A whey nativa é a melhor fonte de proteína?

whey nativaA whey nativa é um tipo de proteína ainda pouco popular mas que tem vindo a receber cada vez mais atenção, sobretudo devido ao seu perfil de aminoácidos e à sua velocidade de absorção.

Pode ser interessante conhecer a velocidade de absorção das proteínas pois o seu potencial para promover a síntese de proteína muscular parece parcialmente dependente da sua cinética de absorção e da sua composição de aminoácidos.(1-4)

Em comparação com a proteína de soja e a caseína, sabe-se que a whey (soro de leite), é a que tem melhor solubilidade e a que é absorvida mais rapidamente.(2)

concentração aminoácidos whey soja e caseína

No entanto, existem vários tipos de whey em virtude de existirem diferentes métodos de processamento desta proteína e, forma a determinar qual delas é absorvida de forma mais rápida, os investigadores de um estudo testaram a velocidade de absorção de 20 gramas de whey nativa (NW), whey concentrada 80 (WPC-80), whey hidrolisada (MPH), whey microparticulada (MWP) e proteína do leite.

whey nativa

Resultados:

  • A whey nativa induziu um aumento significativamente mais rápido e concentrações mais elevadas de leucina e poderá ter um maior potencial para estimular a síntese de proteína muscular do que outros suplementos de whey e proteína do leite.
  • A whey nativa também produziu os valores mais elevados de aminoácidos essenciais e de aminoácidos ramificados, principalmente devido à sua concentração mais elevada de leucina, que foi mais elevada do que todos os outros suplementos de proteína durante a primeira hora após a ingestão de proteína.
  • Todos os suplementos de proteína whey produziram aumentos mais rápidos e picos mais elevados dos valores plasmáticos de aminoácidos essenciais e aminoácidos ramificados do que a proteína de leite.
  • Não foram encontradas diferenças em termos de recuperação muscular e da recuperação da perfomance entre os diferentes suplementos de proteína, após um treino com pesos.(1)

Os investigadores sugerem que sejam realizados mais estudos que investiguem se as diferenças na cinética de aminoácidos e da leucina se traduzem numa maior sinalização anabólica intracelular, síntese de proteína muscular e hipertrofia muscular.

Quais as diferenças entre os vários tipos de whey?

O método de produção de alimentos e suplementos de proteína tem influência no perfil de aminoácidos, na sua cinética de absorção e possivelmente no seu potencial anabólico.(1)

Proteína whey nativa: é produzida por filtração de leite não processado. Devido à filtração direta de leite crú, a proteína da whey nativa é mais intacta e “natural” em comparação com a whey concentrada. O seu perfil de aminoácidos também é ligeiramente diferente, com um teor mais elevado de leucina. Consequentemente, a whey nativa poderá ter características positivas para estimular a síntese de proteína muscular.(1)

Proteína whey concentrada (WPC-80): é um subproduto da produção do queijo e, devido a isso, é sujeita ao calor e a um ambiente ácido, o que provoca alguma desnaturação das suas proteínas (1)

Whey hidrolisada: É produzida a partir de uma proteína whey concentrada, ou isolada, que é posteriormente exposta à ação de enzimas proteolíticas, originando uma mistura complexa de peptídeos de diferentes comprimentos e aminoácidos livres.(1)

Whey microparticulada: Através do uso da filtração, calor e da aplicação de forças de cisalhamento, é possível converter proteína whey concentrada em proteínas microparticuladas, que são partículas muito pequenas com propriedades similares às das gotículas de gordura emulsionadas. Por esse motivo, as micropartículas de proteína do leite são frequentemente usadas como substituto da gordura em alguns alimentos.(1)

Conclusão

Parece-nos interessante que a whey nativa tenha uma absorção mais rápida do que a whey hidrolisada, considerada por muitos a proteína de absorção mais rápida.

A whey nativa é também a whey que contém níveis mais elevados de leucina, considerado o aminoácido mais importante para estimular a síntese de proteína muscular.(5)

Infelizmente o preço da whey nativa também é significativamente mais elevado do que a whey concentrada e whey isolada, ainda assim, em várias lojas, é mais barata do que a whey hidrolisada.

De referir que o facto de velocidade de absorção mais rápida não significa necessariamente que uma proteína vá proporcionar uma maior síntese de proteína muscular ao final de várias horas, em comparação com uma proteína de absorção lenta.(6)

Clique para mostrar/ocultar as referências

  1. Hamarsland H, Laahne JAL, Paulsen G, Cotter M, Børsheim E, Raastad T. Native whey induces higher and faster leucinemia than other whey protein supplements and milk: a randomized controlled trial [journal article]. BMC Nutrition. 2017; 3(1):10.
  2. Tang JE, Moore DR, Kujbida GW, Tarnopolsky MA, Phillips SM. Ingestion of whey hydrolysate, casein, or soy protein isolate: effects on mixed muscle protein synthesis at rest and following resistance exercise in young men. Journal of applied physiology (Bethesda, Md : 1985). 2009; 107(3):987-92.
  3. Churchward-Venne TA, Burd NA, Mitchell CJ, West DW, Philp A, Marcotte GR, et al. Supplementation of a suboptimal protein dose with leucine or essential amino acids: effects on myofibrillar protein synthesis at rest and following resistance exercise in men. The Journal of physiology. 2012; 590(11):2751-65.
  4. Boirie Y, Dangin M, Gachon P, Vasson MP, Maubois JL, Beaufrere B. Slow and fast dietary proteins differently modulate postprandial protein accretion. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. 1997; 94(26):14930-5.
  5. Norton LE, Layman DK. Leucine regulates translation initiation of protein synthesis in skeletal muscle after exercise. The Journal of nutrition. 2006; 136(2):533s-37s.
  6. Reitelseder S, Agergaard J, Doessing S, Helmark IC, Lund P, Kristensen NB, et al. Whey and casein labeled with L-[1-13C]leucine and muscle protein synthesis: effect of resistance exercise and protein ingestion. American journal of physiology Endocrinology and metabolism. 2011; 300(1):E231-42.