Dois anos contínuos de uso de creatina não provocam efeitos secundários

É seguro tomar de forma contínua, doses não muito elevadas de creatina. Neurologistas da Universidade de Munique, chegaram a esta conclusão a partir da investigação de mais longa duração, e mais abrangente sobre a segurança do uso da creatina em humanos publicada até ao momento. Os pesquisadores administraram aos seus voluntários de sessenta anos de idade – sendo que todos sofriam de Parkinson – quatro gramas de monohidrato de creatina por um período de dois anos.

Os neurologistas têm a esperança de que os suplementos de creatina podem ajudar a proteger as pessoas contra as doenças neurológicas como o mal de Parkinson. Eles já tinham descoberto que os ratos vivem mais tempo, se a creatina for adicionada diariamente à sua alimentação. O suplemento os processos de envelhecimento, que parecem ser acelerados nos cérebros dos doentes de Parkinson.

O principal receio com a creatina é que esta provoque danos nos rins. O medo é teórico, no entanto, a creatina é convertida em creatinina, e um elevado nível de creatinina é um marcador de dano renal. Nenhuma investigação foi feita sobre se este é também um bom indicador se tomarmos creatina, mas isso não impediu os médicos de assustarem os consumidores de creatina.

Há alguns anos atrás, pesquisadores brasileiros, que estavam a usar a cistatina C, em vez da creatinina como marcador, informaram que os suplementos de creatina melhoram a função renal.

Os médicos realmente não encontram de forma habitual, danos nos rins dos consumidores de creatina. Os pesquisadores na Alemanha encontraram dois casos na literatura, e um deles é questionável. Quando os consumidores de creatina desenvolvem problemas, estão quase sempre a utilizar também com outras substâncias, tais como o dianabol.

O estudo mais longo sobre os efeitos colaterais da creatina durou dezoito semanas. Os voluntários mais velhos do estudo já tinham quase 50 anos. Além do mais, os estudos não verificaram muitas das variáveis. É por isso que os neurologistas alemães ficaram pouco convencidos.

Eles começaram por administrar aos seus voluntários vinte gramas de creatina por uma semana. Em seguida, reduziram a dose para dois gramas por dia por um período de seis meses. Para os restantes 18 meses foram administrados quatro gramas de creatina por dia. Este regime teve como objectivo a aumentar a quantidade de creatina no cérebro em dez por cento, e assim oferecer protecção para as células do cérebro.

O gráfico abaixo mostra o que aconteceu com o nível de creatina no período de dois anos. O grupo controle – representado por quadrados pretos – tinha menos creatinina no sangue do que o grupo da creatina – representado por triângulos. Conforme o tempo avança, no entanto, parece que os órgãos dos utilizadores de creatina “aprenderem a eliminar de forma mais eficiente a creatinina do sangue.

Tabela 1

O outro marcador de dano renal, a cistatina C, mostra um quadro diferente. Desde o início da experiência que os consumidores de creatina tiveram níveis mais baixos de cistatina C no sangue do que o grupo controle.

Tabela 2

Os pesquisadores também fizeram mais análises ao sangue para procurar outros marcadores de lesão renal. Os resultados são mostrados abaixo. Não houve diferença significativa entre o grupo da creatina e o grupo de controlo.

Tabela 3

Se doentes de Parkinson de sessenta anos de idade podem tomar creatina com segurança durante dois anos, então os atletas de força super-saudáveis não precisam de se preocupar com os riscos de suplementos de creatina. Embora isso não queira dizer que o uso contínuo seja, portanto, útil.

Se tivermos em conta uma pesquisa inédita feita pelo nutricionista Luc van Loon em Maastricht, Holanda, você teria que concluir que não é. A sua pesquisa mostra que as células musculares só são capazes de manter níveis mais altos de creatina por dois meses, e nada mais.

Se continuar a tomar o suplemento, a concentração de creatina começa a descer: as células provavelmente param de produzir creatina.

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