Uso da leucina no ganho de massa muscular

 

O QUE É?

A leucina é um aminoácido, ou seja, um componente básico cuja agregação formará uma proteína. Como nosso organismo não tem capacidade de produzí-la, é classificada como um aminoácido essencial, ou seja totalmente dependente da dieta.⁶

Juntamente com a valina e isoleucina, outros dois aminoácidos essenciais, é classificada como uma aminoácido de cadeia ramificada – branched-chain amino acids em inglês, formando a sigla BCAA.²

COMO AGE?

Havendo biodisponibilidade de aminoácidos essenciais, a síntese de massa proteica muscular pode aumentar em até 150%, sendo a combinação da hiperinsulinemia (aumento da quantidade de insulina no sangue) com a hiperaminoacidemia (presença de aminoácidos no sangue) o principal mecanismo estimulador do anabolismo muscular.⁷

mTOR

mTOR é a sigla utilizada para mecanismo alvo da rapamicina, importante sensor de nutrientes e energia⁷. Essa proteína é sintetizada a partir do gene mTOR, sendo uma proteína quinase responsável por mediar a resposta celular ao estresse, como o dano ao DNA ou a privação alimentarl.⁴

Na verdade, existem dois complexos mTOR, o 1 e o 2. O primeiro, mTOR 1 é mais ligado à síntese proteica, sendo estimulado pela insulinemia (presença de insulina no sangue) e pela aminoacidemia ( presença de aminoácidos no sangue), sendo o principal aminoácido a estimulá-lo, a leucina.⁹

Portanto, o uso de aminoácidos de interesse, no caso a leucina, aumenta os efeitos anabólicos e insulinotrópicos durante e após a atividade física. A dose ideal de leucina para efeito anabólico muscular é de 1,5 a 2,5g em indivíduos jovens.²

USO CLÍNICO

A suplementação com leucina tem-se demonstrado eficiente na redução da adiposidade (concentração de gordura) e melhora do metabolismo da glicose.⁵

SUPLEMENTAÇÃO DE AMINOÁCIDOS NO EXERCÍCIOLeucina 1

A base de cálculo para suplementação de BCAAs seria de 82 mg/kg/dia, o que equivale, num adulto de 70kg a aproximadamente 5,7g/dia; dividindo-se da seguinte forma: 2g de leucina, 1g de valina e 1g de isoleucina. A recomendação de ingestão diária é de 35mg/kg/dia de leucina.⁸

USO EM IDOSOS

Um estudo realizado no Taxas, Estados Unidos, avaliou o efeito da ingestão de leucina em adultos de mais idade, entre 45 e 60 anos, que ficaram 14 dias acamados. O objetivo desse estudo era o de avaliar se a suplementação com leucina seria capaz de preservar a sanidade muscular.¹

Dois grupos foram divididos aleatoriamente. O grupo controle fora suplementado com alanina, um aminoácido que não é do tipo BCAA; o outro, com leucina.

Ao final do estudo, demonstrou-se que, para essa faixa etária, períodos de inatividade são profundamente deletérios no metabolismo muscular e na sua função. Contudo, no grupo suplementado com leucina, a perda muscular, ainda que presente, fora parcialmente atenuada pela sua suplementação.¹

Além disso, idosos que sofrem com perda muscular, uma situação chamada clinicamente de sarcopenia, a suplementação com leucina, associada a exercícios de resistência , tem-se estabelecido como tratamento de primeira linha, melhorando a função muscular e reduzindo quedas.³

CONCLUSÃO

A leucina tem-se demonstrado como um importante adjuvante do crescimento muscular, não apenas em atletas ou adultos jovens, como também em idosos. Seu uso, entretanto, deve vir acompanhado de uma dieta equilibrada e uma regular prática de exercícios.

Consumir proteínas e aminoácidos de forma incorreta pode significar perda de dinheiro e de massa muscular. Portando, não deixe de consultar com seu médico e seu nutricionista para melhores resultados!

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1. ENGLISH, Kirk L, et al. Leucine partially protects muscle mass and function during bed rest in middle-aged adults. Am J Clin Nutr, p.1-9, 2015.
2. LORENZETI, Fábio Médici. Nutrição e suplementação: aspectos metabólicos, fitoterápicos e da nutrigenética. São Paulo: Editora Phorte, 2015.392p.
3. MORLEY, John E. Pharmacologic Options for the Treatment of Sarcopenia. Calcif Tissue Int. Disponível em <http://link.springer.com/article/10.1007/s00223-015-0022-5>. Acesso em 28 mar.2016.
4. NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION -NCBI. Disponível em <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/gene/2475>. Acesso em 20 mar.2016.
5. PEDROSO, JA; ZAMBIERRI, PP; DONATO J,JR.Reviewing the Effects of L-Leucine Supplementation in the Regulation of Food Intake, Energy Balance, and Glucose Homeostasis. Nutirents.. Disponível em <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26007339>. Acesso em 22 mar.2016.
6. TRATADO DE NUTROLOGIA. Baurueri, SP: Manole, 2013.
7. WERUTSKY, Carlos. Nutrologia Esportiva.Porto Alegre, RS:AGE,2013. 278p.
8. WERUTSKI, Carlos Alberto. Manual sobre Suplementos no Esporte( Alimentos para Atletas). 6a edição. São Paulo,SP: Performance Nutrition, 2015.
9. WIKIPEDIA. Disponível em <https://fr.wikipedia.org/wiki/MTOR>. Acesso em 20 mar.2016.

Médico – Universidade Federal Fluminense (Brasil). Pós-graduado em Nutrologia – Universidade Veiga de Almeida (Brasil).