A dieta do paleolítico

A dieta do paleolíticoEsta dieta foi desenvolvida pelo “Dr. Loren Cordain” que é mundialmente reconhecido com sendo o líder mundial no que diz respeito à dieta dos nossos antepassados.

O tipo de alimentação conhecida por dieta do paleolítico, é o que se julga ter sido a alimentação dos humanos que viveram entre 40 000 e 10 000 anos antes de nós.

Há 10 000 anos a civilização humana começou a utilizar o fogo. Este facto veio modificar radicalmente a alimentação humana pois permitiu começar a cozinhar os alimentos.

A dieta do paleolítico é pois o regime alimentar usado pelos humanos antes de terem a possibilidade de cozinhar os alimentos e antes de terem iniciado as actividades de produção agrícola.

Nessa época, os seres humanos eram caçadores-recolectores.

Que alimentos ingeriam esses nossos antepassados?

Comiam toda a carne de caça que conseguiam, insectos, ovos, algumas raízes, abundante quantidade de folhas, frutos, frutos secos, bagas e sementes oleaginosas. Em algumas regiões dos grandes lagos e da orla costeira de África, comiam ainda peixe, marisco e bivalves.

Sob o ponto de vista nutricional a dieta do paleolítico tem as seguintes características:

  • É muito rica em fibras (algumas raízes, abundante quantidade de folhas, frutos, bagas e sementes);
  • É muito rica em proteínas (carne de caça, insectos, ovos, peixe, marisco e bivalves);
  • Tem grande quantidade de óleos polinsaturados essenciais ómega 3 (peixe, marisco e bivalves);
  • É muito rica em vitaminas, minerais e antioxidantes (abundante quantidade de folhas, frutos, bagas);
  • Tem uma certa quantidade de gordura saturada (a carne de caça é pobre em gordura saturada e tem uma maior percentagem de ómega 3);
  • Não inclui hidratos de carbono de alto ou médio índice glicémico;
  • Não inclui lacticínios nem derivados.
  • Não inclui horários fixos, faz-se refeições apenas quando se tem fome.

Em resumo podemos dizer que a dieta do paleolítico era rica em proteínas, moderada em gordura, baixa a moderada em carboidratos, rica em fibras, com baixo conteúdo em sal e muito rica em vitaminas minerais e antioxidantes.

A dieta do paleolítico e as enzimas digestivas

Sabemos que as enzimas digestivas são necessárias para digerirmos bem e assimilarmos convenientemente um novo alimento, quer dizer, para sermos capazes de aceitarmos e integrarmos no nosso organismo os constituintes de um novo alimento, pode demorar ente 5 000 a 10 000 anos a serem criadas em resposta ao repetido contacto com esse novo alimento.

O livro “The Paleo Diet” do Dr. Loren Cordain é de leitura obrigatória para os interessados no tema.

Significa isto que actualmente as enzimas digestivas de que dispomos não serão muito diferentes das que os nossos antepassados tinham há 10 000 anos.

O conjunto de alimentos que constituiu o regime alimentar humano ao longo destes 10 000 anos foi sendo gradualmente modificado. No entanto, foi durante os últimos 100 anos que houve uma alteração muito marcada do regime alimentar.

Nas últimas décadas assistimos à introdução de milhares de novas moléculas no regime alimentar das sociedades industriais desenvolvidas.

Para além da transformação industrial dos alimentos levar à criação de inúmeras novas moléculas no alimento transformado, a adição de corantes,  conservantes, aditivos alimentares e organismos geneticamente modificados multiplica de uma forma quase incalculável a quantidade de novas substâncias que ingerimos e para as quais não temos enzimas capazes de poderem metabolizá-las.

Os defensores da dieta do paleolítico referem que esta falta de enzimas, incapazes de lidar com todas estas novas substâncias que inundam os alimentos actuai, são uma das causas de doenças crónicas dependentes dos alimentos e ressaltam a vantagem de manter um regime alimentar para o qual nos fomos preparando durante muitos milhares de anos, justamente a dieta que permitiu aos nossos antepassados evoluírem e desenvolverem o seu potencial cognitivo.

A dieta do paleolítico e o desenvolvimento cognitivo

Contrariamente a outros, os habitantes da região africana dos grandes lagos, zona de onde se acredita ter emergido o Homo sapiens, podiam dispor para se alimentarem, de uma abundante quantidade de bivalves e mariscos, alimentos muito ricos em ácidos gordos polinsaturados ómega 3.

Segundo alguns autores, foi exactamente a ingestão destas generosas quantidades de ácidos gordos polinsaturados ómega 3 que permitiu a estes nossos antepassados do paleolítico desenvolverem o seu cérebro e as suas capacidades cognitivas de uma forma jamais conseguida por nenhum outro ser vivo.

O cérebro humano é um órgão com grande percentagem de gordura constituída essencialmente por ácidos gordos polinsaturados ómega 3, com especial relevância para o DHA. Na falta destes nutrientes essenciais as células do cérebro não podem desempenhar as suas funções e é frequente surgirem dificuldades de memória e de concentração, perturbações de sono, e o aumento de manifestação de sinais de ansiedade, irritabilidade e depressão.

A dieta do paleolítico evita o perigo das lecitinas dos cereais

Nessa época muito distante a espécie humana aprendeu que muitos tubérculos, grãos de cereais e leguminosas não podiam ser comidos, pois causavam avultados danos no organismo. Eram simplesmente tóxicos.

Com a possibilidade de cozer os alimentos verificou-se que tubérculos e cereais, que eram tóxicos se comidos crus, passavam a ser melhor tolerados quando cozinhados. Cereais e tubérculos vieram então a integrar a alimentação humana e foram tanto mais utilizados quanto a agricultura se desenvolveu e permitiu a sua produção em maior escala.

Hoje sabemos que os cereais e alguns tubérculos têm na sua superfície lecitinas, substâncias químicas que servem para defender esses grãos do ataque de microrganismos – bactérias, vírus, fungos e parasitas – e que são tóxicas para o nosso organismo, embora possam diminuir a sua toxicidade quando os alimentos são submetidos a cozedura.

As lectinas são, pois, substâncias bioquimicamente muito activas. Trabalhos publicados na última década demonstraram que conseguem manter a sua actividade mesmo depois dos alimentos serem cozinhados.
As lectinas ingeridas com os cereais, as leguminosas e alguns tubérculos estão, recentemente, a ser associadas ao desencadear e manutenção, no organismo humano, de alergias, inflamação e hipermeabilidade intestinal bem como a algumas doenças auto-imunológicas.

Estes conhecimentos permitem compreender os sucessos que são atribuídos à dieta do paleolítico no equilíbrio e tratamento de doenças alérgicas e auto-imunes ou doenças que envolvem processos inflamatórios crónicos.

Que alimentos compõem a actual Dieta do Paleolítico?

Os alimentos constituintes desta dieta definem-se melhor por exclusão.
Na Dieta do Paleolítico não podem entrar:

  • Açúcar ou quaisquer alimentos adoçados;
  • Leite e todos os alimentos lácteos;
  • Cereais e todos os alimentos produzidos com cereais;
  • Batata ou batata-doce;
  • Leguminosas, incluindo, feijão, soja e lentilhas.

A Dieta do Paleolítico será então constituída por:

  • Carne e peixe o menos processada possível. É habitual o recurso a estes alimentos crus ou fumados;
  • Ovos, marisco e bivalves;
  • Sementes de oleaginosas;
  • Frutos secos;
  • Legumes folhosos e frutos em abundância. São preferidos os frutos silvestres e os morangos, sendo evitados os frutos que foram sofrendo muitas alterações de melhoria de produção e têm maior valor calórico;
  • Muito raramente pode ser usado algum mel.

Efeitos da Dieta do Paleolítico na saúde:

Há uns tempos atrás, vários grandes jornais publicaram reportagens sobre os benefícios da dieta do paleolítico. De acordo com os jornais, a dieta do homem das cavernas, baseada em frutas, frutos secos, ovos, castanhas, carnes magras e peixes, poderia ajudar a reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

A história dos jornais foi baseada num estudo publicado em 2007 no Jornal Europeu de Nutrição Clínica. No estudo divulgado nessa altura, 20 voluntários saudáveis seguiram durante 3 semanas uma dieta que baniu completamente o açúcar, alimentos industrializados, todo o tipo de lacticínios, leguminosas, sal, cereais, álcool e sumos. Não houve grupo de controlo, o que impossibilitou a comparação com outras dietas.

Os pesquisadores afirmaram que a intenção não foi copiar a dieta da idade da pedra e sim eliminar aspectos prejudiciais da dieta moderna. Foram medidos pressão arterial e peso e, realizados exames de glicemia, hemograma, colesterol e marcadores de inflamação.

Instruções rígidas sobre os alimentos permitidos e proibidos fizeram com que 6 indivíduos não completassem as 3 semanas de estudo. Além do peso, o índice de massa corporal, a circunferência da cintura e a pressão sanguínea foram reduzidas.

O consumo energético foi reduzido em cerca de 36% com aumento do conteúdo de antioxidantes nas refeições porém, a quantidade de cálcio no sangue caiu em mais de 50% (de 851mg para 395mg), o que poderia ter um efeito desfavorável na saúde, aumentando principalmente o risco de osteoporose.

Mais abaixo poderá visualizar dois vídeos que resumem a dieta e estilo de vida do paleolítico, em poucos minutos.

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