Contagem de calorias VS alimentação intuitiva

Porque é que cada vez que ouvem as palavras “contagem de calorias” ou “diário de alimentação”, as pessoas começam a fugir para as colinas?

Se, criar menus, contar calorias e manter um diário de alimentação são ferramentas provadas pelas pesquisas, eficientes, de consciencialização da nutrição, educação, motivação e contabilização (e realmente são), então porque motivo existe tanta resistência a ela?

Uma das razões, é que as pessoas entendem isso como sendo trabalho, e o trabalho duro não vende! Outro motivo é o que os cépticos dizem, “E em relação à alimentação intuitiva?” “E em relação às pessoas que perdem gordura sem contar calorias?”

Claro, você pode escolher não contar calorias e comer aquilo que “sentir” que o seu corpo lhe está a pedir, mas se o fizer, a isso chama-se adivinhar. Se adivinhar correctamente e ingerir a quantidade certa, irá perder peso. Eu chamaria a isso, sorte! Prefere atirar o dado nutricional, ou apostar em algo mais garantido?

Diário de nutrição e planeamento de menus substituem a adivinhação com precisão

Talvez ainda mais importantes, eles são também partes cruciais do processo de aprendizagem para aumentar a consciência nutricional. Existe apenas UMA FORMA de realmente compreender os alimentos e a forma como afectam o seu corpo: Tem de passar por todos os quatro estágios do processo de aprendizagem:

Estágio 1: Incompetência inconsciente – Você está a ingerir os tipos errados de alimentos nas quantidades erradas e você nem sequer está consciente disso. (Não sabe o que está a fazer e não sabe que não sabe o que está a fazer)

Estágio 2 : Consciência incompetente – Você está a ingerir os alimentos errados nas quantidades erradas, mas por algum motivo, você torna-se consciente disso. Isto acontece muitas vezes devido a uma experiência do tipo “carregar no interruptor” ou a uma epifania do tipo “Não vou continuar a viver desta forma”. (Você não sabe o que está a fazer e agora sabe que você não sabe o que está a fazer!)

Estágio 3: Consciência competente – Você educa-se a si mesmo e começa a ingerir os alimentos certos, mas custa-lhe imenso esforço e dedicação para começar a comer as coisas certas nas quantidades certas. (Você sabe o que está a fazer, mas você tem de pensar nisso e trabalhar muito duro para fazer isso acontecer, porque está a usar a força de vontade e ainda está a aprender)

Estágio 4: Competência inconsciente – Você fez o esforço consciente de ingerir os alimentos certos nas quantidades certas, contou calorias e manteve um diário de alimentação durante bastante tempo e com a repetição suficiente, esses comportamentos tornaram-se hábitos e passaram a fazer parte do seu estilo de vida. (Você sabe o que está a fazer, e fá-lo de forma automática e com tanta facilidade, que nem sequer tem de pensar nisso).

Penso que o conceito da alimentação intuitiva tem mérito.

Se escutarmos os nossos verdadeiros sinais corporais, acredito eu o nosso apetite, a nossa actividade e o nosso peso corporal iriam regular-se de forma adequada por si mesmo. O problema é, na nossa cultura ocidental, tecnologicamente avançada com um ambiente propício á obesidade, um estilo de vida sedentário, pressões sociais e alimentos pouco adequados que nos tentam a cada esquina, a nossa sabedoria corporal intuitiva, está constantemente em curto-circuito.

Na nossa sociedade moderna, ser capaz de comer por instinto e conseguir adivinhar com sucesso a sua nutrição ou confiar nos seus sentimento de fome e saciedade, não são coisas que se adquirem com facilidade ou de forma natural.

A única forma garantida de conseguir atingir esse estágio de competência inconsciente onde se torna automático ingerir os alimentos certos nas quantidades certas e consegue realmente compreender o SEU corpo, é passando pelo processo de educação nutricional.

Duas forma simples de contar calorias e obter essa educação nutricional que necessita, são o método planeamento de refeições e o método do diário nutricional.

O método do planeamento de refeições

Utilizando um software ou folha de cálculo, cria um plano de menu, refeição por refeição, com as calorias, macronutrientes e quantidades calculadas de forma adequada para os seus objectivos e necessidades energéticas. Você pode criar dois ou mais planos de menus, se quiser variedade. Depois, siga o seu plano de menu todos os dias.

Você simplesmente terá de pesar e medir as suas porções de alimentos para se assegurar que a sua ingestão actual está de acordo com o seu plano escrito. Com este método, você realmente só necessita de “contar calorias” uma vez quando criar os seus menus. Este é um método que eu uso e recomendo no meu programa “Burn the Fat Feed the Muscle”.

O método do diário nutricional

Outra forma de controlar a sua ingestão nutricional, é mantendo um diário nutricional, seja em papel, seja num aparelho electrónico, software ou website. Isto é mais como “contagem de calorias” no sentido tradicional. Ao longo do sai, após cada refeição, você regista o que comeu, ou ao final do dia, você regista toda a comida que ingeriu ao longo de todo o dia.

A melhor opção é registar o que comeu imediatamente a seguir, já que as pessoas parecem sofrer de casos realmente graves de “amnésia alimentar”, se esperarem demasiado tempo antes de registarem o que comeram.

Recomendo que conte calorias e que mantenha um diário nutricional pelo menos uma vez na sua vida, durante pelo menos 4-12 semanas consecutivas, ou até você chegar ao estágio de competência inconsciente. A esse ponto, isso torna-se opcional porque o hábito e a intuição podem assumir o controlo.

Você pode regressar ao método do planeamento de refeições ou ao diário em qualquer altura do seu futuro se tiver dado um passo atrás nos seus objectivos, ou se estiver a tentar atingir um objectivo muito importante. É uma ferramenta que estará sempre pronta para o ajudar se precisar dela.

Autor:  Tom Venuto

Prática de musculação baseada em evidência científica. Siga-nos através das redes sociais.