Doses altas de vitamina C e E são ineficazes

De acordo com nutricionistas alemães, as doses elevadas de vitamina C e E, ambos antioxidantes, podem inibir a adaptação natural do organismo ao exercício físico.

Mas de acordo com um estudo alargado na Dinamarca, que será publicado em breve no Medicine & Science in Sports & Exercise, as noticias não são assim tão más. Os dinamarqueses não descobriram um único efeito negativo da vitamina C ou E. Mas também não descobriram nenhum efeito positivo.

O exercício físico aumenta a produção de radicais livres – o que é mau em termos de saúde. Dr. Kenneth Cooper, inventor do teste “Cooper “e um forte proponente do exercício físico, já foi um grande defensor do uso de vitaminas antioxidantes nos atletas de resistência.

Mas, estudos recentes indicam que não têm efeito. De acordo com esses estudos o corpo humano é perfeitamente capaz de se ajustar por si mesmo a um aumento na produção de radicais. Ingerir vitaminas antioxidantes pode interferir com a capacidade de adaptação do organismo. Essa foi a afirmação dos investigadores do estudo alemão.

No estudo Alemão, os investigadores colocaram voluntários num treino de fitness todos os dias durante 4 semanas, e deram-lhes 1 grama de vitamina C e 400 UI de Vitima E. Os dinamarqueses seguiram um processo mais aprofundado. Colocaram 11 homens a fazer ciclismo todos os dias durante 12 semanas e a seguir um programa de elevado volume de treino.

Os voluntários do grupo experimental tomaram meio grama de Vitamina C e 400 UI de Vitamina E todos os dias. O grupo de placebo consistiu em 10 indivíduos que seguiram o mesmo programa.

Na altura em que terminaram as 12 semanas, o organismo dos voluntários do grupo experimental e o do placebo, tinham-se ajustado ao treino. No entanto, não houve diferenças significativas entre os grupos. A figura abaixo mostra o consumo máximo de oxigénio de ambos os grupos. Isto é uma medida de resistência.

Tabela 1

Análises do tecido muscular mostraram que as células musculares de ambos os grupos começaram a reter mais glicogénio. E a ingestão de vitaminas antioxidantes não teve qualquer influência neste processo.

Tabela 2

Em consequência do estímulo do treino, a mitocôndria começa a produzir mais enzimas que podem transformar a gordura, carboidratos e proteína em energia. Uma dessas enzimas é a “citrate synthase”, uma enzima chave no ciclo do ácido cítrico. A produção desta enzima subiu a um nível semelhante em ambos os grupos.

Tabela 3

As células musculares respondem ao treino contínuo produzindo mais enzimas protectoras. Uma delas é a “manganese superoxide dismutase”. A figura abaixo mostra que a produção desta enzima aumentou em níveis semelhantes em ambos os grupos.

Tabela 4

Depois das preocupantes noticias do estudo alemão, os utilizadores de suplementos do mundo ocidental irão, provavelmente, receber a publicação do estudo dinamarquês com alívio. No entanto, os próprios dinamarqueses consideram as suas descobertas um argumento para afirmarem, que os atletas não devem usar suplementos de Vitamina e E.

E concluíram que:

Considerando que a parte consciente da saúde da população, geralmente segue uma dieta equilibrada, rica em fruta e vegetais, os nossos dados sugerem que esta população não irá obter nenhum efeito – positivo ou negativo – da ingestão moderada de suplementos de vitaminas, na adaptação ao treino em resposta ao treino exaustivo de resistência.

Em conclusão, as pessoas saudáveis que se exercitam de forma regular, devem ser mais críticas e questionarem-se em relação à utilidade dos suplementos antioxidantes.

Referência!

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