O colesterol proporciona mais massa muscular a indivíduos idosos que treinam

O colesterol proporciona mais massa muscular a indivíduos idosos que treinamSegundo cientistas de desporto americanos, Quanto mais colesterol os idosos consumirem através da dieta, mais massa muscular desenvolvem com o treino de musculação.

Uma ingestão elevada de colesterol tem um efeito hipertrófico ainda mais pronunciado se as mesmas pessoas também tomarem estatinas para redução de colesterol.

Os investigadores estão à procura de formas de impedir a progressão da sarcopénia [perda de força e desenvolvimento muscular devido à velhice]. É provável que a sarcopénia venha a ser um grande problema no futuro. Os especialistas em população prevêem que em 2040, 21% da população atingirá os 65 anos de idade.

Os investigadores colocaram 15 homens e mulheres com idades compreendidas entre os 60 e 70 anos a fazer treino de musculação 3 vezes por semana. Os voluntários realizaram séries a 75% da sua 1RM. Aos voluntários foi-lhes sugerida uma dieta que consistia em 50% de carboidratos, 20% de proteína e 30% de gordura.

Após 12 semanas, os investigadores mediram a quantidade de massa magra que os sujeitos adquiriram. Os voluntários mantiveram um diário da ingestão de proteína consumida durante este período. A partir desse diário, os investigadores puderam deduzir que a ingestão de colesterol foi o fator dietético mais importante e que mais influenciou o aumento de massa muscular magra.

Tabela 1

A quantidade de proteína ingerida não foi um factor, nem a quantidade de calorias.

Os indivíduos que ingeriram mais colesterol adquiriram força mais rapidamente que os indivíduos cuja dieta continha pequenas quantidades de colesterol. Por exemplo, as pessoas que ingeriram 7.2 a 10.2 mg de colesterol por kg de peso corporal magro, tornaram-se 88% mais fortes no supino e prensa de pernas. Os indivíduos que consumiram 2.2 a 3.5 mg de colesterol por Kg de peso corporal magro, obtiveram de aumento de força de apenas 41%.

O colesterol torna a membrana das células mais suaves. Os estudos sugerem que, como resultado disso, as células tornam-se mais sensíveis ao monóxido de nitrogénio, proteína kinase C-alpha, factor nuclear Kappa B, phosphoinositide kinase-3, proteina kinase C, receptor do factor de crescimento da epiderme, receptor do factor de crescimento derivado da platelet, interleucina-6 e AKT1.

Todos estes são factores que causam a hipertrofia das células musculares. Outra possibilidade é a de que o colesterol possibilita que as células musculares reparem com mais facilidade, os micro-traumas causados pelo treino de musculação.

Foi possível verificar que um nível elevado de HDL, inibiu a progressão do crescimento muscular. O HDL mantém o colesterol fora da corrente sanguínea e transporta-o para o fígado. E o LDL funciona da forma oposta, LDL – é o suposto “mau” colesterol que mantém o colesterol no organismo – que promove crescimento muscular.

Quando os idosos tomaram também estatinas, obtiveram progressos ainda melhores.

Tabela 2

Os investigadores ficaram surpreendidos por verem que as estatinas tinham um efeito estimulador, “dado os efeitos bem estabelecidos do colesterol na saúde, e os efeitos das estatinas nos músculos do esqueleto.

As estatinas inibem o funcionamento da enzima HMG-CoA no fígado. E tornam os receptores do LDL mais sensíveis, e como resultado, o LDL desaparece do sangue mais rapidamente. O tipo de estatina que teve o efeito mais potente em termos de aumento muscular neste estudo, foi a lovastatina.

Os investigadores desenvolveram uma teoria complexa acerca de como as estatinas promovem o crescimento muscular. Eles afirmam que as estatinas reduzem a quantidade de colesterol no organismo. Menos colesterol, significa menos “isopentenylpyrophosphate”, um composto de que as células necessitam para produzir seleno-proteinas. Ratos geneticamente modificados que produzem menos seleno-proteinas, possuem menos massa muscular. Voilá!

Teoria impressionante, mas não explica porque é que, a) ingerir grandes quantidades de colesterol e, b) ingerir estatinas em conjunto proporciona maiores progressos em termos de força. Nós temos outra teoria. As estatinas não só fazem com que o fígado absorva mais colesterol, como também possuem o mesmo efeito nas células musculares.

Os investigadores foram cuidadosos nas sua afirmações e concluíram que:

É necessário examinar as mudanças no risco de doenças cardíacas devido ao consumo de colesterol (dentro do contexto do exercício físico) de forma que os benefícios em termos de redução da sarcopénia nem sejam obtidos a custo de um aumento de risco de doenças cardiovasculares.

As fontes mais importantes de colesterol da dieta são as gemas de ovo [um ovo inteiro contém 200 mg de colesterol], bife, frango, peru, lacticínios. Uma dieta à base de frango, pescado e lulas, proporciona facilmente 600 mg de colesterol por dia.

Os benefícios que o colesterol proporciona na saúde ainda não são claros. Há cerca de 10/20 anos, os investigadores afirmavam que o colesterol era um facto detrimental para a saúde. Este já não é o caso actualmente.

Referência!

 

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