O caso dos alimentos verdadeiros

O caso dos alimentos verdadeirosHá algo mais numa cenoura para além do betacaroteno? O licopeno é melhor quando o obtemos a partir dos tomates? E quando enchemos os pratos com salmão, estamos a servir-nos de algo mais para além do ómega-3?

Durante anos a comunidade científica tem visto as vitaminas e nutrientes como o melhor que os alimentos têm a oferecer. Estudos de nutrição têm isolado o beta-caroteno, cálcio, vitamina E e licopeno, entre outros nutrientes, a fim de estudar os seus benefícios de saúde no corpo.

Mas agora, depois de vários estudos sobre muitas vitaminas terem produzido resultados decepcionantes, há uma crença crescente de que a comida é mais do que a soma das suas partes de nutrientes. Num comentário recente para a revista Nutrition Reviews, , professor de epidemiologia David R. Jacobs da Universidade de Minnesota afirma que os investigadores da nutrição devem centrar-se em alimentos integrais e não apenas em nutrientes isolados.

“Nós discutimos a necessidade do regresso ao alimento como fonte de conhecimento nutricional”, escreve o Dr. Jacobs com a co-autora Linda C. Tapsell, uma investigadora de nutrição da Universidade de Wollongong, na Austrália.

Dr. Jacobs acredita que a ciência da nutrição deve começar a considerar os efeitos da “sinergia dos alimentos”, a noção de que não é provável que os benefícios de saúde de determinados alimentos provenham de um único nutriente, mas sim das combinações de compostos que funcionam melhor juntos do que separados. E afirmou:

Todos os alimentos são muito mais complicados do que qualquer droga. Não faz sentido querer separá-los em componentes isolados. Mas você pode ver muita gente a falar nos média, especialmente acerca dos  carboidratos e gorduras, como se fossem entidades unificadas. Mas não o são. Eles são extremamente complexos.’

Este tipo de visão estreita sobre os efeitos dos nutrientes simples, decorre desde os primeiros dias de pesquisa de nutrição. Em 1937, dois cientistas ganharam o Prémio Nobel por terem identificado a vitamina C, como componente essencial em frutas cítricas, que previnem o escorbuto. Esta descoberta estimulou o interesse pela comunidade científica para estudar outros nutrientes biologicamente activos em alimentos.

Por enquanto os estudos têm demonstrado que dietas ricas em frutas e vegetais, gordura natural, e peixe, entre outras coisas, estão associadas a uma melhor saúde, muitos pesquisadores de nutrição têm andado ocupados a desconstruir esses alimentos para identificarem os nutrientes mais potentes. Por exemplo, a vitamina E tem sido amplamente estudada como protector do coração.

Mas atribuir os benefícios gerais de saúde de uma dieta a um único composto, provou ser um erro. Por exemplo, vários estudos têm sugerido uma associação entre dietas ricas em beta-caroteno e vitamina A, e um menor risco para vários tipos de cancro. Mas num conhecido estudo finlandês de 1994, verificou-se que os fumadores que tomaram betacaroteno, tiveram uma incidência 18 por cento superior de cancro de pulmão.

Em 1996, pesquisadores administraram beta-caroteno e vitamina A a fumadores e trabalhadores expostos ao amianto. Mas a experiência teve de ser interrompida porque as pessoas que seguiram a terapia combinada, mostraram riscos significativamente mais elevados de cancro do pulmão e ataque cardíaco.

Desde então, estudos de outras vitaminas, nomeadamente vitaminas E e B, também falharam em demonstrar benefícios. Os fabricantes dizem que o problema é que as vitaminas são muitas vezes testadas em pessoas doentes, quando os seus verdadeiros benefícios devem estar na prevenção de doenças.

Mas o Dr. Jacobs observa que a melhor explicação pode ser simplesmente que a sinergia de alimentos, em vez da actividade biológica de alguns nutrientes essenciais, é a verdadeira razão pela qual determinadas dietas, assim como aqueles que são consumidas nas regiões do Mediterrâneo e no Japão, aparentem diminuir os riscos de doenças cardíacas e outros problemas de saúde.

O Dr. Jacobs afirmou:

As pessoas perguntam-me com frequência, quais são as vitaminas que devem tomar. E eu digo: Não tome nenhuma. Certifique-se apenas de que ingere uma dieta rica em nutrientes.

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