Qual é melhor, o deadlift clássico ou o deadlift com barra hexagonal?

trap barO deadlift é um exercício muito popular, usado por atletas de vários desportos, bem como por um número significativo de atletas recreativos, com o objetivo de potenciar a potência e a força muscular dos grupos musculares da parte inferior do corpo e da zona lombar.1

A sua popularidade poderá ser explicada pelo facto de se tratar de um movimento multi-articular, que envolve grandes grupos musculares e por permitir o levantamento de cargas mais pesadas, comparativamente a outros exercícios com pesos livres, o que poderá possibilitar maiores ganhos de força e de potência muscular.1

No entanto, quando realizados com cargas pesadas, poderá ser o exercício mais exigente para a região lombar.2

Entretanto, têm vindo a surgir várias variações do deadlift clássico, incluindo o deadlift com barra hexagonal, que foi criado com o objetivo de desviar o stress da região lombar, ancas e isquiotibiais para o quadríceps femoral. Em teoria, o uso desta barra permitiria adotar uma posição mais vantajosa e reduziria as forças externas e lesões na zona lombar.1,3

Já foi realizado um estudo que comparou a execução de uma barra hexagonal com uma barra reta durante o exercício deadlift e os resultados do mesmo indicaram que a barra hexagonal reduziu o stress na região lombar, ao mesmo tempo que potenciava a força, velocidade e a potência.4

O estudo

Mais recentemente, um outro estudo comparou a execução do deadlift com barra reta com o deadlift com barra hexagonal, no qual os investigadores efetuaram a análise da eletromiografia (EMG) para o vasto lateral, bíceps femoral e eretores da espinha.1

Para esse efeito, foram recrutados vinte homens jovens, com pelo menos um ano de experiência de treino com pesos, os quais realizaram três repetições a 65 e 85% de 1RM, com cada tipo de barra.

Resultados

  • Relativamente aos valores de 1RM, não se observaram diferenças significativas entre a barra reta (181,5 kg) e a barra hexagonal (181,1 kg).

  • Com valores EMG mais elevados a serem evidentes para os músculos bíceps femoral (na fase concêntrica) e eretores da espinha (na fase excêntrica), a barra reta pareceu usar mais os isquiotibiais e a zona lombar.
  • Por sua vez, a barra hexagonal conduziu a um movimento mais dominante para os quadríceps, com valores EMG mais elevados para os músculos, vasto lateral, durante ambas as fases concêntrica e excêntrica.
  • Para além disso, o deadlift com barra hexagonal demonstrou valores de pico de força, pico de potência e pico de velocidade, significativamente maiores do que aqueles obtidos com o deadlif com barra reta.

Estes investigadores afirmaram:

 “Para indivíduos com lesões ou dores lombares, os resultados deste estudo sugerem que a barra hexagonal poderá ser uma melhor escolha em termos de seleção de barras devido à sua capacidade de distribuir a carga de forma equilibrada por todas as articulações e reduzir o “momento” na espinha lombar.”

“Por outro lado, se o objetivo da sessão de treino for enfatizar o fortalecimento da região lombar e isquiotibiais, a barra reta parece ser a escolha apropriada. Finalmente, a barra hexagonal poderá ser um método mais eficiente para maximizar a força, potência e velocidade no deadlift.”

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  1. Camara KD, Coburn JW, Dunnick DD, Brown LE, Galpin AJ, Costa PB. An Examination of Muscle Activation and Power Characteristics While Performing the Deadlift Exercise With Straight and Hexagonal Barbells. Journal of strength and conditioning research. 2016;30(5):1183-1188.
  2. Bevan HR, Bunce PJ, Owen NJ, et al. Optimal loading for the development of peak power output in professional rugby players. Journal of strength and conditioning research. 2010;24(1):43-47.
  3. Cormie P, McCaulley GO, Triplett NT, McBride JM. Optimal loading for maximal power output during lower-body resistance exercises. Medicine and science in sports and exercise. 2007;39(2):340-349.
  4. Swinton PA, Stewart A, Agouris I, Keogh JW, Lloyd R. A biomechanical analysis of straight and hexagonal barbell deadlifts using submaximal loads. Journal of strength and conditioning research. 2011;25(7):2000-2009.

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