Programa Peso Pesado, Cenário lamentável para perder peso

Programa Peso Pesado, Cenário lamentável para perder pesoEste foi o programa televisivo mais aguardado de 2011 e consiste basicamente numa competição onde participam pessoas obesas em na qual quem perder mais peso durante a competição será o vencedor.

Eu não vou me vou referir muito à forma como este tipo de programas ataque a dignidade dos indivíduos, promove a discriminação e são contraproducentes para o nível pessoal, vou-me concentrar apenas na parte da saúde.

O primeiro chama a atenção é sua ênfase sobre a necessidade de treinar com afinco, não têm em conta a idade e o número de quilos a mobilizar, que certamente não é uma imagem agradável aos olhos de ver e experimentar, que põem num ginásio com um instrutor que grita (chamemos-lhe motivação) e os força a lutar, gritando e suando, os resultados esperados são provavelmente as lesões (os joelhos não estão projectados para suportar quilos) e não ficaria surpreso no caso de ocorrer alguma complicação cardíaca derivada do esforço excessivo.

Insinua-se constantemente que são preguiçosos, ou vagos, e parece que a única razão para que essas pessoas sejam obesas é que elas passam o dia deitadas no sofá (que pode ser verdade ou não, mas não é razão suficiente para se ser obeso), e o que mais me impressionou durante os programas que eu vi (especialmente a versão dos EUA e espanhola), foi o facto de que quase ninguém falava sobre nutrição, excepto por uma vez um médico disse que eles devem manter uma boa ingestão de calorias, porque  parar de comer não era a melhor forma de queimar gordura.

É verdade que emagrecem, sim, mas a razão para essa redução em quilos não é tanto o exercício intenso mas sim devido ao facto de não continuarem a comer o que comiam e o que os levou à obesidade porque suas vidas durante a duração do concurso é monitorizada 24 horas por dia.

Mas e em relação à utilização do exercício como ferramenta de destaque para perda de peso funciona assim tão bem como pretendem demonstrar?

Vàrios estudos mostram o contrário.

– Num estudo realizado em 1998 pelo Departamento de Saúde, lazer e ciência do exercício da Appalachian State University, EUA, organizaram-se três grupos de mulheres com sobrepeso, um grupo foi submetido a dieta, um outro grupo a uma combinação de dieta e exercícios e um terceiro grupo só realizou exercício, o resultado foi que as mulheres que foram submetidas apenas a treino aeróbico durante 12 semanas não perdera, peso, mas os dois restantes grupos conseguiram perder peso.

– E não podemos dizer que estes resultados são novos, num outro estudo realizado em 1979 pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia, as mulheres com níveis mais elevados de obesidade, que se exercitaram durante 6 meses, não só não perderam peso, como ainda ganharam mais peso.

E é ingénuo pensar que vamos perder peso só com exercício, ao exercitarmo-nos o que perdemos é sobretudo água, podemos ganhar algum volume muscular e para compensar o esforço do seu corpo, este irá aumentar o seu apetite. E no caso de pessoas obesas o mais importante a fazer é mudar os hábitos alimentares, normalizar os níveis hormonais e identificar possíveis efeitos psicológicos que influenciam o apetite, real ou não, e costumam estar associados a emoções, comer por aborrecimento, falta de controlo .. etc

Na opinião do autor do artigo, este cenário não é o mais ideial para perder peso.

O pior é que esses programas ajudam a consolidar ideias erradas e a manter o público desinformado. É evidente que, neste tipo de competição o que menos importa é educar sobre a prevenção da obesidade, voltamos ao “pão e circo” televisivo.

Segundo uma edição da revista Maria, que esteve presente nos testes, são vários os concorrentes que se viram obrigados a não avançar, devido às condições oferecidas pela produção do programa.

“Não nos davam contrapartidas nenhumas. Podíamos estar 21 semanas no programa e não íamos receber nada por isso. Além disso, não se responsabilizam por quaisquer danos físicos que pudéssemos vir a sofrer durante o concurso. E ainda tínhamos de aceitar que nos chamassem nomes… a única coisa que nos garantiam era assistência médica”, garantiram Ana Maria e Margarida à referida publicação.

Este é portanto, um programa que não garante nem assume a responsabilidade por qualquer problema de saúde que os participantes possam vir a desenvolver durante o decorrer do mesmo, com o bónus de ainda poderem ser insultados de forma gratuita, sem qualquer tipo de impedimento legal.

A inclusão do “comando” no programa é outro ponto negativo a meu ver. Resumumindo e concluindo, não é colocando as pessoas a arrastarem-se na lama, com auto-comiseração, humilhação e bullying que se faz com que alguém mude de vida.

 
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