5 suplementos perigosos a evitar!

5 suplementos perigosos que deve evitarOs suplementos dietéticos podem não ser tão seguros com pensa e alguns podem mesmo provocar danos sérios e irreversíveis para a saúde dos consumidores.

Até suplementos bem conhecidos como o saw palmetto, chá verde e Aloe vera podem causar problemas hepáticos e num passado pouco distante, o termogénico Hydroxycut e os suplementos da linha Herbalife também foram associados a casos de hepatotoxicidade.(1)

Todos os anos, e apenas nos Estados Unidos, os efeitos adversos associados ao uso de suplementos são responsáveis por cerca de 23 mil visitas às urgências.(2)

Pró-hormonais:

pré-hormonal androstenedionaOs pró-hormonais mais conhecidos são: Androstenedione, 4-androstenediol, 5-androstenediol, 19-norandrostenedione, 19-norandrostenediol (Bolandiol) e este género de suplementos promete aumentar os níveis de testosterona, a força, a massa muscular, ajudar a perder gordura e a melhorar o desempenho sexual.(3)

No entanto, a maioria dos estudos realizados até hoje não confirmaram essas promessas. Os pró-hormonais não proporcionam efeitos anabólicos nem ergonénicos no homem. Pelo contrário, verificou-se que podem provocar elevações significativas e anormais dos níveis de estrogénio e hormonas relacionadas.(3)

Apenas num estudo em que os voluntários ingeriram uma dose oral de 200 mg ou mais de androstenedione ou androstenediol se observou um aumento modesto e de curta duração dos níveis de testosterona; No entanto, este aumento foi acompanhado por elevações ainda maiores dos níveis de estrogénio.(4)

Essas elevações anormais dos níveis de estrogénios associam-se a um aumento do risco de cancro da próstata ou pancreático.(3)

Para além disso, em alguns estudos também se observou uma diminuição significativa dos níveis de colesterol HDL, o que aumenta o risco de doença cardiovascular.(3)

Designer Steroids

Embora muitas vezes sejam chamados de potenciadores de testosterona, pró-hormonais ou esteróides naturais, estes suplementos são, na verdade, esteróides anabolizantes de potência variável, com uma estrutura básica similar à da testosterona.(5)

A principal diferença relativamente à testosterona é que quase todos eles têm modificações que permitem aumentar a sua biodisponibilidade oral, sendo a mais comum a 17-alfa-alquilação,  que também aumenta o seu nível de toxicidade, sobretudo hepática.(5)

Os designer steroids mais conhecidos são: o Superdrol (methasteron / methyldrostanolone),  Ultradol (Methylstenbolone), Epistane (Methylepitiostanol), DMT (Dymethazine), MENT (Mentabolan/Trestione), Methylclostebol, Trestolone, Methoxygonadiene e Methylstenbolone.(5)

Os possíveis efeitos secundários derivados da ingestão são relativamente similares aos da ingestão de esteróides androgénicos orais e incluem:(5)

  • Hipertensão
  • Policitemia
  • Dislipidemia
  • Cardiotoxicidade
  • Hepatotoxicidade
  • Nefrotoxicidade
  • Infertilidade
  • Hipogonadismo secundário
  • Acidente vascular cerebral isquêmico
  • Dependência, em cerca de 30% dos utilizadores.

Já foram descritos vários casos de complicações de saúde atribuídas ao uso de Superdrol e outros “designer steroids”, incluíndo, hepatotoxicidade severa, insuficiência hepática, colestase grave, icterícia, toxicidade renal, falha renal aguda e nefropatia por IgA.(5-10)

É comum o uso de suplementos “hepaprotetores” para mitigar os efeitos hepatotóxicos dos “designer steroids” e esteróides anabolizantes. Geralmente esses “hepaprotetores” contêm N-acetilcisteína, extracto de cardo mariano (milk thistle) e outras ervas, mas não há evidências de que tenham qualquer efeito protetor contra a hepatotoxicidade induzida por esteróides androgénicos orais.(5)

 Hipericão (Erva de São João)Hipericão erva de são joão

O hipericão, também conhecido como Erva de São João, é um suplemento bastante popular e habitualmente usado no tratamento da ansiedade, depressão, cortes e queimaduras.(11)

Embora alguma literatura considere o hipericão relativamente seguro em doses moderadas, o facto é que o seu consumo não é isento de riscos sérios, principalmente quando é ingerido juntamente com vários tipos de fármacos e alguns suplementos de ervas.(11)

Os efeitos secundários mais comuns são: sintomas gastrointestinais, reações alérgicas, tonturas, confusão, inquietação, letargia e secura da boca. Havendo também casos isolados de neuropatia tóxica aguda e mania induzida.(11)

Para além disso, vários estudos apontam para outros possíveis efeitos indesejáveis, incluindo efeitos fototóxicos no olho, mais precisamente nas proteínas α-cristalina da lente humana, células epiteliais da lente humana e células epiteliais de pigmento retinal humano, após a ingestão de hipericão em combinação com luz visível ou UV.(11)

Sendo o hipericão um agente farmacologicamente ativo, pode gerar interações com vários outros fármacos, induzindo enzimas hepáticas ou intestinais a remover fármacos do organismo ou a metabolizá-los em formas inactivas, podendo provocar reações adversas como: (11, 12)

  • Reduzir os níveis plasmáticos de ciclosporina A, resultando assim na rejeição de orgãos em pacientes transplantados.
  • Diminuir os níveis plasmáticos anti-retrovirais usado no tratamento do HIV.
  • Diminuir a eficácia de contraceptivos orais, provocando um aumento de gravidezes não planeadas e do sangramento associado aos períodos menstruais.
  • Reduzir as propriedades anticoagulantes da varfarina.
  • Reduzir os níveis plasmáticos de digoxina, um fármaco usado no tratamento de problemas cardíacos.
  • Reduzir em 59% os níveis de voriconazole, um agente antifúngico.
  • Reduz a biodisponibilidade e o rácio de eliminação das benzodiazepinas (sedativos) quazepam, alprazolam e midazolam.

Pode ainda:

  • Induzir mania ou hipomania em pacientes com desordem bipolar.
  • Provocar fotosensibilidade reversível que pode conduzir a lesões cutâneas eritematosas após exposição solar.
  • Em combinação com antidepressivos contendo paroxetina, sertralina, venlafaxina, nefazodone, clomipramine e outros, pode provocar a síndrome da serotonina, caracterizada por tremores, taquicardia, hipertensão, sons intestinais hiperativos, diaforese e hipertermia.

Também estão documentados casos em que o hipericão potenciou os efeitos sedativos de um número elevado de outros suplementos/ervas, bem como os seus efeitos adversos.(11)

Dada a possibilidade de sofrer efeitos secundários devido à toma do Hipericão, sobretudo quando combinado com a ingestão de determinados fármacos e suplementos/ervas, aconselhamos vivamente que consulte um médico antes de iniciar a sua toma.

Chaparral

O Chaparral, outro suplemento de ervas, é usado no tratamento da acne e problemas da pele; no tratamento de herpes familiar incluindo: herpes simplex, herpes zoster, citomegalovírus e Epstein-Barr, gripes e constipações.

Também é usado como diurético, para “desintoxicar” o sangue e o fígado, para tratamento da artrite, reumatismo e bursite, como antioxidante e no tratamento de vários tipos de cancro.(13)

Infelizmente, em vez de “desintoxicar”, o chaparral pode ter efeitos tóxicos no fígado e está associado a danos hepáticos agudos a crónicos irreversível, com falha hepática fulminante.(13, 14)

No final de 1992 a FDA emitiu recomendações que incluem o evitamento da ingestão de chaparral por este estar associado a hepatite aguda tóxica.(13)

Tussilago farfara

Tussilago farfaraEsta é uma planta medicinal que tem vindo a ser usada sobretudo no tratamento de problemas respiratórios, mas também em problemas gastrointestinais, urinários, reumatismo, irritações cutâneas e para “purificar o sangue”.(15)

Esta planta contém alcalóides pirolisados, compostos tóxicos biosintetizados pela planta que têm como função protegê-la dos animais hervíboros.(15)

Estes compostos tambêm têm efeitos tóxicos no ser humano, incluíndo efeitos carcinogénicos e hepatotóxicos, podendo causar principalmente doença veno-oclusiva hepática e ainda doença tromboembólica venosa .(15-17)

Conclusão

Neste artigo apenas foram alguns dados exemplos de suplementos que podem provocar danos à saúde. Um grande número de outros suplementos, principalmente suplementos de ervas usados na medicina ayurvédica e medicina chinesa podem provocar efeitos tóxicos, sobretudo no fígado.(1)

Uma vez que seria impossível abordar todos os suplementos perigosos ou potencialmente perigos neste artigo, apelo ao leitor para que use o seu sentido crítico e efetue uma pesquisa prévia do suplemento que pretende adquirir, de forma a assegurar-se de que não irá usar suplementos potencialmente prejudiciais para a sua saúde.

Como já deve saber, antes de iniciar a toma de um suplemento, é sempre aconselhável consultar um profissional de saúde, preferencialmente um nutricionista e/ou o seu médico.

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  1. Bunchorntavakul C, Reddy KR. Review article: herbal and dietary supplement hepatotoxicity. Alimentary pharmacology & therapeutics. 2013; 37(1):3-17.
  2. Geller AI, Shehab N, Weidle NJ, Lovegrove MC, Wolpert BJ, Timbo BB, et al. Emergency Department Visits for Adverse Events Related to Dietary Supplements. New England Journal of Medicine. 2015; 373(16):1531-40.
  3. Broeder CE. Oral andro-related prohormone supplementation: do the potential risks outweigh the benefits? Canadian journal of applied physiology = Revue canadienne de physiologie appliquee. 2003; 28(1):102-16.
  4. Ziegenfuss TN, Berardi JM, Lowery LM. Effects of prohormone supplementation in humans: a review. Canadian journal of applied physiology = Revue canadienne de physiologie appliquee. 2002; 27(6):628-46.
  5. Rahnema CD, Crosnoe LE, Kim ED. Designer steroids – over-the-counter supplements and their androgenic component: review of an increasing problem. Andrology. 2015; 3(2):150-5.
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  9. Shah NL, Zacharias I, Khettry U, Afdhal N, Gordon FD. Methasteron-associated cholestatic liver injury: clinicopathologic findings in 5 cases. Clinical gastroenterology and hepatology : the official clinical practice journal of the American Gastroenterological Association. 2008; 6(2):255-8.
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  11. Klemow KM BA, Crawford J, et al. Herbal Medicine: Biomolecular and Clinical Aspects. 2nd edition ed.  Boca Raton (FL): CRC Press/Taylor & Francis; 2011.
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  13. Kauma H, Koskela R, Makisalo H, Autio-Harmainen H, Lehtola J, Hockerstedt K. Toxic acute hepatitis and hepatic fibrosis after consumption of chaparral tablets. Scandinavian journal of gastroenterology. 2004; 39(11):1168-71.
  14. Sheikh NM, Philen RM, Love LA. Chaparral-associated hepatotoxicity. Archives of internal medicine. 1997; 157(8):913-9.
  15. Smyrska-Wieleba N, Wojtanowski KK, Mroczek T. Comparative HILIC/ESI-QTOF-MS and HPTLC studies of pyrrolizidine alkaloids in flowers of Tussilago farfara and roots of Arnebia euchroma. Phytochemistry Letters. 2017; 20:339-49.
  16. Hirono I, Mori H, Culvenor CC. Carcinogenic activity of coltsfoot, Tussilago farfara l. Gan. 1976; 67(1):125-9.
  17. Freshour JE, Odle B, Rikhye S, Stewart DW. Coltsfoot as a potential cause of deep vein thrombosis and pulmonary embolism in a patient also consuming kava and blue vervain. Journal of dietary supplements. 2012; 9(3):149-54.