Níveis elevados de frutose e gordura trans provocam doença hepática

Cientistas do “Cincinnati Children’s Hospital Medical Center“, descobriram que uma dieta com níveis altos de frutose, sacarose ou gordura em forma trans, não só aumenta a obesidade como também provoca fígado gordo com tecido cicatrizado (cirrose).

De acordo com Rohit Kohli, M.D. um gastrenterologista do hospital acima citado e autor principal do estudo afirmou que:

Para além disso, os investigadores conduziram o estudo num novo modelo de ratos que se parece tanto com os modelos humanos que agora poderá ser possível testar terapias para determinar a sua eficácia.

O consumo de frutose representa cerca de 10,2% do total calórico de uma dieta habitual nos EUA e tem estado associada a muitos problemas de saúde, incluindo, obesidade, doenças cardiovasculares e doenças hepáticas, desenvolvemos um tipo de rato que se aproxima muito á doença humana, permitindo-nos entender melhor o processo envolvido no desenvolvimento e progressão da cirrose de fígado associado á obesidade.

Este estudo também encontrou dados preliminares num simples teste para bio-marcadores que diferencia os estágios da doença neste modelo. Os médicos, actualmente monitorizam a progressão da cirrose, através de biopsias, que são procedimentos invasivos.

O estudo, que foi conduzido por cientistas do  Instituto da Doença Metabólica na Universidade de Cincinnati, e  foi publicado online no jornal Hepatology.

O estudo foi conduzido em ratos, alguns dos quais foram alimentados com uma dieta normal para ratos, e outros com uma dieta enriquecida com água de beber com frutose e sacarose e gordura em forma trans, sólida. Os tecidos dos seus fígados foram depois analisados em termos de conteúdo de gordura, formação de tecido cicatrizado (fibrose), e mecanismo biológico de danos.

Isto foi feito medindo o stress oxidativo reactivo, células do tipo inflamatório e níveis plasmáticos de marcadores de stress oxidativo, que têm um papel importante no desenvolvimento da doença hepática e na sua progressão até ao estágio final da doença de fígado.

Os investigadores descobriram que os ratos que receberam a ração normal, mantiveram-se saudáveis, e não desenvolveram a doença do fígado gordo. Os ratos que receberam a dieta alta em calorias (apenas gorduras em forma trans ou uma combinação de gorduras trans e muita frutose) tornaram-se obesos e desenvolveram a doença do fígado gordo.

De forma interessante, foi apenas o grupo que ingeriu a dieta com a combinação das gorduras trans e muita frutose que desenvolveram o estágio final do fígado gordo (cirrose) que continha fibrose.

Esse mesmo grupo também sofria de um aumento de stress oxidativo no fígado, aumento do número de células inflamatórias e níveis mais elevados de marcadores plasmáticos de stress oxidativo.

O Dr. Kohli espera poder investigar com mais profundidade o mecanismo dos danos hepáticos causados pelos níveis elevados de frutose e sacarose, e estuda uma intervenção terapêutica com suplementação com antioxidantes. Os antioxidantes são defesas naturais contra o stress oxidativo, e podem reverter ou proteger contra o dano hepático.

Os investigadores também gostariam de usar este modelo de forma a compreenderem melhor a doença do fígado gordo e realizar experiências clínicas utilizando novas terapêuticas e ferramentas de monitorização.

Os nossos dados sugerem que a suplementação com agentes farmacêuticos devem ser testados no nosso novo modelo, de forma a estabelecer se algum deles é capaz de reverter ou proteger contra a progressão da cicatrização e danificação do fígado.

Fonte: Sciencedaily

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