A dieta paleo é mais eficaz na perda de peso?

A dieta do paleolítico será, provavelmente, uma das dietas mais populares do momento, e baseia-se nos padrões alimentares dos nossos ancestrais do paleolítico, desde há 2,6 milhões até há 10000 anos atrás, um período que difere dos padrões alimentares da sociedade moderna.1

Assim sendo, a dieta paleo exclui determinados grupos de alimentos, tais como lacticínios, álcool, açúcar, cereais e produtos alimentares processados.2 3

Mas será este tipo de dieta é mais eficaz na perda de peso do que as dietas baseadas nas recomendações de autoridades da saúde, ou será apenas mais uma dieta da moda?

O estudo

Recentemente, foi realizada uma meta-análise que pretendeu determinar os efeitos da dieta paleo na perda de peso, IMC e circunferência da cintura, em comparação com outras dietas de controlo baseadas em recomendações de organizações de saúde.4

Nesse trabalho, foram incluídos 11 estudos clínicos randomizados, cuja duração variou de 2 semanas a 24 meses.

Resultados

Os resultados desta meta-análise revelaram uma perda média de -3,52 kg de peso corporal, -1,09 cm de IMC e -2,46 cm de circunferência de cintura nos indivíduos que seguiram a dieta do paleolítico em comparação com dietas baseadas em recomendações.

De notar que os melhores resultados foram observados entre as mulheres com excesso de peso e com obesidade.

Estes investigadores concluiram:4

“A adoção da dieta do paleolítico está associada à perda de peso, IMC e da circunferência da cintura. Desta forma, esta dieta pode influenciar a prevenção e controlo de doenças crónicas, uma vez que o excesso de peso é um fator de risco para o seu desenvolvimento.”

Uma possível hipótese para explicar o efeito da dieta do paleolítico na perda de peso será o seu efeito satietogênico.4

De facto, um estudo detetou aumentos significativos das concentrações de incretina e de hormonas anoréticas do sistema digestivo e também um aumento da perceção de saciedade, ao longo de 180 min após a ingestão de refeições “paleo”, em comparação com uma refeição baseada nas guidelines da OMS. Surpreendentemente, este efeito foi independente da energia ou do teor de proteína da refeição.5

No entanto, os autores desta meta-análise também referem que:4

“São necessários mais estudos clínicos randomizados, com populações e duração maiores para provar os seus benefícios para a saúde.”

Clique para mostrar/ocultar as referências

  1. Cordain L, Eaton SB, Sebastian A, et al. Origins and evolution of the Western diet: health implications for the 21st century. The American journal of clinical nutrition. 2005;81(2):341-354.
  2. Cordain L, Miller JB, Eaton SB, Mann N, Holt SH, Speth JD. Plant-animal subsistence ratios and macronutrient energy estimations in worldwide hunter-gatherer diets. The American journal of clinical nutrition. 2000;71(3):682-692.
  3. Cordain L, Eaton SB, Miller JB, Mann N, Hill K. The paradoxical nature of hunter-gatherer diets: meat-based, yet non-atherogenic. European journal of clinical nutrition. 2002;56(1):S42-S52.
  4. de Menezes EVA, Sampaio HAdC, Carioca AAF, et al. Influence of Paleolithic diet on anthropometric markers in chronic diseases: systematic review and meta-analysis. Nutrition Journal. 2019;18(1):41.
  5. Bligh HF, Godsland IF, Frost G, et al. Plant-rich mixed meals based on Palaeolithic diet principles have a dramatic impact on incretin, peptide YY and satiety response, but show little effect on glucose and insulin homeostasis: an acute-effects randomised study. The British journal of nutrition. 2015;113(4):574-584.

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