Controvérsias da proteína – Funcionamento dos rins

Neste artigo gostaria de desmistificar algumas das controvérsias mais comuns que tendem a envolver uma elevada ingestão de proteína como a tipicamente observada e recomendada aos atletas e praticantes de musculação.

As principais são o funcionamento dos rins, saúde dos ossos, problemas cardiovasculares e cancro do cólon. Relacionado com o tema da saúda óssea, também irei analisar o tópico da acidose metabólica e o impacto que a ingestão de proteína tem nela.

Funcionamento dos rins

Uma crítica comum das dietas/ingestão elevada de proteína é a preocupação de que são prejudiciais para os rins.

Esta crença parece derivar do fato de que, em indivíduos com danos renais pré-existentes, a ingestão de proteína tem que ser reduzida para prevenir o desenvolvimento/agravamento da doença. De forma incorreta, este argumento foi usado para sugerir que uma ingestão elevada de proteína danifica os rins (1).

No máximo, o que existe é um caso fraco para o risco da ingestão elevada de proteína no funcionamento dos rins; de fato, na realidade, alguns pesquisas sugerem um efeito benéfico de uma ingestão elevada de proteína no funcionamento dos rins (2).

Pondo as coisas de forma simples, as adaptações ao funcionamento dos rins que são muitas vezes citadas como indicadores de “stress” ou danos são muito provavelmente simples efeitos adaptativos normais de variar a ingestão de proteína (1).

Infelizmente, até hoje foram muito poucas as pesquisas que examinaram o impacto de uma elevada ingestão de proteína no funcionamento dos rins em atletas. Um estudo examinou o impacto de 2.8 g/kg de proteína no funcionamento dos rins de culturistas, e não foram observados efeitos negativos (3). Que eu saiba, não foram estudados valores de ingestão de proteína mais elevados do que esse.

Conclusão

Empiricamente, vale a pena observar que os atletas têm habitualmente vindo a consumir grandes quantidades de proteína durante pelos menos muitas décadas sem que se tenha notado um aumento do número de problemas nos rins.

Se um problema desse tipo tivesse ocorrido, é provável que já tivesse aparecido por agora. Embora isso certamente não prove que uma ingestão elevada de proteína não seja detrimental para o funcionamento dos rins, os dados que suportam essa ideia parecem carecer de um ponto de vista científico e da vida real.

De forma interessante, embora sempre tenha sido afirmado que uma ingestão elevada de proteína aumenta as necessidades de ingestão de fluídos, esta ideia parece ter tido origem num estudo militar que examinou o equilíbrio de nitrogénio em condições de restrição de água e de energia (1).

Não existe nenhuma indicação de que os indivíduos que estejam suficientemente hidratados necessitem de aumentar a  sua ingestão de fluídos quando estão a consumir grandes quantidades de proteína.

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