A pílula anticonceptiva pode limitar o desenvolvimento muscular em mulheres

Algumas atletas femininas podem ter de pagar um preço por usarem contraceptivos orais: menos ganhos de força derivados do treino de resistência.

Esses exercícios que desenvolvem a massa muscular, implicam o levantamento de pesos (com as barras e máquinas do seu ginásio local) ou treinar contra bandas de tensão e elásticos (como as dos aparelhos Bowflex).

Já há muito tempo que treinadores pessoas notaram que nem todas as mulheres recebem os mesmos benefícios do treino de musculação e pensa-se que a genética possa explicar essas diferenças. Mas o fisiologista do exercício Chang Woock lee e os seus colegas da Universidade A&M do Texas questionaram-se se outros factores no estilo de vida também pudessem ter alguma influência. E no congresso de biologia experimental em New Orleans esta semana, Lee identificou as pílulas anticonceptivas como sendo o principal suspeito.

Num estudo anterior, a equipa de Lee´s notou que muitas jovens atletas femininas referiram que usavam a pílula anticonceptiva. Essas pílulas são especificamente formuladas de forma a alterar os níveis de hormonas esteróides das mulheres. Dado que certos esteróides podem afectar a eficiência com que o organismo desenvolve e ganha musculo, Lee questionou-se se essas pílulas também podem limitar os ganhos de força.

Por isso, três vezes por semana, durante 10 semanas, os investigadores colocaram 73 mulheres jovens (18 a 34 anos de idade) a completar 13 exercícios diferentes. O regime foi intenso, e trabalhou os músculos de todo o corpo. Nenhuma das voluntárias tinha treinado musculação de forma habitual anteriormente.

Mas agora já têm experiência. Cada uma delas teve de completar o seu treino de resistência com pesos que foram especificamente preparados para trabalhar os músculos de cada uma delas a 75% da sua força máxima.

34% das voluntárias estava a tomar algum tipo de contraceptivo. E como grupo, desenvolveram 2.1% de massa muscular durante a experiência – ou menos 40% que o grupo que não tomou a pílula. Por isso, perguntei a Lee: O que acha que está a acontecer?

Uma pista: Tanto antes como após a experiência, as mulheres que usavam contraceptivos orais, tinham níveis dramaticamente baixos de anabolizantes naturais/hormonas, do que as voluntárias que não tomavam a pílula.

Essas hormonas incluem a DHEA, e a sua forma sulfatada mais abundante DHEAS. Em comparação com as que não tomavam a pílula, as mulheres que tomavam os contraceptivos orais também tinham concentrações substancialmente mais elevadas de cortisol, uma hormona associada ao catabolismo muscular.

Quando se referia ao porquê de certas mulheres que tomam a pílula desenvolverem menos músculo, Lee afirmou:

Por isso, o treino de musculação “não aliviou/corrigiu” este perfil hormonal adverso nas utilizadoras da pílula, e essas diferenças nas hormonas podem ser o factor por detrás disso.

O uso ou o tipo de pílula anti conceptiva usada pode influenciar a composição corporal das mulheres.

Mas isso não é o fim da história. Análises posteriores mostraram que nem todas as utilizadoras da pílula tinham as mesmas dificuldades em desenvolver massa muscular com o exercício.

Por isso, Lee analisou da composição dos contraceptivos de cada mulher e descobriu que muitos tipos continham progestinas – uma forma sintética da progesterona, uma hormona sexual feminina natural.

Em testes, eles provou que essas hormonas sintéticas ligam-se aos receptores androgénicos das células – os mesmos receptores aos quais se ligam as hormonas esteróides masculinas, como a DHEA e DHEAS.

Lee está preocupado com a possibilidade de que a progestina bloqueie um receptor que a DHEA teria normalmente activado, a progestina poderia essencialmente impedir o verdadeiro androgénico de exercer o seu estímulo de desenvolvimento muscular.

No entanto, nem todas as progestinas são igualmente eficientes a ligarem-se aos receptores. Por isso, Lee, separou os contraceptivos em grupos tendo em conta se as progestinas exibiam uma androgeneicidade baixa, média ou elevada (ex. ligação ao receptor de androgénios). E foi então que emergiu uma diferença notória.

As mulheres que tomam pílulas que contêm progestinas pouco androgénicas, adquirem musculo derivado do treino, de forma tão eficiente como as mulheres que não tomam a pílula.

Mas as mulheres que tomam contraceptivos que contêm progestinas de média ou elevada androgeneicidade, obtiveram uma percentagem 0.5 menos de massa muscular ao longo de 10 semanas – bastante menos do que as restantes mulheres obtiveram.

Dito isto, ele afirma que, “para as mulheres , tomar determinada marca de pílula pode fazer toda a diferença em relação aos resultados que se obtêm da pratica de musculação.”

Referência:

Lee, C.W., M.A. Newman, and S.E. Riechman. 2009. Oral Contraceptive Use Impairs Muscle Gains in Young Women (Abst. 955.25). Experimental Biology 2009, New Orleans (April 21).

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