Lições dos índios Pima

Lições dos índios PimaCom 38% e a aumentar em 2006, os índios Pima (Akimel O’odham) do Arizona têm a maior taxa de diabetes de qualquer população do mundo. Eles também têm taxas surpreendentes de obesidade (~ 70%) e hipertensão.

As coisas eram muito diferentes para eles antes de 1539, quando entraram em contacto com o primeiro espanhol pela primeira vez. Eles viviam numa dieta agrícola de feijão, milho e abóbora, com peixes selvagens, carne de caça e plantas. Tal como acontece com a maioria das pessoas nativas, eles mantiveram-se e saudáveis ​​e definidos enquanto seguiram a sua dieta tradicional.

Em 1859, os Pima foram restritos a uma pequena fracção de suas terras originais ao longo do rio Gila, a Reserva dos Pima. Em 1866, começaram a chegar colonos começaram à região e a desviar o rio Gila a montante da reserva para a sua própria agricultura. Em 1869, o rio secou pela primeira vez. 1886 foi o último ano passado em que fluiu alguma água no rio Gila para a reserva Pima.

Os Pima não tinham nenhuma forma de obter água, e nenhuma forma de cultivar e produzir alimentos. A sua outrora produtiva economia de subsistência, tinha chegado a um fim. Seguiu-se a fome durante 40 desesperados anos. Os Pima reduziram as suas extensas florestas de algaroba para venderem de forma a poderem adquirir comida e água. Eventualmente, depois de bastantes protestos e manifestações públicas, o tio Sam interveio.

O governo auxiliou os Pima com “comida” subsidiada: farinha branca, açúcar, banha parcialmente hidrogenada, e enlatados. Eles rapidamente se tornaram diabéticos e obesos, e permaneceram assim desde então.

Os Pima são um modelo perfeito para a maioria dos investigadores de nutrição dos EUA por várias razões:

  • Primeiro de tudo, a sua dieta antes do contacto com o homem branco era provavelmente bastante pobre em gordura, e os investiadores gostam de apontar que eles agora ingerem mais gordura (comparável à dieta americana média).
  • Outra razão é que há um outro grupo de Pima no México que ainda vivem numa dieta relativamente tradicional e são muito mais saudáveis. Eles são muito semelhantes em termos genéticos, apoiando a ideia de que é o estilo de vida dos Pima norte-americana que lhes está a causar os seus problemas.
  • A terceira razão é que os Pima mexicanos exercitam-se mais do que os índios Pima do Arizona e comem um pouco menos.

Um exemplo dos “alimentos” que constituem a base da dieta dos Pima.

Eu, concordo, naturalmente, com a conclusão de que o seu estilo de vida está por trás dos seus problemas, e isso é bastante óbvio. Penso que a maioria dos Pima também sabe disso. Se eles voltassem a ter acesso à sua água, talvez as coisas fossem diferentes para eles.

No entanto, por vezes o foco nos macronutrientes, obscurece o fato de que a dieta moderna dos Pima é uma porcaria pura. É constituída principalmente por alimentos processados ​​com baixa densidade de nutrientes. E também contém os dois maiores destruidores da saúde indígena: a farinha branca e açúcar.

Existem numerosos exemplos de culturas que passaram de uma dieta rica em gordura para uma dieta do tipo”reserva alimentar”, com um menor teor de gordura, e sofrem o mesmo destino:

Os Inuit do Alasca, os Maasai e Samburu do Quénia, tribos do noroeste do Pacífico dos EUA e Canadá, certos grupos aborígenes, e muito mais. O que têm todos eles em comum? Farinha branca, açúcar e outros alimentos processados.

A questão do exercício também é um tanto questionável. É verdade que os Pima mexicanos exercitam-se 2,5 vezes mais do que os Pima do Arizona, mas mesmo assim, os índios Pima do Arizona ainda realizam muito mais exercício do que o americano médio!

As mulheres exercitam-se 3,1 horas por semana, enquanto os homens realizam 12,1 horas de exercício por semana! Eu ando bastante de bicicleta e pratico musculação, e mesmo assim não faço tanto exercício como eles. Por isso perdoem-me se estou um pouco céptico em relação a ideia de que eles não estão se estão a exercitar o suficiente para manter o excesso de peso afastado.

A história da Pima é uma história comovente que tem sido repetida centenas, talvez milhares de vezes em todo o mundo. Os europeus trazem consigo farinha branca, açúcar e outros alimentos processados, que destroem a saúde de uma população nativa “, e depois os investigadores ou agem como se não entendessem porque motivo é que isso aconteceu, ou dão explicações insatisfatórias acerca do fenómeno.

O Pima são os canários na mina de carvão, e nós podemos aprender muito com eles.

Os seus problemas de saúde são semelhantes aos de outros norte-americanos e ocidentais pobres (e ricos também, em menor grau). Isso acontece porque estão ambos a ingerir tipos similares de “alimentos”. No entanto, o problema está a infiltrar-se na sociedade em geral, à medida que vamos ingerindo cada vez mais e mais trigo processado, milho, soja e açúcar, e menos alimentos completos e saudáveis.

O nível de obesidade nos EUA duplicou nos últimos 30 anos, e a obesidade infantil triplicou. A diabetes está a acompanhar a tendência. A esperança média de vida começou a diminuir em algumas partes (pobres) do país. Entretanto, a nossa dieta está a ficar cada vez mais parecida com os alimentos ingeridos na reserva dos Pima. Está na hora de aprender uma lição com a sua tragédia.

Autor: Stephan Guyenet

 
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