proteína, por motivos de saúde, acessibilidade ou monetários.

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