Como aumentar a produção de óxido nítrico de forma natural

Nada bate uma boa congestão muscular no ginásio. Tradicionalmente, os culturistas têm vindo a fazer uso dos suplementos de óxido nítrico (NO) para produção a produção de óxido nítrico.

Muitos culturistas sabem que é possível aumentar a síntese de óxido nítrico através do mecanismo da sintase do aminoácido arginina. O que muitos culturistas podem não saber é que o NO pode ser produzido através de uma via alternativa para além da sintase.

A dieta é fonte importante de nitratos para o organismo. Os nitratos podem aumentar a produção de óxido nítrico, de forma independente do sistema de síntese de óxido nítrico dependente da arginina.1 Em 2004, foi demonstrado que os nitratos inorgânicos provenientes de fontes dietéticas podem ser uma fonte importante de nitrito em circulação – o qual aumenta a produção de óxido nítrico de forma independente do mecanismo da arginina.2

Numa experiência, voluntários saudáveis que ingeriram um nitrato dietético, obtiveram um aumento de nitritos em plasma, quatro a cinco vezes superiores. Acontece que a maior parte do nitrito proveniente dos alimentos da dieta, que entram no estômago a partir da saliva sobrevivem intactos à digestão e atingem a circulação sistémica.

Isto sugere que o nitrato inorgânico proveniente de alimentos pode ser um substrato para a formação de óxido nítrico no corpo. No entanto, com base em numerosos estudos, parece claro que os nitratos provenientes da dieta, têm de facto atividade biológica no corpo.

Fontes alimentares de nitratos

A incorporação de algumas frutas e legumes na dieta pode ajudar a facilitar uma maior produção de óxido nítrico. Uma dieta rica em frutas e vegetais está associada a uma menor pressão arterial e a uma redução do risco de eventos cardiovasculares. Apesar de extensa pesquisa, os ingredientes ativos responsáveis por estes efeitos não foram identificados, e os testes realizados com nutrientes isolados têm vindo a falhar redondamente.

Notavelmente, num estudo recente realizado com voluntários saudáveis .3, os efeitos de diminuição da pressão arterial da suplementação dietética com nitratos, foram semelhantes aos observados no grupo saudável de controlo no projeto DASH, um estudo com uma clássica dieta de frutas e vegetais.

Isso significa que os nitratos podem ser um ingrediente importante e ativo desta dieta. E também significa que a suplementação com nitratos pode ser tão eficiente para o aumento da produção de óxido nítrico, como a ingestão de frutas e vegetais.

Deve notar-se que a dosagem de nitrato utilizado no estudo (0,1 mmol/kg/dia) é facilmente alcançável através de uma dieta rica em vegetais. Portanto, para aqueles indivíduos que não ingerem frutas e vegetais, vocês podem a estar obter uma congestão muscular menor do que a que seria possível no ginásio.

Sumo de beterraba – Uma fonte alimentar rica em nitratos

Num estudo recente, Webb e os seus colegas descobriram que a pressão arterial diminui se voluntários saudáveis ingerirem uma fonte natural de nitratos (por exemplo: sumo de beterraba). Os investigadores demonstraram que foram os nitratos presentes no sumo que tiveram o efeito, e este ocorreu através da redução química do nitrato para nitrite.5

No estudo, 0,5 L de sumo de beterraba fresca diminuiu a pressão arterial sistólica até menos 10 mmHg, e a pressão arterial ainda se encontrava significativamente reduzida 24 horas depois.5

O consumo de beterraba pode potenciar a congestão muscular e baixar ligeiramente a tensão arterial.

Os investigadores descobriram que a pressão arterial diminui apenas uma hora após a ingestão do sumo de beterraba, com a maior queda da pressão a ter sido registada três a quatro horas após a ingestão. Tendo continuado a ser observado algum grau de redução até 24 horas após a ingestão.

Os investigadores demonstraram que a diminuição da pressão sanguínea ocorreu devido à formação química de nitritos a partir dos nitratos presentes no sumo. Os nitratos do sumo são convertidos na saliva em nitritos através de bactérias presentes na língua.

Esta saliva que contem nitritos é engolida, e no ambiente ácido do estômago ou é convertida em óxido nítrico ou volta a entrar na circulação em forma de nitrito.

O período de tempo de maior redução da pressão está correlacionado com a presença e níveis mais elevados de nitritos na circulação-um efeito que esteve ausente num segundo grupo de voluntários que se abstiveram de engolir a sua saliva durante, e durante a três horas seguintes após a ingestão do sumo de beterraba.

A redução da pressão arterial também foi demonstrada em 2006, em voluntários saudáveis. após três dias de suplementação dietética com nitrate.6 inorgânico, foi demonstrado que o nitrato dietético diminuiu o consumo de oxigênio em todo o corpo em seres humanos durante a prática de exercício submáximo.7 Isso poderia ser devido à vasodilatação das paredes dos vasos sanguíneos, diminuindo assim a necessidade de consumo de oxigénio pelos músculos.

O sistema de síntese de nitrato-nitrito-óxido nítrico, pode ser visto como um complemento ao sistema clássico de síntese da arginina-óxido nítrico (NOS). Estas vias funcionam de formas distintas uma da outra, mas quando a disponibilidade de oxigénio diminui e a atividade do óxido nítrico é diminuída, a redução de nitrito em óxido nítrico torna-se mais pronunciada.

Em suma, o consumo de alimentos naturais ricos em nitratos pode aumentar a congestão muscular no ginásio. Ou então pode experimentar o sumo de beterraba, que é naturalmente rico em nitratos.

Referencias:

  1. Lundberg JO, Weitzberg E, Cole JA and Benjamin N. Nitrate, bacteria and human health. Nat Rev Microbiol, 2004 Jul;2(7):593-602.
  2. Lundberg JO and Govoni M. Inorganic nitrate is a possible source for systemic generation of nitric oxide. Free Radic Biol Med, 37, 395-400 (2004).
  3. Larsen FJ, Ekblom B, Sahlin K, Lundberg JO and Weitzberg E. Effects of dietary nitrate on blood pressure in healthy volunteers. N Engl J Med, 355, 2792-2793 (2006).
  4. Appel LJ, Moore TJ, Obarzanek, E, Vollmer WM, Svetkey LP, Sacks FM, Bray GA, Vogt TM, Cutler JA, Windhauser MM, Lin PH and Karanja N, A clinical trial of the effects of dietary patterns on blood pressure. DASH Collaborative Research Group. N Engl J Med, 336, 1117-1124 (1997).
  5. Webb AJ, Patel N, Loukogeorgakis S, Okorie M, Aboud Z, Misra S, Rashid R, Miall P, Deanfield J, Benjamin N, Macallister R, Hobbs AJ and Ahluwalia A. Acute blood pressure lowering, vasoprotective, and antiplatelet properties of dietary nitrate via bioconversion to nitrite. Hypertension, 51, 784-90 (2008).
  6. Larsen FJ, Ekblom B, Sahlin K, Lundberg JO and Weitzberg, E. Effects of dietary nitrate on blood pressure in healthy volunteers. N Engl J Med, 355, 2792- 2793 (2006).
  7. Larsen FJ, Weitzberg E, Lundberg JO and Ekblom B. Effects of dietary nitrate on oxygen cost during exercise. Acta Physiol (Oxf), 191, 59-66 (2007).

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