Cinto no Ginásio – Uma desculpa ou uma necessidade?

cinto de ginásio musculaçãoSempre que entramos num ginásio observamos várias pessoas, 99.9% homens, a utilizar um cinto durante o treino. Alguns durante o agachamento, outros no peso morto e o mais incrível… a fazer bicep curl com 70kg, ou pelo menos a tentar.

Um dos argumentos mais comuns é o facto de proteger contra lesões, embora outros utilizem por razões competitivas, afirmando que ajuda a potenciar a carga utilizada no exercício. Será que a utilização do cinto deve ser algo obrigatório ou circunstancial?

Em primeiro lugar será necessário abordar o tema de respiração. Embora muitas vezes não seja recomendado por razões de saúde, a técnica de valsalva é aquela que permite a criação de uma maior pressão intrabdominal, um factor fulcral no que toca à proteção da coluna assim como otimização da produção de força.

No entanto, nem todos conseguem utilizar este método de forma eficaz sendo o agachamento um exemplo comum, onde muitos dos praticantes “respiram pelo peito”. Consequentemente, existe uma elevação da caixa torácica que irá acentuar a lordose lombar o que, somando à carga de compressão criada pela barra, pode levar a desastres a longo prazo.

“Respirar pela barriga” é uma das dicas dadas com o objetivo de resolver esta situação, mas nem sempre funciona. Assim, são inúmeros os casos de pessoas que ao utilizar o cinto, têm o estímulo do equipamento que permite criar pressão do abdominal contra este de modo a aumentar eficazmente a pressão intrabdominal.

Um argumento contra a utilização do cinto é o facto de reduzir a ativação da região do core. Segundo a literatura existente, essa afirmação não reflete a realidade.

Numa perspetiva de performance, o cinto parece apresentar benefícios ao permitir:

  • Aumento da carga para o mesmo número de repetições
  • Aumento do número de repetições para a mesma carga
  • Diminuição da perceção de esforço para a mesma carga e número de repetições

Considerações finais:

  • O cinto não é um equipamento obrigatório para a população geral.
  • Numa perspetiva de performance (e.g. powerlifting), o praticante deve utilizar um cinto se o seu objetivo for maximizar a carga utilizada.
  • Caso a pessoa não utilize o cinto na sua modalidade, a maior parte do seu treino deve ser utilizado sem este. No entanto, em certos blocos, apresentar fases de overload pode ser uma estratégia inteligente e a utilização do cinto pode ser benéfico para ter sucesso nesse objetivo.
  • No culturismo, o cinto pode ser utilizado ao permitir aumentar o volume de treino, variável diretamente relacionada com maiores ganhos de hipertrofia.
  • O cinto pode permitir realizar uma respiração adequada, permitindo um aumento da pressão intrabdominal, mas não deve servir de “moletas”, mas sim de equipamento auxiliar e temporário.

Artigo inspirado por Greg Nuckols. Para uma informação mais detalhada sobre esta temática, assim como acesso a todas as referências, visitar a seguinte ligação!