9 passos para uma saúde perfeita – 9º pratique o prazer

No 6º artigo desta série: controle o stress, falamos sobre como o stress crónico contribui para quase todos os problemas de saúde, desde insónias e ansiedade até à obesidade e doenças cardíacas.

Os cientistas têm dedicado uma grande quantidade de atenção para tentarem compreender os mecanismos da resposta de “luta ou fuga”. Sabemos que quando somos confrontados com o stress, ocorre uma cascata de mudanças fisiológicas desencadeada pela estimulação do sistema nervoso simpático: aumenta o fluxo sanguíneo para os músculos, pulmões e outras áreas necessárias para nos mobilizar para a acção, e diminui em áreas como o sistema digestivo e reprodutivo, que não são necessários para a sobrevivência imediata.

São libertadas no nosso organismo hormonas como a adrenalina, para nos tornar mais fortes e mais rápidos. E é libertado combustível extra (glicose) a partir do fígado para que possa ser rapidamente utilizado como energia.

Mas há outra resposta do sistema nervoso que é tão importante quanto a resposta de “luta ou fuga” para a nossa sobrevivência, que é muitas vezes ignorada na literatura científica e em artigos importantes sobre o stress. Nós não estamos apenas configurados para lidar com o stress e os desafios, mas também para desfrutar a vida, para relaxar, para conviver e recuperar.

Este é o estado parassimpático, muitas vezes referido como a resposta “descanso e digestão” ou “calma e contacto”. Tem os efeitos bioquímicos opostos sobre o nosso corpo da reação de “luta ou fuga”. Os nossos batimentos cardíacos e respiração abrandam, a nossa pressão arterial diminui, O fluxo sanguíneo aumenta na região do trato digestivo, na nossa pele e nos órgãos reprodutivos, e o nível das nossas hormonas do stress decaem.

Nós não fomos criados para lidar com o stress crónico

Tanto a reacção de “luta ou fuga”, como a de “calma e contacto” são essenciais à vida. Temos a capacidade para enfrentar os desafios e mobilizar os nossos recursos físicos e mentais para tomarmos medidas. Mas também temos a necessidade de digerir os alimentos, reabastecer as nossas reservas e recuperarmo-nos.

Nos períodos do Paleolítico, é provável que estes diferentes sistemas, existiam num estado de relativo equilíbrio. Imagine um dia descontraído, na maior parte do tempo, interagindo com os outros, a recolher alimentos ou a construir abrigos. Isso poderia ser pontuado por um evento stressante agudo, como uma caçada ou um encontro com um predador. Mas que provavelmente seria seguido novamente por mais tempo de “descanso e digestão”, tais como reunir em torno de uma fogueira e uma grande refeição no dia de caça.

Os seres humanos estão adaptados a este tipo de equilíbrio entre a pressão e a calma, o stress e o relaxamento, estimulação simpática vs parassimpática.

Mas hoje as coisas são diferentes. A reacção de luta ou fuga já não é geralmente uma situação temporária – como afastar um perigo físico imediato ou envolver-se numa caçada – ou seja, algo temporário, que passa rapidamente. Em vez disso, é uma reacção quase contínua às exigências excessivas colocadas em nós pela vida moderna.

Preocupar-se com o pagamento dos seus impostos, assistir ao noticiário, perder uma promoção no trabalho, ficar bloqueado no trânsito… e embora estas situações não ameacem literalmente a nossa sobrevivência, o nosso corpo reage como se fosse uma ameaça séria.

O problema é que o stress crónico nos impacta da mesma forma que o stress agudo. Temos a mesma resposta fisiológica exacta – só que em menor grau. A nossa frequência cardíaca aumenta, bem como a pressão arterial, libertamos hormonas do stress, e o fluxo sanguíneo é restringido no aparelho digestivo e órgãos reprodutivos. É de se admirar que doenças como a Síndrome do Intestino Irritável e a infertilidade se tenham tornado uma epidemia?

Nos tempos de hoje, a reacção de luta ou fuga deixou simplesmente de ser uma mobilização aguda dos recursos aguda do nosso corpo, para ser tornar no nosso estado padrão fisiológico, nós estamos num estado de stress crónico. E como você viu no Passo 6, o stress crónico desregula e prejudica de forma séria os nossos corpos.

Prazer: o antídoto para o stress crónico

No seu livro “Feeling Good Is Good For You”, os investigadores Carl J. Charnetski e Francis X. Brennan propuseram-se a rever as evidências emergentes de que o prazer pode estimular o sistema imunológico e prolongar as nossas vidas. Segundo os autores:

Em qualquer forma, o stress é a antítese do prazer. Altera os seus nervos, manipula toda uma série de hormonas do corpo, eleva a pressão arterial, e aumenta o ritmo cardíaco… E também enfraquece a capacidade do seu sistema imunológico de resistir às doenças.

Se o stress é a antítese do prazer, então o prazer é a antítese do stress. Portanto, a melhor maneira de combater o stress é com prazer.

Os nossos organismos segregam substâncias químicas chamadas endorfinas quando experimentamos prazer. A pesquisa com animais, revelou, por exemplo, que os níveis de endorfinas se elevam até 86 vezes após animais experimentam orgasmos múltiplos!

Mas também são liberadas endorfinas, embora em níveis inferiores, durante a realização de atividades diárias mais mundanas, como brincar com um animal de estimação, assistir a um filme engraçado, ouvir a nossa música favorita, visitar um lugar favorito ou conviver com os seus entes queridos.

As substâncias químicas que são libertadas quando sentimos prazer, fazem mais do que neutralizar as hormonas do stress e melhorar a disposição mental. Elas também:

  • Melhoram a função imunológica através da produção de um péptido anti-bacteriano
  • Potencia o instinto assassino e habilidades das diversas componentes do sistema imunológico, incluindo células B, linfócitos T, células NK, e imunoglubolinas
  • Capacita certas células do sistema imunológico a segregarem as suas próprias endorfinas, como forma de melhorar a sua capacidade de combater as doenças

O estado persistente de stress crónico nas nossas vidas faz com que os efeitos de contra-balanceamento do prazer se tornem ainda mais importantes. Isto é especialmente verdade para qualquer um que lide com uma doença crónica ou dor, que são ambos stressores para o organismo.

Prazer versus distracção: não é a mesma coisa!

Pode parecer estranho para si que eu esteja a recomendar que procure obter mais prazer na vida. Talvez você esteja a pensar: “A nossa cultura é toda ela dedicada e obcecado pela procura hedonista do prazer! E você quer mais? ”

Mas eu discordo dessa avaliação. A nossa cultura é dedicada à distracção, não ao prazer. E existe uma grande diferença entre os dois.

Distracção é algo que nos impede de dar atenção a nós mesmos e às nossas vidas. O prazer é quase exactamente o oposto. Quando experimentamos prazer, tornamo-nos mais plenamente presentes para a vida, mais enraizados nos nossos corpos, mais vivos e conscientes. O prazer activa o nosso sistema de calma e convívio; a distracção não.

Por exemplo, ver televisão e navegar na net são geralmente distracções que desviam a nossa atenção da nossa própria experiência. Mas, receber uma massagem, ouvir a nossa música preferida ou andar descalço na praia são actividades prazeirentas que nos permitem formar uma ligação mais profunda com nós mesmos e com o mundo que nos rodeia.

E é esta experiência que é crucial para a nossa saúde e – eu diria – para a nossa felicidade.

Mas isso significa que não deve haver espaço para a distracção? Não. Eu acredito que a distracção (quando usada de forma consciente e com sabedoria) pode ser uma maneira útil e às vezes até necessária de libertar a válvula de pressão ou de pressionar o botão “reiniciar”. Às vezes estamos muito stressados, muito doentes ou com demasiada dor para sentir prazer ou descobrir como inseri-lo na nossa vida naquele momento.

Nesses momentos, a distracção pode ser um dom. Na verdade, o meu mestre zen Darlene Cohen, que faleceu no início deste ano, tinha um nome especial para este tipo de distracção: “conforto sujo e de baixo nível”. Ela escreveu no seu livro “Turning Suffering Inside Out:”

Como vivemos através de situações insuportáveis, como uma doença catastrófica sem sermos destruídos? Como lidamos com a angústia mundana da nossa vida quotidiana? Como continuamos a viver sob um stress esmagador?

E para além disso, como é que nós não passamos apenas por essas coisas, para termos a vida rica, completa e de valor que nós realmente queremos viver – em qualquer circunstância?

O importante aqui é entender que tanto o prazer como a distracção têm um papel a desempenhar na protecção contra os efeitos devastadores do stress. A maioria das pessoas dos dias de hoje são muito boas a distraírem-se. Na verdade, a distracção tornou-se o passatempo nacional. Não somos bons é a obter prazer.

5 maneiras de incorporar mais prazer na sua vida

No seu livro, Charnetski e Brennan examinou muitas experiências “indutoras de prazer” que têm sido cientificamente comprovado que  promovem a saúde e o bem-estar.

  • Música (ouvi-la ou tocar/cantar)
  • Toque (incluindo massagem, sexo e o simples contacto humano)
  • Animais de estimação
  • Humor (risos)
  • Luz, visão e conhecimento (passar o tempo ao ar livre, a oração/meditação e a atitude positiva)

A maioria de nós já está consciente do poder de cura das atividades listadas acima – pelo menos em algum nível. Mas, nesta cultura, há também uma dependência avassaladora da medicina, cirurgia, dieta e outras intervenções fisiológicas para tratar as doenças.

Embora possamos estar a ser demasiado simplistas com a ideia de que o stress causa doenças e o prazer pode impedi-lo, quantos de nós atribuímos a mesma importância a ouvir música ou a assistir a um filme engraçado à importância que damos a tomar um comprimido?

A evidência agora é clara, que os nossos pensamentos, crenças, emoções e comportamentos são capazes de induzir as mesmas alterações fisiológicas nos nossos organismos, que os alimentos, suplementos, comprimidos e mesmo as cirurgias.

Se você duvida que isso é verdade, considere o efeito placebo. Já foi provado várias vezes que substâncias farmacologicamente inertes, como comprimidos de açúcar, podem ter um efeito terapêutico idêntico ou até superior ao das drogas em determinados casos.

Ainda mais impressionantes são os estudos que demonstraram que a cirurgia simulada (quando são feitas pequenas incisões para convencer o paciente que fizeram a operação, mas nenhuma cirurgia é feita) por vezes é tão eficaz quanto a cirurgia.

Isto aponta de forma clara, para o poder que todos temos de nos curar a nós mesmos. Se apenas uma sugestão ou a crença de que nos vamos curar é o suficiente para induzir as alterações fisiológicas que levam à cura, sem a presença de qualquer substância farmacológica “activa” ou a intervenção cirúrgica, então de forma clara, os nossos pensamentos, crenças e emoções têm o potencial para serem uma medicina poderosa.

Aqui está o seu trabalho de casa: para a próxima semana, certifique-se de fazer todos os dias, algo que lhe proporcione prazer. Em seguida, informe-nos e diga-nos como se sentiu no final dessa semana.

Recomendamos vivamente que leia os restantes artigos desta série…

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