O ABC da vitamina A

“Coma cenouras para obter vitamina A”. Tais afirmações, que podem ser vistas em muitas dietas populares, revistas e livros de nutrição, criam a impressão que a necessidades corporais deste nutriente essencial, podem ser satisfeita exclusivamente com alimentos como as cenouras, abóbora, vegetais folhosos verdes e frutos de cor laranja. A escola de nutrição “low-fat” beneficia muito do facto de o público possuir apenas noções vagas acerca da vitamina A; já que a família dos nutrientes solúveis em água chamados de carotenos, não são verdadeiras vitamina A, mas são mais correctamente denominadas por “provitamina A”.

A verdadeira vitamina A, ou retinol, é encontrada apenas em produtos de origem animal, como o óleo de fígado de bacalhau, fígado e outros órgãos carnosos, peixe, lulas, e manteiga de vagas alimentadas a pastos.

Em condições óptimas, os humanos podem converter os carotenos em vitamina A na parte superior do intestino delgado pela acção dos sais da bílis e enzimas que desintegram a gordura. Da família dos carotenos, o beta-caroteno é a forma mais fácil de ser convertida em vitamina A.

Os estudos mais antigos indicavam uma equivalência de 4:1 de beta-caroteno para retinol. Por outras palavras, eram necessárias quatro unidades de beta-caroteno para produzir uma unidade de vitamina A.

Este rácio foi mais tarde revisto para 6:1 e, investigações mais recentes sugerem um rácio ainda mais elevado. (1) Isto significa que teria de ingerir uma quantidade brutal de vegetais e fruta de forma a obter apenas a quantidade mínima recomendada de vitamina A, assumindo que a conversão ocorre de forma ótima.

Mas a transformação de caroteno para retinol, raramente é ótima. Os diabéticos e as pessoas com problemas da tiróide, não fazer esta conversão, um grupo que incluiu pelo menos metade da população adulta dos E.U.A. As crianças fazem esta conversão de forma muito ineficiente e os bebés não são capazes de a efectuar – têm de obter as suas preciosas reservas de vitamina A de fontes animais – Ainda assim, as dietas “low-fat são muitas vezes recomendadas para as crianças.

A atividade física intensa, consumo excessivo de álcool, consumo excessivo de ferro (especialmente a partir dos cereais (farinha de trigo) de pequeno almoço “fortificados”, utilização de um número de drogas populares, consumo excessivo de ácidos polinsaturados, deficiência de zinco e até o clima frio, podem impedir a conversão de carotenos em vitamina A3, tal como a dieta “low-fat” impede.

Os carotenos são convertidos pela acção dos sais da bílis, e muito pouca quantidade de bílis chega ao intestino quando a refeição é pobre em gordura. O indivíduo que coloca manteiga nos seus vegetais e adiciona natas á sopa de vegetais, é mais inteligente do que pensa.

A gordura da manteiga estimula a secreção da bílis, necessária para converter carotenos dos vegetais em vitamina A e fornece, ao mesmo tempo, uma forma facilmente absorvível de verdadeira vitamina A. Os óleos polinsaturados também estimulam a secreção de sais da bílis, mas podem provocar a rápida destruição do caroteno a menos que estejam presentes antioxidantes.

Assim sendo, é muito pouco inteligente, depender de fontes de origem vegetal para se obter a vitamina A. Este nutriente vital é necessário para o crescimento e reparação dos tecidos corporais; ajuda a proteger a membrana mucosa da boca, nariz, garganta e pulmões; promove a secreção do suco gástrico necessário para a digestão adequada da proteína; ajuda a formar ossos, dentes fortes e um sangue enriquecido; é essencial para uma boa visão; auxilia na produção de RNA; e contribui para a saúde do sistema imunológico.

A deficiência de vitamina A em mulheres grávidas causa o nascimento de bebés com defeitos nos olhos, rins deslocados, fissura dos lábios, fissura labiopalatal, anormalidades do coração e vasos sanguíneos exageradamente grandes.

A manteiga de animais alimentados a pastos é uma das melhores fontes de vitamina A

O pioneiro da nutrição “Weston Price” considerou as vitaminas liposolúveis, especialmente a vitamina A, as catalistas através do qual todos os outros processos biológicos dependiam.

A absorção eficiente de minerais e utilização de vitaminas hidrosolúveis, requerem quantidades suficientes de vitamina A na dieta. A sua pesquisa demonstrou que, uma quantidade generosa de vitamina A assegurava uma reprodução saudável, e recém-nascidos com faces bem desenvolvidas e atraentes, dentes bem formados e corpos fortes e firmes.

Descobriu que os povos primitivos saudáveis valorizavam especialmente os alimentos ricos em vitamina A para as crianças em crescimento e as mulheres grávidas. Investigando em 1930´s, descobriu que as suas dietas continham dez vezes mais vitamina A que a dieta típica dos americanos daquele tempo. Esta disparidade é será quase certamente maior hoje em dia, já que os americanos trocaram a manteiga e óleo de fígado de bacalhau, por alimentos à base de óleos polinsaturados.

Nas comunidades do terceiro mundo que entraram em contacto com o Oeste, as deficiências de vitamina A são muito comuns e contribuem para a elevada taxa de mortalidade infantil, cegueira, paragem de crescimento, deformações ósseas e susceptibilidade a infecções. Isto ocorre mesmo em comunidades que têm acesso a uma boa quantidade de carotenos a partir de vegetais e frutos.

A escassez de lacticínios de boa qualidade, a rejeição dos órgãos de animais como sendo fora de moda ou prejudiciais à saúde, e a substituição de gordura animal por óleos vegetais para cozinhar; Estes factores contribuem para a degeneração física e sofrimento das populações do terceiro mundo.

O fornecimento de vitamina A é tão vital para a saúde do ser humano, que somos capazes de armazenar grandes quantidades dela no fígado e outros órgãos. Desta forma, é possível subsistir numa dieta baixa em gordura animal, por um período considerável de tempo antes de desenvolvermos sintomas de deficiência. Mas durante períodos de stress, as reservas de vitamina A gastam-se de forma rápida.

O exercício físico intenso, períodos de crescimento físico, gravidez, lactação e infecções, são formas de stress que esgotam as reservas de vitamina As crianças com rubéola esgotam a vitamina A rapidamente, resultando muitas vezes em cegueira irreversível. Um intervalo de três anos entre gravidez, permite ás mulheres a reposição das reservas de vitamina A de forma a que os próximos bebés não sofram de uma menor vitalidade e saúde.

Um aspecto da vitamina A que mercê maior ênfase, é o seu papel na utilização da proteína, A “Kwashiorkor” é na verdade uma doença de deficiência de vitamina A, levando a uma incapacidade de absorção de proteína, já que é o resultado da abstenção de proteína na dieta.

As dietas ricas em proteína, e pobres em gordura em crianças, induzem um crescimento rápido em conjunto com o esgotamento das reservas de vitamina A. O resultado – indivíduos altos, miópicos, com lábios e palatos fissurados e estrutura óssea mal formada.

As crianças em fase de crescimento, na verdade, beneficiam com uma dieta que contem mais calorias em forma de gordura do que em forma de proteína. Tal dieta, rica em vitamina A, irá promover um crescimento estável e constante, um físico robusto e uma elevada imunidade contra as doenças.

Portanto, isto é um pouco embaraçoso para as pessoas que defendem as dietas “low-fat”, especialmente á medida que a verdade está a começar a vir ao de cima, mesmo nos meios de comunicação mais ortodoxos. Um artigo recente do “New York Times” afirmou que os alimentos ricos em vitamina A como o fígado, gema de ovo, manteiga e lulas, conferem resistência a doenças infecciosas nas crianças e previnem o cancro nos adultos.

Um artigo do “Washington Post” elogiou a vitamina A como sendo “barata e eficiente, com qualidades ainda por serem (re)descobertas,” notando que os estudos recentes revelam que a suplementação com vitamina A ajuda a prevenir a mortalidade infantil nos países do terceiro mundo, a proteger as vitimas da rubéola de complicações graves e a prevenir a transmissão do vírus HIV da mãe para filho.

O artigo menciona a manteiga, gema de ovo e fígado como fontes importantes de vitamina A, mas afirma, infelizmente, que os carotenos dos vegetais são “igualmente importantes.” Portanto, a confusão em relação à vitamina A continua, mesmo entre os escritores científicos.

As pessoas familiarizadas com o trabalho do pioneiro “Weston Price”, não se deixam enganar facilmente. Sabem que os alimentos ricos em vitamina A como o fígado, ovos e óleo de fígado de bacalhau, são vitais para uma boa saúde. Se você ou as sua(s) criança(s) não gostarem de fígado, ovos e óleo de fígado de bacalhau, não desespere.

Estudos demonstram que a forma mais prática e facilmente absorvível de vitamina A, é a manteiga, um alimento cobiçado tanto por velhos como por jovens. Por isso, utilize bastante manteiga e natas de gado alimentado a pasto para uma prática nutricional inteligente e apetitosa.

Fonte!

Prática de musculação baseada em evidência científica. Siga-nos através das redes sociais.