As mulheres grávidas podem treinar com pesos?

Tradicionalmente, as mulheres grávidas têm sido encorajadas a reduzir a atividade física devido à perceção de que isso aumentaria o risco de problemas, tais como parto prematuro, redução da circulação placentária, também devido a mudanças no fluxo sanguíneo visceral, temperatura corporal, uso de hidratos de carbono, ou ainda devido a tensão mecânica.1

No entanto, o número de mulheres grávidas que fazem exercício de forma regular (ou que têm vontade de o fazer), tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos e a maioria das publicações científicas reportam poucos efeitos negativos da atividade física na gravidez de uma mulher saudável.1

Na verdade, o exercício resistido poderá diminuir o risco de dependência de insulina em mulheres com excesso de peso com diabetes mellitus gestacional. Poderá ainda prevenir a hipertensão, a dor lombar gestacional, a diástase retal, fortalecer o assoalho pélvico, melhorar a postura e diminuir o risco de cesariana.1

Na verdade, guidelines recentes da American College of Obstetricians and Gynecologists recomendam a prática de exercício regular para a mulher grávida, incluindo para as sedentárias, pelos seus benefícios para a saúde, que incluem a possibilidade de uma diminuição do risco de diabetes mellitus gestacional.2,3

O estudo

Neste estudo, os investigadores pretenderam determinar os efeitos de um programa de exercício resistido de baixa intensidade, realizado durante o segundo e terceiro trimestre de gravidez, por mulheres previamente sedentárias e saudáveis, no tipo de gravidez, dilatação, expulsão e tempo de nascimento.1

Para o efeito, recrutaram 160 mulheres sedentárias e distribuíram-nas, de forma aleatória, em dois grupos. As mulheres que ficaram alocadas no grupo de treino realizaram 3 sessões por semana, durante aproximadamente 26 semanas, desde o início do segundo trimestre (semanas 12-13) até ao final do terceiro trimestre (semanas 38-39).

Cada sessão de treino consistiu num aquecimento de ~8 minutos (≤60% da frequência cardíaca máxima (FCmax)), ~20 minutos de exercícios resistidos muito leves (≤80% da FCmax), e um período de arrefecimento de ~8 minutos (≤60% da FCmax).

No decorrer do estudo, os investigadores registaram várias características maternas e de nascimento, incluindo o tipo de parto (normal, instrumental ou cesariana), dilatação, expulsão e tempo de nascimento.

Resultados

A percentagem de mulheres que tiveram um parto normal, instrumental ou por cesariana, foi similar em ambos os grupos.

O tempo médio de dilatação, expulsão e tempo de parto também não diferiu entre grupos.

Estes investigadores concluíram:

“O exercício resistido supervisionado, realizado ao longo do segundo e terceiro trimestre de gravidez, não afeta o tipo de parto nem a dilatação, expulsão, tempo de nascimento médio em mulheres grávidas previamente sedentárias e grávidas. Para além disso, não observamos qualquer efeito no estado de saúde global do recém-nascido.”

“Este estudo adiciona evidência que suporta os benefícios globais para a saúde de um programa de exercício supervisionado, leve-moderado regular, para mulheres saudáveis grávidas com muito poucas (se algumas) complicações.”

Clique para mostrar/ocultar as referências

  1. Barakat R, Ruiz JR, Stirling JR, Zakynthinaki M, Lucia A. Type of delivery is not affected by light resistance and toning exercise training during pregnancy: a randomized controlled trial. American journal of obstetrics and gynecology. 2009;201(6):590.e591-596.
  2. Obstetricians ACo, Gynecologists. ACOG committee opinion no 267: exercise during pregnancy and the postpartum period. Obstet Gynecol. 2002;99(1):171-173.
  3. Artal R, O’Toole M. Guidelines of the American College of Obstetricians and Gynecologists for exercise during pregnancy and the postpartum period. Br J Sports Med. 2003;37(1):6-12.

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