O excesso de treino provoca atrofia muscular

Alguns indivíduos afirmam que o overtraining não existe e que o que realmente existe é o “under-eating”, ou seja, afirmam que na verdade o problema é não comer o suficiente ou seguir uma dieta inadequada.

Mas ao contrário do que muitos pensam e afirmam, o excesso de treino (overtrainning) é um fenómeno real, que pode bloquear completamente os seus progressos no ginásio e até mesmo fazê-lo perder força e massa muscular, que tanto lhe custaram a conseguir.

Hoje em dia temos mais conhecimentos do que nunca em relação à síndrome do excesso de treino e os seus efeitos negativos no corpo, mas este é um fenómeno complexo e difícil de estudar, sobretudo ao nível molecular.

No entanto, um estudo publicado recentemente no Journal of Strength and Conditioning Research analisou a forma como o excesso de treino afeta a massa muscular.

Neste estudo foram usados ratos, que os investigadores submeteram a sessões de exercício extenuantes, com uma carga 15% superior àquela que normalmente é recomendada para estimular ganhos de força e de massa muscular. Eles exercitaram a esse nível durante 5 dias por semana e ao longo de 12 semanas, de forma a limitar o tempo de recuperação.

Os investigadores do estudo analisaram várias proteínas que estão envolvidas nos processos de anabolismo e catabolismo do sistema musculo-esquelético.

As proteínas analisadas foram o IGF-1, ou fator de crescimento similar à insulina, a MyoD e a Mioginana. Também analisaram a proteína catabólica MAFbx.

excesso de treino atrofia muscularJá se sabe que a síndrome do excesso de treino provoca o aumento dos níveis das hormonas do stress como o cortisol e de outros marcadores de stress como a creatina quinase, diminui os níveis de hormonas anabólicas como a testosterona, aumenta a incidência de doenças e de lesões, reduz o rendimento desportivo e piora a disposição psicológica (1).

Agora, estes investigadores verificaram que, para além desses efeitos negativos, o overtrainning também aumentou a atividade da proteína catabólica MAFbx em 20%, e diminuiu a atividade das proteínas anabólicas MyoD, miogenina e IGF-1 em 27%, 29% e 43%, respetivamente.

Para além disso, os investigadores também mediram a circunferência dos músculos dos ratos e verificaram que as mudanças hormonais que pode ver acima, conduziram a uma redução de 17% do tamanho dos músculos.

Conclusão

Este estudo vem confirmar aquilo que muitos fisiculturistas e atletas de powerlifting já sabiam. Quando se trata de treinos, mais nem sempre é melhor e é necessário encontrar um equilíbrio entre os treinos intensos de musculação, cardio e outros, e a recuperação/descanso adequado. Por esse movito, os atletas mais sérios também fazem os possíveis para acelerar a recuperação muscular.

Muitos praticantes de musculação também verificam que têm maiores dificuldades em ganhar força e massa muscular quando passam a praticar também outros desportos juntamente com a musculação, e em muitos casos chegam mesmo a perder músculo e força devido a isso.

Portanto, se quer mesmo focar-se em obter uma maior hipertrofia muscular, aconselho-o vivamente a evitar o stress, a descansar o mais possível, a moderar o seu volume de treino, a duração das suas sessões de treino, a limitar o nº de sessões de treino com pesos que realiza por semana e também a limitar as restantes atividades físicas a apenas um pouco de exercício cardiovascular, um par de vezes por semana.

Referência!

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