A dieta dos twinkies

A dieta dos twinkiesAqui está a mais controversa história de perda de peso da Web, dos últimos tempos: Mark Haub, um professor de nutrição da Universidade do Kansas USA, perdeu 13 quilos em 10 semanas, com uma dieta à base de “loja de conveniência”, com pelos menos dois terços da sua comida a ser constituída por Twinkies, Little Debiie Snacks, Doritos, Cereais açucarados e Oreos, os restantes alimentos ingeridos incluíram alguns vegetais e leguminosas enlatadas, batidos de proteína e um multi-vitamínico.

A perda de peso não foi surpreendente, dado que se limitou a ingerir 1800 calorias por dia na sua “dieta twinkie”, que fez parte de uma experiência das suas aulas.

O que surpreendeu a maioria das pessoas, foi que os seus indicadores de saúde (colesterol  total, HDL, LDL e triglicerídeos) melhoraram, não pioraram. E agora? Deveríamos trocar as nossas frutas e vegetais por produtos de confeitaria?

Desde que a CNN transmitiu recentemente uma reportagem acerca desta experiência do professor Haub´s, a blogosfera entrou em grande actividade e revelou alguns comentários (muito discordantes uns dos outros).

A experiência de Haub´s, que a documentou na sua página do facebook, tem sido fortemente atacada pelos fanáticos da nutrição saudável, e pelos grupos anti-alimentos processados (Junk-food), que afirmam que a experiência foi irresponsável e que a publicação dos resultados está a transmitir a mensagem errada. Esses grupos afirmam que, “ o importante é a nutrição e qualidade dos alimentos acima de tudo!”

Por outro lado, há quem afirme “que novidade”, ou “nada de novo”, são pessoas acreditam que trata acima de tudo da ingestão de “calorias gastas VS calorias ingeridas.”

A hipótese de Haub´s é que: para perda de peso, o que é realmente importante são as calorias, e os seus resultados certamente apoiam essa afirmação.

Ironicamente, os defensores de ambos os argumentos, estão certos e errados ao mesmo tempo. A forma como as pessoas interpretaram estes resultados e a forma como ficaram tão fora de si por causa disto, faz-me crer que s pessoas ainda não entenderam.

O que realmente prova a dieta dos twinkies de haub´s?

Esta é simplesmente um grande exemplo da prova de que a perda de peso é realmente uma questão de calorias ingeridas versus calorias dispendidas. Coma menos do que o que gasta e irá perder peso.

A obesidade é causada por um desequilíbrio energético. Consuma mais calorias do que as que gasta e irá ganhar peso.

O facto das pessoas nos dias de hoje ainda negarem o efeito da termodinâmica na perda de peso – uma verdade que é publicada em centenas de textos revistos de ciência, nutrição, fisiologia e exercício – é um pouco infeliz.

Negar a importância das calorias na perda ou ganho de peso, é como negar a existência da gravidade (pode ignorá-la se quiser, mas a s consequências podem ser desastrosas).

Mas tal é o poder dos sistemas de crenças pessoais, que as pessoas acabam por acreditar em todo o tipo de teorias estranhas em relação á saúde, alimentação e perda de peso, crenças essas que por vezes defendem com uma ferocidade religiosa.

Por todo o mundo, ainda vemos pessoas que juram que a obesidade é causada por hormonas, toxinas, desequilíbrio do ph, inflamação, cereais, carne, gordura, carboidratos, ou … É a “comida rápida!…”

Seja qual for o elemento dietético ou fisiológico que as pessoas queiram culpar, raramente mencionam a quantidade calorias… (porque não podia ser assim tão simples… pois não?

A comida rápida contribui para a obesidade?

Certamente que sim – porque é densa em calorias e muito fácil de ingerir, (além disso, alguns afirmam que é viciante), especialmente as combinações ricas em gordura e açúcar, e especialmente o açúcar líquido em forma de refrigerante.

Mas isso traz-nos de volta ao círculo das calorias gastas vs calorias ingeridas, não traz? Se ingerir alimentos que o levem facilmente a um excesso de calorias, irá engordar. Isso acontece seja com alimentos “limpos” ou “processados”, seja com proteína, carboidratos ou gordura, de origem animal, ou vegetal.

A ideia de que ingerir alimentos completamente naturais, densos em nutrientes é tudo o que é necessário para se conseguir perder peso, é incorrecta. Pode ingerir toda a comida natural “não-processada”, orgânica, e “limpa” que conseguir, mas se comer demais (calorias em excesso) irá ganhar peso.

Então, deveremos seguir o professor e adoptar a dieta dos Twinkies, sabendo que podemos perder peso numa dieta de comida rápida, mas baixa em calorias?

Não, claro que não. Não é isso que estou a sugerir de todo. A qualidade nutricional é extremamente importante para a saúde, longevidade, vitalidade de acuidade mental. O consumo a longo prazo de alimentos processados, artificiais, leva eventualmente a problemas de saúde de um tipo ou outro.

Estou particularmente preocupado com a comida rápida enriquecida com açúcar, dada a epidemia da diabetes e síndrome metabólica que se está a desenvolver no mundo actual.

Porque motivo o professor Haub´s não adoeceu com esta dieta?

Existem algumas possibilidades simples que podem explicar o motivo pelo qual o professor não viu os seus marcadores de saúde a piorar:

  1. Esta foi uma experiência de curta duração. Os resultados a longo prazo poderiam ter sido diferentes.
  2. Perder peso – por si só – leva a melhorias na saúde, ex. colesterol, tensão arterial, etc.
  3. Parece que Haub´s não fez análises completas, apenas umas poucas que estão relacionadas com a perda de peso.
  4. Algumas pessoas estão predispostas a reagir mal á comida rápida e a alimentos enriquecidos com açúcar e gordura, enquanto outras não. Talvez o professor seja um dos sortudos nesse departamento da genética.

Por outro lado, se os seus hábitos de ingestão de comida rápida o tivessem levado a um excesso calórico e ele tivesse ganho peso, o que é muito provável de acontecer no mundo livre (especialmente com indivíduos sedentários) com pessoas que não têm cuidados suficientes para calcularem calorias, tal como fez o professor Haub´s, os seus marcadores de saúde teriam ido pela pia abaixo.

Aqui está o problema

Com o circo dos media que esta acrobacia criou (até pessoas como Rush limbaugh se manifestaram), entendo que as pessoas podiam interpretar esta história/experiência como sendo uma autorização para poderem comer o que quiserem. De facto é exactamente essa mensagem que estou a ver em toda a Web entre bloguistas e comentadores.

Os mass média, normalmente, fazem um péssimo trabalho a transmitir este tipo de coisas – os jornalistas não são, normalmente, especialistas em nutrição/desporto. Mas existem realmente algumas pessoas, muito inteligentes, a usar a experiância de Haub´s como prova para suportar  as suas crenças de que tudo o que tem de fazer é ajustar da forma correcta as calorias e percentagem de macronutrientes (proteína, etc) e depois disso, pode fazer o que quiser – coma o que quiser.

Penso que é justo afirmar que a experiência de Haub´s suporta a ideia de que não tem de ser um fanático da alimentação saudável. Não há problema em apreciar os alimentos que gosta e descontrair um pouco a dieta de vez em quando… mas não demasiado!

Quando vejo este tipo de pensamento que sugere que é a qualidade das calorias ou a quantidade de calorias o que realmente interessa. Sei que os defensores de ambos os argumentos ainda têm um longo caminho a percorrer para poderem realmente compreender as causas da obesidade e a relação entre a perda de peso e a saúde.

Para além disso, é alarmante ver como poucas pessoas têm discutido a importância da composição corporal versus perda de peso. O rácio de macronutrientes e a qualidade nutricional da sua dieta – particularmente em combinação com o treino – pode decidir o tipo de peso que é perdido – gordura ou músculo.

O que devemos fazer com estas informações? Deixe-me resumir as coisas por si:

QUANTIDADE de alimentos para o controlo do peso… Alimentos de QUALIDADE para a saúde e vitalidade… É melhor que obter os dois se pretende estar em forma e manter-se saudável ao longo da sua vida.

Autor:Tom Venuto.

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