Manteiga, Margarina e Doenças Cardíacas

Logo após a Segunda Guerra Mundial, a margarina substituiu a manteiga no abastecimento de alimentos dos EUA.

O consumo de margarina ultrapassou o consumo de manteiga em 1950. Em 1975, já só ingeriam um quarto da quantidade de manteiga consumida em 1900 e dez vezes a quantidade de margarina.

A margarina era constituída principalmente por óleos vegetais hidrogenados, tal como muitas dos dias de hoje. Isso torna-a uma das nossas principais fontes de gordura trans. O consumo de gorduras trans por outras fontes também provavelmente acompanhou de perto a ingestão de margarina.

Tabela 1

A doença arterial coronária (DAC), que resulta numa perda de fluxo sanguíneo para o coração (ataque cardíaco), foi primeiramente descrita em detalhe em 1912 pelo Dr. James B. Herrick. A morte súbita cardíaca devido à doença arterial coronária era considerada rara no século 19, embora outras formas de doenças do coração fossem diagnosticados regularmente através de sintomas e autópsias.

Elas permanecem raras em muitas culturas não industriais dos dias de hoje. Isso não poderia ter sido o resultado de subdiagnóstico maciço, porque os ataques cardíacos têm sintomas característicos, como dor no peito que se estende ao longo do braço ou pescoço.

Os médicos daquele tempo diagnosticavam com regularidade, outras doenças cardíacas para além da DAC. O gráfico descreve a mortalidade total por doença cardíaca nos EUA, de 1900 a 2005. E representa todos os tipos de mortalidade por doença cardíaca, incluindo a “insuficiência cardíaca”, que são doenças não relacionadas com a DAC, como arritmia e miocardite.

Tabela 2

O gráfico acima não está ajustado para a idade, o que significa que não reflecte o facto da esperança média de vida ter aumentado desde 1900. Eu não poderia compilar os dados originais sem muito esforço, mas o gráfico ajustado para a idade está aqui.

É semelhante ao anterior, apenas um pouco menos acentuado. Eu acho que é interessante notar a semelhança entre o gráfico do consumo de margarina e o gráfico de mortes por doença cardíaca. O gráfico do consumo de manteiga também é essencialmente o inverso do gráfico de doença cardíaca.

E é aqui que a coisa começa realmente a ficar interessante. O Centro de Controlo de Doenças dos EUA também tem vindo a registas especificamente as mortes por doença coronária desde 1900. Mais uma vez, seria demasiado trabalhoso para mim, compilar os dados originais, mas pode ser encontrado aqui e é um gráfico do livro de Anthony Colpo, “The Great Cholesterol Con”.

Aqui está o resumo dele: até 1925, não havia essencialmente nenhuma mortalidade por DAC, altura em que disparou até cerca de 1970, tornando-se a principal causa de morte. Depois disso, começou a cair devido á melhoria dos cuidados médicos. Existem algumas descontinuidades nos dados devido a mudanças nos critérios de diagnóstico, mas, mesmo subtraindo-se esses, o padrão é claro como a água.

A taxa de morte por doença cardíaca ajustada pela idade (todas as formas de doença cardíaca) tem vindo a decair desde 1950, principalmente devido à melhor assistência médica. De acordo com o estudo Framingham Heart, a incidência de doença cardíaca não tem diminuído de forma substancial,. O que acontece é que no século 21, tornamo-nos mais eficientes em manter as pessoas vivas, mas não abordamos com êxito a causa da doença cardíaca.

A mudança de manteiga para margarina está envolvida na epidemia de doença arterial coronária? Não podemos chegar a uma conclusão firme a partir desses dados, porque eles são puramente correlações. Mas há, no entanto, mecanismos que suportam um papel protector para a manteiga, e um detrimental para a margarina.

A manteiga de vacas alimentadas a pastos, é uma das mais ricas fontes conhecidas de vitamina K2. A vitamina K2 desempenha um papel central na protecção contra a calcificação arterial, que é parte integrante da placa arterial e o melhor previsor único do risco de morte cardiovascular. No início do século 20, a manteiga provinha tipicamente de vacas alimentadas a pastos.

A margarina é uma importante fonte de gordura trans. A gordura trans encontra-se normalmente em óleos vegetais que foram hidrogenados, tornando-se assim sólidos à temperatura ambiente.

A hidrogenação é uma reacção química que é verdadeiramente repugnante. Envolve calor, óleo, gás hidrogénio e um catalisador de metal. Espero que diga um grande NÂO aos alimentos incluam a palavra”hidrogenado” em qualquer local da lista de ingredientes.

Algumas margarinas modernas são supostamente livres de gorduras trans, mas nos EUA, um valor de menos de 0,5 gramas por porção pode ser arredondado para baixo pelo que a informação nutricional não é um guia confiável.

Você só pode ter certeza que os óleos não foram hidrogenados se olhar para os ingredientes. Mesmo que não seja hidrogenada, mesmo assim não recomendo a margarina, que é um sucedâneo de alimentos, industrialmente processada.

Uma das explicações mais fortes do DAC é a hipótese do LDL oxidado. A ideia é que as partículas de lipoproteínas LDL (“colesterol LDL”) oxidam-se e colam-se às paredes das artérias, criando uma cascata inflamatória que resulta na formação de placa arterial. Chris Masterjohn escreveu uma boa explicação da teoria aqui.

Várias coisas podem influenciar a quantidade de LDL oxidado no sangue, incluindo o montante total de LDL no sangue, a quantidade de antioxidantes das partículas, a quantidade de gordura polinsaturada que faz parte da composição da LDL (mais PUFA = mais oxidação), e o tamanho das partículas de LDL .

Considera-se que as pequenas partículas de LDL oxidam mais facilmente do que as LDL de maior tamanho. O LDL mais pequeno, também está associado com uma mortalidade elevada de CHD. Em comparação com manteiga a gordura trans diminui o tamanho do LDL.

Na minha opinião, é provável que tanto a diminuição do consumo de manteiga como o aumento do consumo de gordura trans tenha contribuído para a incidência maciça de CHD verificada nos EUA e outras nações industrializadas dos dias de hoje.

Penso que vale a pena notar que a França tem o maior consumo de lacticínios gordos per capita de qualquer nação industrial, juntamente com um consumo relativamente baixo de gordura hidrogenada, e também tem a segunda menor taxa de doença arterial coronária, atrás do Japão.

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