Controvérsias da proteína – Saúde óssea

Controvérsias da proteína – Saúde óssea  Talvez uma das críticas mais perversivas que envolve a ingestão elevada de proteína tenha a ver com a saúde óssea e os níveis de cálcio.

Este tema teve origem em estudos nutricionais antigos em que foram administradas dietas de proteína purificada e verificaram uma perda de cálcio do corpo.

Estudos mais recentes, em que foram usados alimentos ricos em proteína (que incluem outros nutrientes tais como o fósforo) encontraram efeitos muito diferentes.

Francamente, os estudos mais antigos sobre este tópico são irrelevantes para a nutrição humana normal, uma vez que o consumo de proteína na ausência total de outros nutrientes é extremamente rara; todos os alimentos ricos em proteína e proteínas em pó contêm micronutrientes.

O impacto da proteína no nível geral de cálcio é mais complexo do que ter simplesmente um efeito positivo ou negativo, uma vez que a proteína dietética pode ter um impacto na excreção de cálcio bem como na sua absorção e utilização. É o efeito combinado desses processos que determina o resultado final em termos de saúde óssea.

Em estudos epidemiológicos, uma ingestão elevada de proteína animal aumenta o risco de fraturas ósseas; para além disso, um rácio elevado de ingestão de proteína animal para vegetal também foi associado a um aumento do risco de perda óssea (1).

Em contraste, uma ingestão elevada de proteína melhora a reparação/cura dos ossos, após uma fratura por exemplo. Isto é mediado pelo aumento da absorção de cálcio e também pelo aumento dos níveis de fator de crescimento similar à insulina 1 (IGF-1), uma hormona envolvida no crescimento dos tecidos (5).

Como é que esta contradição pode ser reconciliada?

Fundamentalmente, é demasiado simplista olhar para a ingestão de proteína em termos de isolar os seus efeitos na saúde óssea, uma vez que a proteína dos alimentos interage com outros nutrientes nesses alimento ou na dieta total (6). Por exemplo, estudos recentes sugerem uma interação entre a ingestão de proteína e a ingestão de cálcio.

Quando a ingestão de cálcio é baixa, a ingestão elevada de proteína parece ter efeitos negativos na saúde óssea. Em contraste, quando a ingestão de cálcio e de vitamina D é suficiente, a ingestão de proteína tem um efeito benéfico na saúde óssea (7).

Isto sugere que, assegurar uma ingestão adequada de cálcio (através da ingestão suficiente de lacticínios ou suplementos de cálcio) é crucial para a saúde óssea quando se ingere uma elevada quantidade de proteína.

Isto serve para explicar a contradição acima. Nos estudos em que se verificou que a ingestão de proteína dietética tem um impacto negativo na saúde óssea, havia outros fatores dietéticos a desempenhar um papel.

A ingestão de cálcio ou de vitamina D pode ter sido insuficiente, provocando um efeito geral negativo. No entanto, quando se ingere a quantidade suficiente de cálcio e de vitamina D (como tipicamente acontece após um problema ósseo como uma fratura), a proteína dietética tem um efeito benéfico.

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