O aquecimento central está relacionado com a obesidade?

Por que há tantas pessoas nos países do primeiro mundo com excesso de peso? Porque é que a síndrome metabólica se tornou tão prevalente? Os candidatos já conhecidos são a dieta e o exercício – mais especificamente, o tipo errado de cada um.

Tanto os indivíduos defensores do senso comum como os gurus da nutrição (incluindo eu) concordam que estamos a fazer algo de errado na cozinha e no ginásio, e que modificar isso poderia resolver a maior parte dos nossos problemas de excesso de peso (e até mesmo de saúde). Claro, nisso todos concordamos.

Definições específicas de “modificação” e “essas coisas” continuam a ser temas de debates acesos. Dito isto, eu gosto do facto de podermos concordar em algo, mesmo que esse algo seja apenas especulação sobre um outro possível factor no problema da obesidade. Neste artigo iremos analisar um desses outros factores.

Um estudo recentemente publicado no Jornal Obesity Reviews observa que não é só dieta e níveis de actividade que foram alteradas em correlação com os números de obesidade, mas também a temperatura ambiente. Para ser mais específico, as pessoas mantêm as suas casas aquecidas a todas as horas do dia, mesmo enquanto dormem, e passam menos horas no exterior, expostas aos elementos.

O uso do aquecimento central generalizou-se, enquanto os aquecedores, lareiras e aquecedores eléctricos se tornaram menos comuns, ou seja, toda a casa mantêm-se e permanece quente. Os habitantes dos países desenvolvidos vivem numa  termoneutralidade relativa: uns bons 20-22 graus Celsius.

Os autores supõem que, com a menor exposição ao stress térmico, nós estamos a queimar menos calorias. Desta forma os nossos corpos conseguem regular a nossa temperatura interna com mais facilidade, e gastam menos energia a fazê-lo.

À superfície, as suas ideias fazem recordar o modelo ultrapassado e ultra simplista do défice e excesso calórico, onde as pessoas são gordas porque comem doces extras entre o almoço e o jantar que adicionam uma dúzia de calorias à sua cota diária.

É mais complexo do que isso, porém, a exposição ao frio é um tipo de stress para ser mais específico, é um factor de stress térmico. Os nossos corpos respondem aos estímulos stressores, adaptando-se e (espero) melhorando, como você bem sabe, os stressores hipotérmicos, como tomar um banho frio, dar um mergulho no meio do inverno, ou mesmo a diminuição da temperatura à noite, induz a criação de gordura morena.

A gordura castanha é diferente da injuriada e temida “gordura branca” na medida em que nos mantém quentes através da queima da gordura branca.

Os recém-nascidos possuem muita gordura castanha porque eles não conseguem tremer, não pode gatinhar (para longe do frio e para calor), e possuem um sistema nervoso central que ainda não tem capacidade para reagir com a rapidez suficiente às mudanças na temperatura ambiente. É desta forma que se mantêm quentes.

Os adultos têm menos gordura castanha, mas esta pode-se desenvolver mais com a exposição ao frio. Além disso, os níveis de gordura castanha em humanos adultos são mais elevados durante o inverno e isso está associado a uma menor quantidade de gordura visceral e a um IMC mais baixo.

Se você estiver a passar frio, existem boas probabilidades de estar a estimular a criação de gordura castanha ou a aumentar a atividade da gordura castanha que já possuiu.

É então possível que o aquecimento central das casas possa pelo menos ser parcialmente responsável pela epidemia da obesidade? Já alguma vez notou uma correlação entre a temperatura ambiente e o seu peso? Deixe-nos a sua opinião no fórum.

Referência!

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