A Betaína aumenta a resistência no agachamento

A betaína é um trimetil derivado do aminoácido glicina. É um componente importante de muitos alimentos, incluindo trigo, espinafre, beterraba e mariscos.

Estima-se que a ingestão diária de betaína na dieta humana varie de uma média de 1 g · d-1 para uma alta de 2,5 g · d-1 em indivíduos que têm uma dieta rica em trigo e frutos do mar. Além disso, a betaína pode também ser sintetizada no organismo através da oxidação de compostos contendo colina.

Algumas das funções fisiológicas atribuídas a betaína incluem a função de um osmoprotector. Ou seja, ele protege as células contra a desidratação agindo como um osmólito aumentando a retenção de água das células.

Outros estudos indicam que a suplementação de betaína pode reduzir as concentrações de homocisteína no plasma e reduzir a inflamação, proporcionando desta forma, uma potencial redução no risco de doença cardiovascular. Para além disso, a betaína também age como um doador de metila, proporcionando um grupo metil para guanidinoacetato via metionina que pode sintetizar a creatina no músculo esquelético.

Em consideração a esses efeitos fisiológicos foi levantada a hipótese de que a suplementação com betaína pode ter propriedades ergogénicas (melhoria do desempenho desportivo), apoiando a função cardiovascular ou homeostase térmica durante o exercício no calor, e/ou aumentando a força e o desempenho através de um aumento na concentração de creatina muscular esquelética.

Até recentemente, a betaína tem sido usado principalmente como complemento alimentar da dieta em nutrição animal. Estudos têm demonstrado que a suplementação de betaína pode proteger os peixes que se movem a partir de águas de diferentes salinidades, agindo como um osmólito. Além disso, ficou demonstrado que a betaína aumentar o crescimento e reduz a gordura corporal em suínos, e melhora a recuperação ao exercício em equinos destreinados. Em humanos, a betaína só recentemente foi examinada como sendo um potencial auxiliar ergogénico.

Um estudo publicado no Journal of International Society of Sports Nutrition analisou os efeitos a curto prazo da suplementação de betaína em indivíduos do sexo masculino em idade universitária. Os investigadores tiverem como objectivo determinar os efeitos da suplementação de betaína na resistência, potência e taxa de fadiga em vários tipos de exercício anaeróbico.

Para a realização deste estudo, foram recrutados 24 indivíduos do sexo masculino em idade universitária. Metade dos participantes tomaram um suplemento de betaína de 15 dias, e a outra metade tomou um placebo também durante 15 dias. Os participantes foram submetidos a um protocolo de testes 2 dias antes da suplementação, a meio desses 15 dias, e durante os últimos dois dias de suplementação.

O protocolo de teste envolveu uma variedade de exercícios anaeróbicos. Os indivíduos realizaram um teste de salto vertical, um teste de potência no supino, uma série até à falha tanto no agachamento como no supino a 75% de uma repetição máxima, e o teste de potência” Wingate”.

O grupo que consumiu o suplemento de betaína apresentou uma melhora significativamente maior no número de repetições realizadas até a falha a 75% de um peso máximo representante do agachamento a meio dos 15 dias. Tanto a meio do estudo como no final o grupo que consumiu betaína, foi capaz de realizar mais repetições no agachamento a pelo menos 90% da potência máxima. A partir das suas descobertas, os investigadores concluíram o seguinte:

Duas semanas de suplementação de betaína em estudantes activos do sexo masculino, pareceu melhorar a resistência muscular no exercício de agachamento, e aumentou a qualidade das repetições executadas.

É estranho como os voluntários que consumiram betaína mostraram grandes melhorias no agachamento, mas não no supino. Se este estudo tivesse durado mais tempo, talvez o grupo de betaína também tivesse obtido melhores resultados no supino, bem como, e talvez até mesmo noutros testes. O facto de ter sido verificada qualquer diferença durante este breve estudo de 15 dias, demonstra definitivamente o potencial do uso da betaína como auxiliar ergogénico.

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